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sábado, 26 de março de 2011

ROTEIRO DE INICIAÇÃO AO ESTUDO DO ESPIRITISMO. 2º. AULA.

ROTEIRO DE INICIAÇÃO AO ESTUDO DO ESPIRITISMO.

DIA: 00.00.00. 2º.  AULA. O CONSOLADOR PROMETIDO
                             ORIGEM E CODIFICAÇÃO DO ESPIRITISMO.
                            O QUE É O ESPIRITISMO?
                                   
            “Com muita propriedade, afirmou Allan Kardec que os Espíritos elevados se ligam de preferência aos que procuram instruir-se.”
                                                                                                          EMMANUEL

                        ANUNCIAÇÃO DO CONSOLADOR PROMETIDO
            __ Se me amais, guardai os meus mandamentos __ e eu pedirei a meu Pai e ele vos enviará outro consolador, a fim de que fique eternamente convosco: __ O Espírito de Verdade que o mundo não pode receber, porque não o vê; vós, porém, o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará entre vós. Mas o Consolador, que é o Espírito Santo, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e fará vos lembrar de tudo o que vos tenho dito. (S. João, cap. XIV, v15 a 17 e 26. __ O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VI.). (1) (2)
            Jesus promete outro consolador: o Espírito de Verdade, que o mundo ainda não conhece, por não estar maduro para compreendê-lo, o consolador que o Pai enviará para ensinar todas as coisas e para relembrar o que o Cristo há dito. Se, portanto, o Espírito de Verdade tinha de vir mais tarde ensinar todas as coisas, é que o Cristo não dissera tudo; se ele vem relembrar o que o Cristo disse, é que o que este disse foi esquecido ou mal compreendido.
            O Espiritismo vem, na época predita, cumprir a promessa do Cristo: preside ao seu advento o Espírito de Verdade. Ele chama os homens à observância da lei: ensina todas as coisas fazendo compreender o que Jesus só disse por parábolas. Advertiu o Cristo: “Ouçam os que têm ouvidos para ouvir.” O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, porquanto fala sem figuras, nem alegorias; levanta o véu intencionalmente lançado sobre certos mistérios. Vem, finalmente, trazer a consolação suprema dos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, atribuído causa justa e fim útil a todas as dores.
            Disse o Cristo: “Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados.” Mas, como há de alguém sentir-se ditoso por sofrer, se não sabe por que sofre? O Espiritismo mostra a causa dos sofrimentos nas existências anteriores e na destinação da Terra, onde o homem expia o seu passado. Mostra o objetivo dos sofrimentos, apontando-os como crises salutares que produzem a cura e como meio de depuração que garante a felicidade nas vidas futuras. O homem compreende que mereceu sofrer e acha justo o sofrimento. Sabe que este lhe auxilia o adiantamento e o aceita sem murmurar, como o obreiro aceita o trabalho que lhe assegurará o salário. O Espiritismo lhe dá fé inabalável no futuro e na dúvida pungente não mais se lhe apossa da alma. Dando-lhe a ver do alto as coisas, a importância das vicissitudes terrenas some-se no vasto e esplêndido horizonte que ele o faz descortinar, e a perspectiva da felicidade que o espera lhe dá a paciência, a resignação e a coragem de ir até ao termo do caminho.
            Assim, o Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo com que o homem saiba de onde vêm, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança. (1)
            __ Entretanto, digo-vos a verdade: Convém que eu me vá, porquanto, se eu não me for, o Consolador não vos virá; eu, porém, me vou e vo-lo enviarei. __ E quando ele vier, convencerá o mundo no que respeita ao pecado, à justiça e ao juízo: __ no que respeita ao pecado, por não terem acreditado em mim; __ no que respeita à justiça, porque me vou para meu Pai e não mais me vereis; no que respeita ao juízo, porque está julgado o príncipe deste mundo.
            Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas presentemente não as podeis suportar.     Quando vier esse Espírito de Verdade, ele vos ensinará toda a verdade, porquanto não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tenha escutado e vos anunciará as coisas porvindouras.
            Ele me glorificará, porque receberá do que está em mim e vo-lo anunciará. (S. João, cap. XVI, v 7 a 14.) (2)            
            Esta predição, não há contestar, é uma das mais importantes, do ponto de vista religioso, porquanto comprova, sem a possibilidade do menor equívoco, que Jesus não disse tudo o que tinha a dizer, pela razão de que não o teriam compreendido nem mesmo seus apóstolos, visto que a eles é que o Mestre se dirigia. Se lhes houvesse dado instruções secretas, os Evangelhos fariam referência a tais instruções. Ora, desde que ele não disse tudo a seus apóstolos, os sucessores destes não terão podido saber mais do que eles, com relação ao que foi dito; ter-se-ão possivelmente enganado, quanto ao sentido das palavras do Senhor, ou dado a interpretação falsa aos seus pensamentos, muitas vezes velados sob a forma parabólica. As religiões que se fundaram no Evangelho não podem, pois dizer-se possuidoras de toda a verdade, porquanto ele, Jesus, reservou para si a completação ulterior de seus ensinamentos. O Princípio da imutabilidade, em que elas se firmam, constitui um desmentido às próprias palavras do Cristo.
            Sob o nome de Consolador e de Espírito da Verdade, Jesus anunciou a vinda daquele que havia de ensinar todas as coisas e de lembrar o que ele dissera. Logo, não estava completo o seu ensino. E, ao demais, prevê não só que ficaria esquecido, como também que seria desvirtuado o que por ele fora dito, visto que o Espírito de Verdade viria tudo lembrar e, de combinação com Elias, restabelecer todas as coisas, isto é, pô-las de acordo com o verdadeiro pensamento de seus ensinos.
            Quando terá de vir esse novo revelador?
            É evidente que se, na época em que Jesus falava os homens não se achavam em estado de compreender as coisas que lhe restavam a dizer, não seria em alguns anos apenas que poderiam adquirir as luzes necessárias a entendê-las. Para a inteligência de certas partes do Evangelho, excluídos os preceitos morais, faziam-se senhor conhecimentos que só o progresso das ciências facultaria e que tinham que ser obra do tempo e de muitas gerações. Se, portanto, o novo Messias tivesse vindo pouco tempo depois do Cristo, houvera encontrado o terreno ainda nas mesmas condições e não teria feito mais do que o mesmo Cristo. Ora, desde aquela época até os nossos dias, nenhuma grande revelação se produziu que haja completado o Evangelho elucidado suas partes obscuras, indício seguro de que o Enviado ainda não aparecera.
            Qual deverá ser esse Enviado? Dizendo: “Pedirei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador”, Jesus claramente indica que esse consolador não seria ele, pois, do contrário, dissera: “Voltarei a completar o que vos tenho ensinado” Não só tal não disse como acrescentou: A fim de que fique eternamente convosco e ele estará em vós. Esta proposição não poderia referir-se a uma individualidade encarnada, visto que não poderia ficar eternamente conosco, nem, ainda menos, estar em nós; compreendemo-la, porém, muito bem com referência a uma doutrina, a qual, com efeito, quando a tenhamos assimilado, poderá estar eternamente em nós. O Consolador é, pois, segundo o pensamento de Jesus, a personificação de uma doutrina soberanamente consoladora, cujo inspirador há de ser o Espírito de Verdade.
            O Espiritismo realiza como ficaram demonstradas (Cap. I, nº 30 da Gênese), todas as condições do Consolador que Jesus prometeu. Não é uma doutrina individual, nem de concepção humana; ninguém pode dizer-se seu criador. É fruto do ensino coletivo dos Espíritos, ensino a que preside o Espírito de Verdade. Nada suprime do Evangelho: antes a completa e elucida. Com o auxílio das novas leis que revela, conjugadas essas leis às que a Ciência já descobrira, faz se compreenda o que era ininteligível e se admita a possibilidade daquilo que a incredulidade considerava inadmissível. Teve precursores e profetas, que lhe pressentiram a vinda. Pela sua força moralizadora, ele prepara o reinado do bem na Terra.
            A doutrina de Moises, incompleta, ficou circunscrita ao povo judeu; a de Jesus, mais completa, se espalhou por toda a Terra, mediante o Cristianismo, mas não converteu a todos; o Espiritismo, ainda mais completo, com raízes em todas as crenças, converterá a Humanidade. 
                Todas as doutrinas filosóficas e religiosas trazem o nome do seu fundador. Diz-se: o Moisaísmo, o Cristianismo, o Maometismo, o Budismo, o Cartesianismo, o Furrierismo, o São-Simonismo, etc. A palavra Espiritismo, ao contrário, não lembra nenhuma personalidade; encerra uma idéia geral, que ao mesmo tempo indica o caráter e o tronco multíplice da doutrina.
            Dizendo a seus apóstolos: “Outro virá mais tarde, que vos ensinará o que agora não posso ensinar”, proclamava Jesus a necessidade da reencarnação. Como poderiam aqueles homens aproveitar do ensino mais completo que ulteriormente seria ministrado; como estariam aptos a compreendê-lo, se não tivessem de viver novamente? Jesus houvera proferido uma coisa inconseqüente se, de acordo com a doutrina vulgar, os homens futuros houvessem de serem homens novos, almas saídas do nada por ocasião do nascimento. Admita-se, ao contrário, que os apóstolos e os homens do tempo deles tenham vivido depois; que ainda hoje revivem, e plenamente justificada estará á promessa de Jesus. Tendo-se desenvolvido ao contato do progresso social, a inteligência deles pode presentemente comportar o que então não podia. Sem a reencarnação a promessa de Jesus fora ilusória.
            Se disserem que essa promessa se cumpriu no dia de Pentecostes, por meio da descida do Espírito Santo, poder-se-á responder que o Espírito Santo os inspirou, que lhes desanuviou a inteligência, que desenvolveu neles as aptidões mediúnicas destinadas a facilitar-lhes a missão, porém que nada lhes ensinou além daquilo que Jesus já ensinara, porquanto, no que deixou, nenhum vestígio se encontra de um ensinamento especial. O Espírito Santo, pois, não realizou o que Jesus anunciara relativamente ao Consolador; a não ser assim, os apóstolos teria elucidado o que, no Evangelho, permaneceu obscuro até ao dia de hoje e cuja interpretação contraditória deu origem às inúmeras seitas que dividiram o Cristianismo desde os primeiros séculos. (2)
(Cap. I. nº 30 - A Gênese __ O Espiritismo, partindo das próprias palavras do Cristo, como este partiu das de Moisés, é conseqüência direta da sua doutrina. Á idéia vaga da vida futura acrescenta a revelação da existência do mundo invisível que nos rodeia e povoa o espaço, e com isso precisa a crença, dá-lhe um corpo, uma consistência, uma realidade à idéia. Define os laços que unem a alma ao corpo e levanta o véu que ocultava aos homens os mistérios do nascimento e da morte. Pelo Espiritismo, o homem sabe donde vem, para onde vai, por que está na Terra, por que sofre temporariamente e vê por toda parte a justiça de Deus. Sabe que a alma progride incessantemente, através de uma série de existências sucessivas, até atingir o grau de perfeição que a aproxima de Deus. Sabe que todas as almas, tendo um mesmo ponto de origem, são criadas iguais, com idêntica aptidão para progredir, em virtude do seu livre-arbítrio; que todas são da mesma essência e que não há entre elas a diferença, senão quanto ao progresso realizado; que todas têm o mesmo destino e alcançarão a mesma meta, mais ou menos rapidamente, pelo trabalho e boa-vontade.
            Sabe que não há criatura deserdadas, nem mais favorecidas umas que as outras; que Deus a nenhuma criou privilegiada e dispensada do trabalho imposto às outras para progredirem; que não há seres perpetuamente votados ao mal e ao sofrimento; que os que se designam pelo nome de demônios são Espíritos ainda atrasados e imperfeitos, que praticam o mal no espaço, como o praticavam na Terra, mas que se adiantarão e aperfeiçoarão; que os anjos ou Espíritos puros não são seres à parte na criação, mas Espíritos que chegaram à meta, depois de terem percorrido a estrada do progresso; que, por essa forma, não há criações múltiplas, nem diferentes categorias entre os seres inteligentes, mas que toda a criação deriva de grande lei de unidade que rege o Universo e que todos os seres gravitam para um fim comum que é a perfeição, sem que uns sejam favorecidos à custa de outros, visto serem todos filhos das suas próprias obras.) (2)

