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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

- A ARTE DE VIVER COM... - PERSITÊNCIA. No. 40.

   A ARTE DE VIVER COM... - PERSISTÊNCIA.

              Fiquei pensando por muito tempo no que o Monge me falou: - “Se não for verdadeiro o seu perdão e os seus desejos para com a pessoa em questão, ela, a pedra ficará em suas mãos”.
             Qual seria o significado dessa mensagem? Se eu não quiser praticar o perdão? Se não quiser orar por essas pessoas? Se não quiser mais carregar essa sacola com as pedras que criei? O que acontecerá para mim?
             Nesse momento me senti sentado na pilha de troncos cortados debaixo dos ciprestes. Sentia o perfume dos mesmos. Em silêncio ouvia o canto dos rouxinóis, o trilar dos grilos, olhava ao meu redor, animais pastando, borboletas revoando sobre as flores.
             Porque eu estaria ali naquela hora? O que me levou até lá?
            Continuei com as minhas reflexões. Ele não aparecia. O que estava acontecendo? Nem um sinal aparente de sua presença.
            Olhando para o solo vi um caminho de formigas, muitas delas iam e vinham. As que tinham o destino o formigueiro, voltavam carregadas levando alimento para o ninho, as outras corriam com pressa para chegar à fonte desses alimentos e retornarem.
            Mas, fixando o olhar em especial a uma formiga, observei que pelo seu tamanho a sua carga, uma folha era muito grande e pesada. Ela dava alguns passos a frente, sua folha caia, ela parava erguia com suas hastes, algumas vezes era ajudada para erguer a sua carga, porém carregava sozinha e continuava com muita persistência. Avançava pequenas quantidades do espaço a percorrer, mas levava o que era de sua responsabilidade, não transferia nada do que lhe era devido para nenhuma de suas companheiras.
             Com o olhar fixo na formiga carregadeira, em certo momento despertei e encontrei as respostas dos meus questionamentos.
             O significado da mensagem do Monge era muito simples, se eu não praticasse o perdão verdadeiro, ele não existiria e não me sentiria livre do peso que carregava da agressão recebida.
             Quanto à prática do perdão que é uma questão de fórum íntimo, posso ou não perdoar, mas se devo ou não perdoar cabe a mim escolher a decisão. Sobre realizar preces para os causadores das minhas aflições é uma forma de vencer o meu orgulho e a minha vaidade.
              Sobre carregar a minha bolsa com as pedras mentais e sentimentais para com os outros não é uma obrigação é uma responsabilidade pessoal, como era daquela formiga carregar a folha grande e pesada. Tanto ela como eu teríamos que voltar ao local aonde deixamos a nossa carga e recomeçar a viagem, quando e onde não interessava teríamos que fazer, apenas estávamos protelando o tempo para realizar tal feito, mas, teríamos que carregar o que era de nossa responsabilidade.

             Nada aconteceria para mim se deixar lá a onde me encontrava a minha bagagem. Porém um dia teria que voltar apanhá-la e carregá-la até o fim dos meus dias, recomeçando outra vez o meu trajeto para fazer as minhas reparações.
             Quem sabe quando eu disse voltar atrás para recomeçar a carregar a minha bolsa de pensamentos e sentimentos não tivesse mais força e energia necessária para conduzi-la até o ponto final ou de chegada.
            Qual seria a distância física a percorrer, se me distanciasse mais da partida, ela poderia ter aumentada, mas, se a quantidade de pedras à buscar fossem maior e o seu peso se tornar insustentável, obrigando-me a o invés de retornar uma vez, ter que retornar duas, três ou mais vezes para carregar o que deixe para trás.
             Mais uma vez coloco-me em choque diante de mais uma decisão que só caberia a mim decidir, ficando totalmente entregue a lei de causa e efeito, sob minha inteira responsabilidade.
              Aqui fico exposto à pratica de uma ação presente, no presente ou posso transferi-la para o futuro. Mas terei o futuro, quando se dará essa nova oportunidade, transferido essas ações que devo realizar no presente estou apenas protelando encontrar soluções para os meus sentimentos.
              Nesse momento senti que nesse diálogo interior eu era intuído por ele o meu orientador, o Monge.
              Ao meu lado sorrindo como sempre me perguntou:
              - Porque transferir para amanha? O que é o amanha? Será que terás o amanha? Vejo que você esta se conhecendo melhor.
              Pegou sua flauta e continuo a sua caminhada. De onde viera e para onde ia eu não sabia. Chamei-o, mas não me ouviu, deixou-me a sós com minhas reflexões.
              Meio sem saber recostei-me nos troncos cortados e adormeci. Sonhei com ele. Ao acordar para minha surpresa na palma da minha mão direita havia uma pedra preta como se estivesse colada. Fiquei pensativo tentando descobrir quem era o emissor, falei alto: - Seja lá quem for que pensou e me desejou o mal, eu o perdôo do fundo do meu coração, desejo-lhe os meus melhores pensamentos para que consiga realizar todas as suas aspirações e todos os seus desejos, com toda felicidade do mundo. Obrigado.
              Após está prece mental, olhei para a palma da minha mão e a pedra não se encontrava mais lá.
             Imediatamente sem ter conhecimento da maneira que retornei estava sentando na sala de minha casa. Procurei memorizar tudo o que tinha vivido, ao olhar o relógio era três horas da manha. Preparei-me e fui me deitar. Adormeci logo.
              Durante o sono tive um sonho. Sonhei com uma moça de cabelos escuros vestida com um longo vestido azul prateado como se estivesse voando com muitas pedras, como se fosse uma chuva de cristal ao seu redor.
               Disse-me:
              - Obrigado as suas palavras envolveram um ser que necessitava de muita luz. Ao partir ela iluminou-me com o seu brilho, que ficou por muito tempo sobre mim, como estrelinhas cristalinas prateadas, semelhantes aquelas que encontramos nos bolos de aniversário.

               Ouvi um barulho era o radio relógio despertando-me para mais um dia de atividades.
               Levantei-me e após os cuidados de higiene matinal me preparei para sair. Neste momento tocou o telefone. Do outro lado da linha uma voz dizia o seu perdão salvou aminha vida. Obrigado.
               Atônito perguntei:
               - Quem és?
              Nesse momento o telefone foi desligado. Em seguida pensei preciso encontrar o Monge. Sai de casa e continuei pensando nele, quando cheguei a rua olhei para ambos os lados, não o encontrei, segui o meu caminho ao dobrar a esquina, levei um susto ao ouvir sua vós e seu sorriso.
               - Bom dia Menino. Esse será um dia maravilhoso em sua vida.
               - Demorou em chegar. A onde o Senhor estava?
               Sorrindo muito quase gargalhando, falou:
               - Bom Menino porque tanta aflição, ansiedade, medo, nervosismo? Falei-te é só me chamar que eu venho. Aqui estou. Sabes o que é isso, essa angústia?
               - Não. Não sei não senhor.
               - Isso é falta de Fé.

                                                                                              Dr. Humberto.



                                                      RHEDAM. (rhedam@gmail.com)

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