                                   ADVENTO DO ESPÍRITO DE VERDADE
            Venho como outrora aos transviados filhos de Israel, trazer-vos a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me. O Espiritismo, como o fez antigamente a minha palavra, tem de lembrar aos incrédulos que acima deles reina a imutável verdade: o Deus grande, que faz germinarem as plantas e se levantem as ondas. Revelei a doutrina divinal. Como um ceifeiro, reuni em feixes o bem esparso no seio da Humanidade e disse: “Vinde a mim, todos vós que sofreis.”
            Mas, ingratos, os homens afastaram-se do caminho reto e largo que conduz ao reino de meu Pai e enveredaram pelas ásperas sendas da impiedade. Meu Pai não quer aniquilar a raça humana; quer que vos ajudando uns aos outros, mortos e vivos, isto é, mortos segundos a carne, porquanto não existe a morte, vos socorrais mutuamente, e que se faça ouvir não mais a voz dos profetas e dos apóstolos, mas a dos que já não vivem na Terra, a clamar: Orai e crede! Pois que a morte é a ressurreição, sendo a vida a prova buscada e durante a qual as virtudes que houverdes cultivado crescerão e se desenvolverão como o cedro.
            Homens fracos que compreendeis as trevas das vossas inteligências, não afastem o facho que a clemência divina vos coloca nas mãos para vos clarear o caminho e reconduzir-vos; filhos perdidos, ao regaço de vosso Pai.
            Sinto-me por demais tomado de compaixão pelas vossas misérias, pela vossa fraqueza imensa, para deixar de estender mão que socorre aos infelizes transviados que, vendo o céu, caem nos abismos do erro. Crede, amai, meditai sobre as coisas que vos são reveladas; não misturem o joio com a boa semente, as utopias com as verdades.
            Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. No Cristianismo encontram-se todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram. Eis que do além-túmulo, que julgáveis as nada, vozes clamam: “Irmãos! nada
 perece. Jesus Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade. “__ O Espírito de Verdade. (Paris, 1860.)
            Venho instruir e consolar os pobres deserdados. Venho dizer-lhes que elevem a sua resignação ao nível de suas provas, que chorem, porquanto a dor foi sagrada no Jardim das Oliveiras; mas que esperem, pois que também a eles os anjos consoladores lhes virão enxugar as lágrimas.
            Obreiros, traçai o vosso sulco; recomeçai no dia seguinte o afanoso labor da véspera; o trabalho das vossas mãos vos fornece aos corpos o pão terrestre; vossas almas, porém, não estão esquecidas; e Eu, o jardineiro divino, as cultivo no silêncio dos vossos pensamentos.
            Quando soar a hora do repouso e a trama da vida se vos escapar das mãos e vossos olhos se fecharem para a luz, sentireis que surgem em vós e germina a minha preciosa semente. Nada fica perdido no reino de nosso Pai e os vossos suores e misérias formam o tesouro que vos tornará ricos nas esferas superiores, onde a luz substitui as trevas e onde o mais desnudo dentre todos vós será talvez o mais resplandecente.__ O Espírito de Verdade. (Paris, 1861.)
            Em verdade vos digo: os que carregam seus fardos e assistem os seus irmãos são bem amados meus. Instruí-vos na preciosa doutrina que dissipa o erro das revoltas e vos mostra o sublime objetivo da provação humana. Assim como o vento varre a poeira, que também o sopro dos Espíritos dissipe os vossos despeitos contra os ricos do mundo, que são, não raro, muito miseráveis, porquanto se acham sujeitos a provas mais perigosas do que as vossas. Estou convosco e meu apóstolo vos instrui. Bebei na fonte viva do amor e prepare-vos, cativos da vida, a lançar-vos um dia, livres e alegres, no seio d Aquele que vos criou fracos para vos tornar perfectíveis e que quer modele vós mesmos a vossa maleável argila, a fim de serem os artífices da vossa imortalidade. __ O Espírito de Verdade. (Paris, 1861.)
            Sou o grande médico das almas e venho trazer-vos o remédio que vos há de curar. Os fracos, os sofredores e os enfermos são os meus filhos prediletos. Venho salvá-los. Vinde, pois, a mim, vós que sofreis e vos achais oprimidos, e sereis aliviados e consolados. Não busqueis alhures a força e a consolação, pois que o mundo é impotente para dá-las. Deus dirige um supremo apelo aos vossos corações, por meio do Espiritismo. Escutai-o. Extirpados sejam de vossas almas doloridas a impiedade, a mentira, o erro, a incredulidade. São monstros que sugam os vossos mais puros sangue e que vos abrem chagas quase sempre mortais. Que, no futuro, humildes e submissos ao Criador, pratiqueis a sua lei divina. Amai e orai; sedes dóceis aos Espíritos do Senhor; invocai-o do fundo de vossos corações. Ele, então, vos enviará o seu Filho bem-amado, para vos instruir e dizer estas boas palavras: Eis-me aqui; venho até vós, porque me chamastes. __ O Espírito de Verdade. (Bordéus, 1861.)
            Deus consola os humildes e dá força aos aflitos que lha pedem. Seu poder cobre a Terra e, por toda a parte, junto de cada lágrima colocou ele um bálsamo que consola. A abnegação e o devotamento profundo são uma prece contínua e encerram um ensinamento profundo. A sabedoria humana reside nessas duas palavras. Possa todos os Espíritos sofredores compreender essa verdade, em vez de clamarem contra as suas dores, contra os sofrimentos morais que neste mundo vos cabem em partilha. Tomai, pois, por divisa estas duas palavras: devotamento e abnegação, e sereis forte, porque elas resumem todos os deveres que a caridade e a humildade vos impõem. O sentimento do dever cumprido vos dará repouso ao Espírito e resignação. O coração bate então melhor, a alma se acerena e o corpo tanto menos forte se sente, quanto mais profundamente golpeado é o Espírito. __ O Espírito de Verdade. (Havre, 1863.) (1)
            No tempo determinado, o Espiritismo veio cumprir as promessas do Divino Mestre: o Espírito de Verdade se estabeleceu e, há mais de um século, vem chamando os homens à observância da lei, ensinando todas as coisas e fazendo compreender aquilo que Jesus disse somente por parábolas.
            O Espiritismo vem, portanto, abrir o entendimento e a compreensão; fala abertamente para todos; levanta o véu que tinha sido propositadamente deixado sobre certos mistérios e, por fim, vem trazer um supremo consolo aos que sofrem, mostrando um objetivo útil às dores dentro de uma causa justa.
            Disse o Cristo: “Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.” Mas, como se pode ser feliz sofrendo, se não souber por que sofre? O Espiritismo ensina que a causa está nas existências anteriores e no destino da Terra, onde o homem expia o seu passado; ensina, também, seu objetivo, indicando que os sofrimentos são crises salutares, que conduzem à cura; um meio de depuração, que assegura a felicidade nas existências futuras.
            O Espiritismo realiza a promessa de Jesus, pois, de acordo com as próprias palavras do Cristo, é conseqüência direta da sua Doutrina, que é restaurada e consolidada através do ensino dos Espíritos, ensino presidido pelo Espírito de Verdade. Nada suprime do Evangelho, antes, a completa e elucida.
            Com o auxílio das novas leis que revela, aliadas às que a ciência vem descobrindo, faz que se compreenda o que era ininteligível e que se admita a possibilidade daquilo que a incredulidade considerava inadmissível. Faz o homem compreender de onde vem, para a aonde vai e por que está na Terra, sofrendo em temporário esquecimento, tornando-o consciente da justiça e misericórdia de Deus por toda a parte. (3)
            Assim, completamos As Três Revelações; a primeira foi revelada por Moisés, que deixou-nos os Dez Mandamentos e, a Lei Mosaica, que muito o auxiliou na organização e na evolução do povo hebreu, quando da sua estada no deserto. A segunda revelação é o Advento de Jesus Cristo. Trazendo-nos os seus ensinamentos através de parábolas e do seu exemplo, transformando o Decálogo em uma única lei, que é; Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo. A terceira revelação é o Consolador Prometido por Jesus Cristo, o Espírito de Verdade, o Paráclito, é o Espiritismo, cumprindo-se assim as promessas contidas nos Evangelhos. (4)

                                   O ESPIRITISMO É O CONSOLADOR
            O fato de ter o Mestre, dirigindo-se aos apóstolos, dito que “eles conheciam o Espírito de Verdade, mas o mundo não o conhecia” não é nado estranho, uma vez que os Espíritos dos apóstolos haviam descido das elevadas regiões espirituais, escolhidos que foram para assessorar o Mestre no desempenho do seu fulgurante Messiado na Terra, e nesses Planos mais elevados eles puderam ter conhecimento da verdade em outras dimensões.
            As teologias terrenas asseveram que a promessa de Jesus se cumpriu no Dia de Pentecostes, cerca de quarenta dias após a sua crucificação.
            Mas, se o Cristo disse que muita coisa teria que dizer, mencionando que aqueles que o ouviam não estavam preparados para receber os seus ensinamentos em toda a sua plenitude, porventura poderia o povo estar mais bem preparados, apenas decorridos pouco menos de dois meses?
            É lógico, racional, que isso não poderia ter acontecido, pois, nesse dia, não ocorreu nenhum avanço nas verdades até então reveladas. O que simplesmente sucedeu foi que os apóstolos, mediunizados, passaram a falar vários idiomas estrangeiros, abordando aquilo que haviam aprendido na linguagem corrente, naquela nação, mas não está mencionado no livro dos “Atos dos Apóstolos” o que eles ensinaram, e, obviamente, não poderiam ter dito coisas novas a estrangeiros que nada sabiam sobre a Doutrina cristã.
            A promessa viva de Jesus haveria de cumprir-se perto de vinte séculos depois, quando a Humanidade já estaria mais evoluída moral e espiritualmente, e, portanto, mais preparada para assimilar verdades novas.
            No dia 18 de abril de 1857, Allan Kardec presenteou o mundo com “O Livro dos Espíritos”, obra monumental que encerra verdades novas e equaciona milenares problemas humanos, que Jesus não achou de bom alvitre revelar durante o seu curto Messiado na Terra, devido ao despreparo do povo de sua época.
            Quando em 1864, Allan Kardec publicou “O Evangelho Segundo o Espiritismo, colocou, como prefácio do livro, a seguinte comunicação do Espírito de Verdade, recebida mediunicamente, e que identifica o Espiritismo como a promessa de Jesus sobre o advento do Espírito de Verdade, do Consolador:
            “Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos Céus, como um imenso exército que se movimenta, ao receber as ordens de comando, espalha-se por toda a superfície da Terra. Semelhantes a estrelas cadentes, vêm iluminar os caminhos e abrir os olhos aos cegos.
            Eu vos digo, em verdade, que são chegados os tempos em que todas as coisas hão de ser restabelecido no seu verdadeiro sentido, para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos.
            As grandes vozes do Céu ressoam como sons de trombetas, e os cânticos dos anjos lhes associam. Nós vos convidamos, a vós homens, para o divino concerto. Tomai da lira, fazei uníssonas as vossas vozes e que, num hino sagrado, elas se estendam e repercutam de um extremo a outro do Universo.
            Homens, irmãos a quem amamos, aqui estamos junto de vós.  Amai-vos também uns aos outros e dizei do fundo do vosso coração, fazendo as vontades do Pai que está no Céu: Senhor! Senhor! ... E “podereis entrar no Reino dos Céus.” (5)

                                   ORIGEM DA DOUTRINA ESPÍRITA
            O Espiritismo é uma doutrina nascida dos princípios do Cristianismo, implantado na Terra por Jesus Cristo há quase dois mil anos. Trata-se do cumprimento de uma promessa do Senhor, de que enviaria ao mundo um “Espírito de Verdade”, um “Consolador“, aos que o seguissem.
            Em sua vida pública, o Mestre proferiu vários discursos encontrados nos Evangelhos. A promessa do Consolador aparece no capítulo XIV do Evangelho de São João, nos versículos 15 a 26.
            Embora homens valiosos tivessem lutado contra a situação decadente da Igreja, instituindo a Reforma, a Doutrina Católica predominava. Ela, porém, se encontrava desgastada pelo lugar-comum e havia um clima nesse período, muito propício à fermentação de novas idéias. Os sofredores continuavam a não encontrar no catolicismo o conforto e a orientação para seus males. O pensamento filosófico havia se desenvolvido o suficiente para que fermentasse um ideal novo. A Espiritualidade enviou ao mundo o Espírito Consolador. Com ele vieram renovados ensinamentos acerca do sentido da vida, da dor, da justiça e do destino dos homens. Nasceu o Espiritismo. Nele, estava à lembrança de tudo quanto Jesus havia dito e as novidades que tinha prometido. (6)
            Leia, a Histórias do Espiritismo. (Nesta apostila.)

AS MESAS GIRANTES
            Na França de 1850 surgiu uma brincadeira que tomou conta dos salões de festas da época. Apelidada de “mesas girantes”, tratava-se de uma pequena mesa redonda de três pés, em torno da qual se achegavam pessoas para provocarem manifestações. As mãos dos presentes eram colocadas sobre ela e um fenômeno conhecido hoje como efeitos físicos, fazia com que a mesa saltasse sobre os seus pés, girando e dando pancadas.
            Através de código semelhante ao usado em Hydesville, as pessoas conversavam com a “força invisível”, divertindo-se em perguntar-lhe amenidades. Houve uma febre em torno deste fenômeno. Uma senhora de nome Girardim acabou desenvolvendo sofisticada mesa, que portava em seu tampo um ponteiro metálico. Conforme girava, selecionava as letras escolhidas pelos “espíritos” para fazerem seus ditados. Com isso, foi possível conseguir mensagens completas vindas do lado de lá. (6)

TIPTOLOGIA
            Os fenômenos de pancadas em mesas ou em outros objetos acabaram classificados, mais tarde, pelo nome de Tiptologia. (6)

            Leia biografia de Allan Kardec. (Nesta apostila.)

                                   ORIGEM E NATUREZA DOS ESPÍRITOS

            Os Espíritos constituem os seres inteligentes da criação e povoam o Universo, fora do mundo material. Sendo Deus eterno, por Sua vontade tem criado Espíritos desde toda a eternidade. Os homens foram criados por Ele, porém, ignorando o modus operandi da sua criação, o que para o homem é e continuará a ser um mistério.
            Os Espíritos são obra de Deus, assim como um quadro é obra do pintor que o executou. Quando um homem constrói uma coisa útil e bela, ele a chama de sua filha. Deste modo, os homens também são filhos de Deus, pois é a sua criação.
            Da mesma forma que como o corpo é a individualização do princípio material, o Espírito é a individualização do princípio inteligente.
            Os Espíritos são criados simples e ignorantes, porquanto, sendo Deus um Pai equitativo e justo, jamais poderia criar seus filhos em desigualdade de condições, uns diferentes dos outros. É mera utopia a crença de que Deus tenha criado já perfeito, os anjos; os homens para evoluírem, e os demônios devotados eternamente à prática do mal.
            Deste modo, todos os filhos de Deus são criados em pé de igualdade absoluta e colocados na senda do progresso. Se uns demoram mais que os outros para alcançar a evolução, ou melhor, para apressar o seu ciclo evolutivo, a culpa lhes cabe inteiramente.
            Faltam termos de comparação para definir a natureza dos Espíritos. Não se pode dizer que são imateriais. O mais certo será dizer que são incorpóreos. São feitos de uma matéria de quintessência, porém sem qualquer analogia para o homem, pois, sendo extremamente etérea, escapa aos seus sentidos. São imateriais, porque pela sua essência diferem fundamentalmente de tudo aquilo que se conhece, sob o nome de matéria.
            Os homens são verdadeiros cegos em relação à compreensão da essência dos seres espirituais. Somente por um grande esforço de imaginação, o homem pode defini-los. Uma vez criado, o Espírito tem diante de si a eternidade; isto é o bastante para nos aquilatarmos do valor que temos aos olhos de Deus, nosso Pai. Este fato contraria os materialistas de que o corpo e alma desaparecem com a morte, findam-se para todo o sempre. Para estes é difícil conceber como uma coisa que teve começo não tenha fim.
            Allan Kardec em “O Livro dos Espíritos” esclarece com base no ensino dos Benfeitores Espirituais, que o Espírito não tem forma para os homens, mas tem para os demais Espíritos. Chega mesmo a afirmar que o Espírito é uma chama, um clarão ou uma centelha etérea, cuja cor vai do escuro ao brilho do rubi, conforme seja mais ou menos puro. No passado remoto, os gênios eram apresentados com uma chama ou uma estrela na fronte. Trata-se de uma alegoria que lembra a natureza essencial dos Espíritos. Colocam na cabeça, porque aí esta a sede da inteligência.
            Cada Espírito é uma unidade indivisível, mas cada um pode lançar seus pensamentos para diversos lados, sem que se fracione para esse efeito. Neste sentido, é que se deve entender o dom de ubiqüidade atribuído aos Espíritos. Tome-se, como exemplo, o sol, que é apenas um, mas, no entanto, irradia em todos os sentidos e leva muito longe os seus raios. (4)

            Leia Biografia de Allan Kardec. (Nesta apostila.)

00.00.00.                    3º. AULA. CONTINUAÇÃO - CONSOLADOR PROMETIDO.

                                   A CODIFICAÇÃO DO ESPIRITISMO
            O desenvolvimento da codificação kardequiana basicamente começou em 1855 na residência da família Baudin. Nesta casa havia duas médiuns, Julie e Caroline Baudin de 14 e 16 anos de idade respectivamente. Através da “cesta-pião”, um mecanismo oriundo das mesas girantes, Allan Kardec fazia perguntas aos Espíritos, que respondiam através da escrita. Todo o trabalho era revisado várias vezes. Outra médium o ajudou muito. Chamava-se Japhet. As questões mais graves relativas à Revelação eram revistas com o auxílio de até dez médiuns.
            A cesta-pião era uma cestinha que trazia um lápis em seu centro. Sobre ela, os médiuns impunham as mãos para que se movimentasse. Com o tempo, foi substituida pela mão do sensitivo, dando origem à conhecida psicografia. Das consultas feitas aos médiuns, nasceu “O Livro dos Espíritos, lançado em 18 de abril de 1857”. Na sua vida espírita, Allan Kardec dedicou-se intensivamente ao trabalho de expansão e divulgação da Boa Nova. Viajou por 693 cidades, de diversos países, proferindo aproximadamente 50 palestras. Em meio a estes compromissos, fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, entidade destinada a estudar, entender e explicar a fenomenologia espírita.
            Em janeiro de 1858, o mestre lionês abraçou uma nova atividade dentro do Espiritismo. Inaugurou a “Revista Espírita”, um mensário cujo objetivo era o de informar e debater questões ligadas à Doutrina. Assim, teve início à imprensa doutrinária, que buscava separar o real do fantasioso, a verdade da falsidade dentro do movimento espírita.
Obras da Codificação:
            Allan Kardec, buscando orientar os adeptos da Doutrina, lançou cinco obras básicas,
conhecidas como o “Pentateuco Kardequiano”. Nele, reuniu os ensinamentos da Espiritualidade superior, analisando-os e codificando-os, de forma a ficarem claros e interessantes.       

Livro dos Espíritos (1857).
            Trata-se de uma obra de caráter filosófico que procura explicar de forma racional os porquês da vida. Divide-se em quatro tópicos: “As causas primárias”, “Mundo espírita ou dos Espíritos”, “As leis morais”, e “Esperanças e consolações”. É colocado como a espinha dorsal do Espiritismo, já que todas as outras obras partem de seus princípios.

Livro dos Médiuns (1861).
            Busca orientar a conduta prática daqueles que têm a função de intermediar o mundo espiritual com o material. Mostra aos médiuns os inconvenientes da mediunidade, os perigos provindos de uma faculdade descontrolada e como proceder para se obter contatos proveitosos junto à Espiritualidade. Demonstra ainda, as conseqüências morais e filosóficas decorrentes das relações entre o invisível e o visível.

O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864).
            É a parte religiosa da Doutrina. Ensinam a moral cristã através de comentários sobre as principais passagens da vida de Jesus Cristo, feitos por Kardec e pelos Espíritos. Demonstra que as parábolas do Evangelho, que aos olhos humanos parecem fantasia, na verdade exprimem o mais profundo código de conduta de que se têm notícia.

O Céu e o Inferno (1865).
            Neste livro, através da evocação dos Espíritos, Allan Kardec apresenta a verdadeira face do desejado “céu“, do temido “inferno“, como também do chamado “purgatório”. Põe fim às penas eternas, demonstrando que tudo no Universo evolui, e que a mesquinharia do sofrimento infinito, nada mais é do que ilusão. Comunicações dos Espíritos desencarnados, de cultura e hábitos diversos, são analisadas e comentadas pelo Codificador, mostrando a situação de felicidade ou sofrimento ao chegarem ao mundo espiritual.

A Gênese (1868).
            Esta obra mostra como foi criado o mundo, como apareceram às criaturas, e como é o Universo. É a parte científica da Doutrina. Explica a Criação, colocando Ciência e Religião face a face.
            O Gênesis bíblico é estudado e vista como verdadeira. Os sete dias narrados nas Escrituras como se fossem o tempo que o Criador teria gasto com a formação do Universo, nada mais são do que eras geológicas, que seguem a ordem evolutiva comprovada pela Ciência em suas pesquisas. Os chamados “milagres” praticados por Jesus são demonstrados
como modificações de elementos da natureza por uma vontade poderosa e não como fatos inexplicáveis.

                                   O TRÍPLECE ASPECTO DA DOUTRINA
            Desde as primeiras manifestações em torno da Codificação da Doutrina, os Espíritos deixaram claro que o Espiritismo tinha em si três faces: Religião, Ciência e Filosofia.
            São do Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Candido Xavier, a afirmativa que esclarece perfeitamente o significado tríplice do Consolador.
            “Em Espiritismo a Ciência indaga, a Filosofia conclui e O Evangelho ilumina”.

Princípios básicos da Doutrina
            São considerados princípios básicos da Doutrina, a existência do Espírito e sua sobrevivência após a morte, a reencarnação, a lei de causa e efeito, a comunicação entre os dois mundos e a elevação moral e intelectual progressivas. O Espiritismo é marcado pela realização do culto interior. Nele, o homem procura conhecer-se e trabalhar pelo seu progresso moral e intelectual. Nada há de exterior nas práticas espíritas. Tudo só depende do pensamento, para qual o fundo é tudo e a forma nada. (6)

                                   RESUMO DA DOUTRINA DOS ESPÍRITOS

            Os seres que se manifestam designam-se a si mesmos, como dissemos pelo nome de Espíritos ou Gênios, e dizem alguns pelo menos, que viveram como homens na Terra. Constituem o mundo espiritual, como nós constituímos, durante a nossa vida, o mundo corporal. Resumimos em poucas palavras os pontos principais da doutrina que nos transmitiram, a fim de mais facilmente responder a certas objeções:
            “Deus é eterno, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom.
            Criou o Universo, que compreende todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais.
            Os seres materiais constituem o mundo visível ou corporal e os seres imateriais o mundo invisível ou espírita, ou seja, dos Espíritos.  
            O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo.
            O mundo corporal é secundário; pode deixar de existir ou nunca ter existido, sem alterar a essência do mundo espírita.
            Os Espíritos revestem temporariamente um invólucro material perecível e sua destruição pela morte os devolve à liberdade.
            Entre as diferentes espécies de seres corporais Deus escolheu a espécie humana para a encarnação dos Espíritos que chegaram a certo grau de desenvolvimento, o que lhes dá superioridade moral e intelectual perante as demais.
            A alma é um Espírito encarnado e o corpo é apenas o seu invólucro.
            Há no homem três coisas: 1º) O corpo ou ser material, semelhante ao dos animais e animado pelo mesmo principio vital; 2º) A alma ou ser imaterial, espírito encarnado no corpo; 3º) o liame que une a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o Espírito.
            O homem tem assim duas naturezas: pelo corpo participa da natureza dos animais, dos quais possui os instintos; pela alma participa da natureza dos Espíritos.
            O liame ou periespírito que une o corpo ao Espírito é uma espécie de invólucro semimaterial. A morte é a destruição do invólucro mais grosseiro. O espírito conserva o segundo, que constitui para ele um corpo etéreo, invisível para nós no seu estado normal, mas que ele pode tornar acidentalmente visível e mesmo tangível, como se verifica nos fenômenos de aparição.
            O Espírito não é, portanto um ser abstrato, indefinido, que só o pensamento pode conceber. É um ser real, definido, que em certos casos pode ser apreciado, pelos nossos sentidos da vista, da audição e do tato.
            Os Espíritos pertencem a diferentes classes, não sendo iguais em poder e inteligência, saber ou moralidade.
            Os da primeira ordem são os Espíritos Superiores que se distinguem pela perfeição, pelos conhecimentos e pela proximidade de Deus a, pureza dos sentimentos e o amor do bem: são os anjos ou Espíritos puros. As demais classes se distanciam mais e mais dessa perfeição. Os das classes inferiores são inclinados às nossas paixões: o ódio, a inveja, o ciúme, o orgulho etc., e se comprazem no mal. Nesse número há os que não são nem muito bons, nem muito maus; antes perturbadores e intrigantes do que maus; a malícia e a inconseqüência parecem ser as suas características: são os Espíritos estouvados ou levianos.
            Os Espíritos não pertencem eternamente à mesma ordem. Todos melhoram, passando pelos diferentes graus da hierarquia espírita. Esse melhoramento se verifica pela encarnação, que a uns é imposta como uma expiação e a outros como missão. A vida material é uma prova a que devem submeter-se repetidas vezes até atingirem a perfeição absoluta; é uma espécie de peneira ou depurador de que eles saem mais ou menos purificados.
            Deixando o corpo, a alma volta ao mundo dos Espíritos, de que havia saído para reiniciar uma nova existência material após um lapso de tempo mais ou menos longo durante o qual permanecera no estado de Espírito errante.
            Devendo o Espírito passar por muitas encarnações, inclui-se que todos nós tivemos muitas existência e que teremos ainda outras mais ou menos aperfeiçoadas, seja na Terra ou em outros mundos.
            A encarnação dos Espíritos ocorre sempre na espécie humana. Seria um erro acreditar que a alma ou espírito pudesse encarnar num corpo de animal.
            As diferentes existências corporais do Espírito são sempre progressivas e jamais retrógadas, mas a rapidez do progresso depende dos esforços que fazemos para chegar à perfeição.
            As qualidades da alma são as do Espírito encarnado. Assim, o homem de bem é a encarnação de um bom Espírito e o homem perverso a de um Espírito impuro.
            A alma tinha a sua individualidade antes da encarnação e a conserva após a separação do corpo.
            No seu regresso ao mundo dos Espíritos a alma reencontra todos os que conheceram na Terra e todas as suas existências anteriores se delineiam na sua memória, com a recordação de todo bem e todo o mal que tenha feito.  
            O Espírito encarnado está sob a influência da matéria. O homem que supera essa influência, pela elevação e purificação de sua alma, aproxima-se dos bons Espíritos com os quais estará um dia. Aquele que se deixa dominar pelas más paixões e põe todas as suas alegrias na satisfação dos apetites grosseiros aproxima-se dos Espíritos impuros, dando preferência à natureza animal. Os Espíritos encarnados habitam os diferentes globos do Universo. Os espíritos não-encarnados ou errantes não ocupam nenhuma região determinada ou circunscrita; estão por toda parte, no espaço e ao nosso lado, vendo-nos e acotovelando-nos sem cessar. É toda uma população invisível que se agita em nosso redor.
            Os Espíritos exercem sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico uma ação incessante. Agem sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das forças da Natureza, causa eficiente de uma multidão de fenômenos até agora inexplicados ou mal explicados, que não encontram solução racional.
            As relações dos Espíritos com os homens são constantes. Os bons Espíritos nos convidam ao bem, nos sustentam nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação; os maus nos convidam ao mal: é para eles um prazer ver-nos sucumbir e cair no seu estado.
            As comunicações ocultas verificam-se pela influência boa ou má que eles exercem sobre nós sem o sabermos, cabendo ao nosso julgamento discernir as más e boas inspirações. As comunicações ostensivas realizam-se por meio da escrita, da palavra ou de outras manifestações materiais, na maioria das vezes através dos médiuns que lhes servem de instrumentos.
            Os Espíritos se manifestam espontaneamente ou pela evocação. Podemos evocar todos os Espíritos: os que animaram homens obscuros e dos personagens mais ilustres, qualquer que seja a época em que tenham vivido; os de nossos parentes, de nossos amigos ou inimigos e deles obterem, por comunicações escritas ou verbais, conselhos, informações sobre a situação em que se acham no espaço, seus pensamentos a nosso respeito, assim como as revelações que tenham a permissão de fazer-nos.
            Os Espíritos são atraídos na razão de sua simpatia pela natureza moral do meio que os evoca. Os Espíritos superiores gostam das reuniões sérias em que predominam o amor do bem e o desejo sincero de instrução e de melhoria. Sua presença afasta os Espíritos inferiores, que encontram, ao contrário, livre acesso e podem agir com intensa liberdade entre as pessoas frívolas ou guiadas apenas pela curiosidade, e por toda parte onde encontrem maus instintos. Longe de obtermos bons conselhos e informações úteis desses Espíritos, nada mais devemos esperar do que futilidades, mentiras, brincadeiras de mau gosto ou mistificações, pois freqüentemente se servem de nomes veneráveis para melhor nos induzirem ao erro.
            Distinguir os bons e maus espíritos é extremamente fácil. A linguagem dos Espíritos superiores é constantemente digna, nobre, cheia da mais alta moralidade, livre de qualquer paixão inferior, seus conselhos revelam a mais pura sabedoria e têm sempre por alvo o nosso progresso e o bem da humanidade. A dos Espíritos inferiores é inconseqüente, quase sempre banal e mesmo grosseira; se dizem às vezes coisas boas e verdadeiras, dizem com mais freqüência falsidades e absurdos, por malícia ou ignorância; zombam da credulidade e divertem-se à custa dos que os interrogam, linsojeando-lhes a vaidade e embalando-lhes os desejos com falsas esperanças. Em resumo, as comunicações sérias, na perfeita acepção do termo, não se verificam senão nos centros sérios, cujos membros estão unidos por uma íntima comunhão de pensamentos dirigidos para o bem.
            A moral dos Espíritos superiores se resume como a do Cristo, nessa máxima evangélica: “Fazer aos outros os que desejamos que os outros nos fizessem”, ou seja, fazer o bem e não o mal. O homem encontra nesse princípio a regra universal de conduta, mesmo para as menores ações.
            Eles nos ensinam que o egoísmo, o orgulho, a sensualidade são paixões que nos aproximam da natureza animal, prendendo-nos à matéria; que o homem que deste mundo, se liberta da matéria pelo desprezo das futilidades mundanas e o cultivo do amor ao próximo, aproxima-se da natureza espiritual; que cada um de nós deve tornar-se útil segundo as faculdades e os meios que Deus nos colocou nas mãos para nos provar, que o Forte e o Poderoso devem apoio e proteção ao Fraco porque aquele que abusa da sua força e do seu poder para oprimir o seu semelhante, viola a lei de Deus. Eles ensinam, enfim, que no mundo dos Espíritos nada pode estar escondido: o hipócrita será desmascarado e todas as suas torpezas reveladas; a presença inevitável e incessante daqueles que prejudicamos é um dos castigos que nos são reservados; ao estado de inferioridade e de superioridade dos Espíritos correspondem penas e alegrias que nos são desconhecidas na Terra.
            Mas eles nos ensinam também que não há faltas irremissíveis que não possam ser apagadas pela expiação. O homem encontra o meio necessário nas diferentes existências que lhe permitem avançar, na via do progresso, em direção à perfeição que é o seu objetivo final.
            Este é o resumo da Doutrina Espírita, como ela aparece no ensinamento dos Espíritos superiores. (7)

Resumo dos Princípios Essenciais da Filosofia dos Espíritos:

I.  __ Uma inteligência divina rege os mundos. Nela identifica-se a Lei, lei imanente, eterna, reguladora, à quais seres e coisas estão submetidos.

II. __ Assim como o homem, sob seu invólucro material, continuamente renovado, conserva sua identidade espiritual, esse eu indestrutível, essa consciência em que se reconhece e se possui, assim também o Universo, sob suas aparências mutáveis, se possui e se reflete numa unidade central que é o seu Eu. O eu do universo é Deus, lei viva, unidade suprema onde confinam e se harmonizam todas as relações, foco imenso de luz e de perfeição donde irradiam e se expande, por todas as Humanidades, Justiça, Sabedoria, Amor!

III. __ No Universo, tudo envolve e tende para um estado superior. Tudo se transforma e se aperfeiçoa. Do seio dos abismos a vida se eleva a princípio confusa, indecisa, animando formas inumeráveis cada vez mais perfeitas, depois se desabrocha no ser humano, adquire então consciência, razão, vontade, e constitui a alma ou Espírito.

IV. __ A alma é imortal. Coroamento e síntese das potências inferiores da Natureza, ela contém em germe todas as faculdades superiores, está destinada a desenvolvê-las pelos seus trabalhos e esforços, encarnando em mundos materiais, e tende a elevar-se, através de vidas sucessivas, de degrau em degrau, para a perfeição.
            A alma tem dois invólucros: um, temporário, o corpo terrestre, instrumento de luta e de prova que se desagrega no momento da morte; o outro permanente, corpo fluídico que lhe é inseparável e que progride e se depura com ela.

V. __ A vida terrestre é uma escola, um meio de educação e aperfeiçoamento pelo trabalho, pelo estudo e pelo sofrimento. Não há felicidade, nem mal eternos. A recompensa ou o castigo consistem na extensão ou no encurtamento das nossas faculdades, do nosso campo de percepção, resultante do bem ou mau uso que havermos feito do nosso livre arbítrio, e das aspirações ou tenências que tivermos em nós desenvolvidos. Livre e responsável, a alma traz em si a lei dos seus destinos; preparam no presente as alegrias ou as dores do futuro. A vida atual é a conseqüência, a herança das nossas vidas precedentes e a condição das que se lhe devem seguir.
            O Espírito esclarece, se engrandece em potências intelectuais e morais, à medida do trajeto efetuado e da impulsão dada a seus atos para o bem e para a verdade.

VI. __ Uma estreita solidariedade une todos os Espíritos, idênticos na sua origem e nos seus fins, diferentes somente por sua situação transitória, uns no estado livre, no espaço, outros, revestidos dum invólucro perecível, mas passando alternadamente de um estado a outro, não sendo a morte mais que uma fase de repouso entre duas existências terrestres. Gerados por Deus, seu pai comum, todos os espíritos são irmãos e formam uma imensa família. Uma comunhão perpétua e de constantes relações liga os mortos aos vivos.

VII. __ Os Espíritos se classificam no espaço em virtude da densidade do seu corpo fluídico correlativa ao seu grau de adiantamento e de depuração. Sua situação é determinada pelas leis exatas; essas leis exercem no domínio moral uma ação análoga à que as leis de atração e de gravidade executam na ordem material. Os Espíritos culpados e maus são envolvidos em espessa atmosfera fluídica, que os arrasta para mundos inferiores, onde devem encarnar para se despojarem das suas imperfeições. A alma virtuosa, revestida dum corpo sutil, etéreo, participa das sensações da vida espiritual e eleva-se para mundos felizes onde a matéria tem menos império, onde reinam a harmonia e a bem-aventurança. A alma, na sua vida superior e perfeita, colabora com Deus, coopera na formação dos mundos, dirige suas evoluções, vela pelo progresso das humanidades, pela execução das leis eternas.

VIII. __ O bem é a lei suprema do Universo e o alvo da elevação dos seres. O mal não tem vida própria; é apenas um efeito de contraste. O mal é o estado de inferioridade, a situação transitória por onde passam todos os seres na sua missão para um estado melhor.

IX. __ Como a educação da alma é o objetivo da vida, importa resumir os seus preceitos em palavras:
            Comprimir necessidades grosseiras, os apetites materiais; aumentar tudo quanto for intelectual e elevado; lutar, combater, sofrer pelo bem dos homens e dos mundos; iniciar seus semelhantes nos esplendores do Verdadeiro e do Belo; amar a verdade, a benevolência, tal é o segredo da felicidade no futuro, tal é o Dever! (*) (8)
* Transcrito da Obra de Leon Denis, “Depois da Morte”.      

                        Síntese dos Princípios Doutrinários do Espiritismo

            O Universo inteiro, no mínimo e no máximo, esta sujeita a uma evolução constante e progressiva.
            Há evolução para o Princípio material; há evolução para o princípio psíquico.
            A base da evolução, a Alma é um simples elemento de vida, uma inteligência em germe. É a força difusa que associa e mantém as moléculas minerais numa forma definida.
            No cimo da evolução, a Alma é um princípio vivo, consciente e livre, guardando apenas, da sua associação à matéria, o mínimo orgânico necessário à conservação da sua individualidade. 
            No curso da sua evolução progressiva, a Alma passa por organismos cada vez mais aperfeiçoados, numa série imensa de encarnações e desencarnações.
            A memória de estados precedentes fica mais ou menos latente, durante cada encarnação, para reaparecer após a morte, tanto mais extenso quanto mais evoluído for o indivíduo.
            A Alma conserva intacta a sua individualidade, mercê da sua união indissolúvel com o organismo fluídico, chamado CORPO ASTRAL ou PERISPÍRITO, que evolui com ela.
            O PERÍSPIRITO é o Princípio intermediário entre a matéria e o Espírito, cuja finalidade é tríplice:
            Manter indestrutível e intacta a individualidade;
            Servir de substrato ao corpo físico, durante a encarnação;
            Constituir o laço de união entre o Espírito e o corpo físico, para a transmissão recíproca das sensações de um e das ordens do outro.
            Na morte natural, o Espírito abandona o corpo por este lhe ser inútil à sua evolução.
            No nascimento, o Espírito toma posse de um organismo novo para dar continuidade ao se progresso.
            Durante as fazes da vida espiritual, o Espírito pode manifestar-se, em certas condições, cujo estudo é objeto do Espiritismo experimental.
                                                                                  Dr. Gustavo Geley
                                               Médico e antigo Diretor do Instituto Metapsíquico de Paris.

EXERCÍCIOS:
1º. Quem anunciou a vinda do Consolador prometido?
2º. Como foi feita anunciação da vinda do Consolador prometido?
3º. Quem é o Consolador prometido por Jesus?
4º. Descreva o que entendeste como Consolador prometido?
5º. Em sua opinião o que é o Advento do Espírito de Verdade?
6º. Cite os trechos do Evangelho, em que Jesus, fala do Consolador Prometido.
7º. Descreva o que é o Dia de Pentecostes. Aconteceu alguma coisa no plano espiritual neste dia?
8º. Quando foi publicado o Livro dos Espíritos?
9º. Do que trata o Evangelho Segundo O Espiritismo?
10º. Descreva o nome das obras da codificação?
11º. Como você entende o Tríplice aspecto da Doutrina Espírita?
12º. De a sua opinião sobre o seu entendimento da origem e natureza dos Espíritos?  
13º. Defina o que entendes por Espiritismo.

BIBLIOGRAFIA:
1º. AUTOR:    Allan Kardec - Tradução Guillon Ribeiro - Livro- O Evangelho Segundo O
                        Espiritismo - Pág.134 a 138. - Cap. VI. Nº s: 3, 4, 5, 6, 7, 8. - 86º Edição -1982 -
                        Federação Espírita Brasileira- Rio de Janeiro RJ.
2º. AUTOR: Allan Kardec - Tradução Guillon Ribeiro - Livro A Gênese - Pág.385 a 389 -
                        Cap. XVII - nº s- 35, 36, 37, 38, 39, 40, 41, 42 - Cap. I - nº 30. - 21º Edição - 1979 -
                        Federação Espírita Brasileira - Rio de Janeiro - RJ.
3º. AUTORES: Diversos - Livro - Curso Preparatório de Espiritismo - Cap. 20 - Pág. 107 e
                          108, Cap. 3 - Pág. 22 a 24 - 10 º Edição -Janeiro 1998 - Livraria e Editora
                          Humberto de Campos - FEESP - São Paulo. SP.
4º. AUTORES: Diversos- Livro - Curso Básico de Espiritismo 1º ano- Cap. 1 - Pág. 19 a
                          25 - Cap.6 - pág. 68 a 70 - Cap. 4 - Pág. 47, 48 - 4º Edição 1992 - Livraria e                   Editora Humberto de Campos - FEESP - São Paulo - SP.
5º. AUTORES: Diversos - Livro - Curso Básico de Espiritismo 2º ano- Cap.17- Pág. 127 à
                           129 - 2º Edição – 1992. - Livraria e Editora Humberto de Campos - FEESP-
                           São Paulo-SP.
6º. AUTORES: Diversos – Livro Espiritismo Para Iniciantes - Cap. 3 - pág. 29 a 36 - 3º                    Edição 1993 - FACE - Grupo Espírita Bezerra de Menezes - São José do            Rio Preto-SP.
7º. AUTOR:      Allan Kardec - Tradução José Herculano Pires - Livro dos Espíritos -                                  Introdução nº VI- Pág. XXII a XXVII – LAKE - Livraria Editora Allan Kardec 54º Edição – 1994 - São Paulo. SP.
8º. AUTOR:      Léon Denis - Livro- Fragmentos de Obras - SER, DESTINO, DOR – Pág. 169 a 172 - 4º Edição – 1977 – EDICEL - Editora Cultural Espírita Ltda. - São Paulo. SP.
9º. AUTOR:      Antonio J Freire - Livro - Ciência e Espiritismo - Pág. 25 - 2º Edição -
                          F. E. B. - Rio de Janeiro. RJ.

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