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sábado, 7 de maio de 2011

ROTEIRO DE INICIAÇÃO AO ESTUDO DO ESPIRITISMO. Nº.8.


DIA: 00.00.00. 08º.AULA. SERES ORGÂNICOS E INORGÂNICOS.

“Toda a carne se une à que se lhe assemelhe, e todo o homem se une com seu semelhante.”
                                                                                              Eclesiástico, 13:20.

            Com o objetivo de compreender melhor o significado de seres orgânicos e inorgânicos, torna-se mister consultar os dicionários.

Ser __ O fato de ser, definição de ser, a existência, o que existe realmente no sentido substancial e no sentido objetivo;

Orgânico __ relativo aos órgãos, à organização, a seres organizados. Vida orgânica, disposição orgânica.

Inorgânico __ que não tem órgãos; que não é orgânico. Anorgânico, que não tem vida, que não é de origem orgânica. reino inorgânico, o conjunto de corpos brutos ou desprovidos de vitalidade.
            Ao iniciar este estudo, é imperioso compreender a acepção do vocábulo vida, que geralmente é tomado em sentidos diversos. Muitas vezes, costuma-se conferir-lhe uma significação genérica, abstrata, para designar o conjunto das coisas existentes, quando se fala da vida universal; outras vezes, e mais comumente, empregamo-lo para caracterizar os seres animados.
            Entretanto, é sumamente impossível falar em órgãos, sem falar em vida. Em fisiologia, por exemplo, a palavra vida corresponde a qualquer coisa objetiva, como seja , para o ser animado, a faculdade de responder, por movimentos, a uma excitação exterior. (2)  
            Os seres orgânicos são os que trazem em si mesmos uma fonte de atividade íntima que lhes dá a vida; nascem, crescem, reproduzem-se e morrem; são providos de órgãos especiais para a realização dos diferentes atos da vida apropriados às necessidades de sua conservação. Compreendem os homens, os animais e as plantas. Os seres inorgânicos são os que não possuem vitalidade nem movimentos próprios, sendo formados apenas pela agregação da matéria; os minerais , a água, o ar, etc.
            A lei de atração, é a mesma força, que une todos os elementos materiais nos corpos orgânicos e inorgânicos.
            A matéria dos corpos orgânicos e inorgânicos é sempre a mesma, mas nos corpos orgânicos é animalizada; devido a sua união com o princípio vital.
            O princípio vital é propriedade de um agente especial, e, da matéria organizada; numa palavra, é um efeito e uma causa. A vida é um efeito produzido pela ação de um agente sobre a matéria. Esse agente, sem a matéria, não é vida, da mesma forma que a matéria não pode viver sem ele. É ele que da vida a todos os seres, que o absorvem e assimilam.
            O Espírito e a matéria são dois elementos constitutivos do Universo. O princípio vital é um dos elementos necessários à constituição do Universo, mas tem a sua fonte nas modificações da matéria universal. É um elemento para vós, como o oxigênio e o hidrogênio, que, entretanto, não são elementos primitivos, pois todo procedem de um mesmo princípio.
            A vitalidade não tem como princípio um agente primitivo distinto, sendo antes uma propriedade especial da matéria universal, devida a certas modificações desta.
            O princípio vital, tem como fonte o fluído universal; é o que chamais fluído magnético ou fluido elétrico animalizado. É o intermediário, o liame entre o Espírito e a matéria.
            O princípio vital é o mesmo para todos os seres orgânicos, porém, modificado segunda as espécies. É ele quem lhes dá movimento e atividade, e os distingue da matéria inerte: pois o movimento da matéria não é a vida; ela recebe esse movimento, não o produz.
            A vitalidade é um atributo que somente se desenvolve com o funcionamento dos órgãos; com o corpo. Esse agente, sem a matéria, não é vida. É necessário a união de ambos para produzir a vida.
            A vitalidade permanece, mesmo, quando o agente vital ainda não se uniu ao corpo. (O conjunto dos órgãos constituem uma espécie de mecanismo, impulsionado pela atividade íntima ou princípio vital que neles existe. O princípio vital é a força motriz dos corpos orgânicos. Ao mesmo tempo em que o agente vital impulsiona os órgãos, a ação destes entretém e desenvolvem o agente vital, mais ou menos como o atrito produz o calor.) (1a)

                                   O FENÔMENO CHAMADO NASCIMENTO

            Se não podemos permanecer indefinidamente encarnados, também não o podemos como desencarnados.
            Para prosseguirmos em nosso glorioso destino, temos necessidade premente de progresso. E, para progredirmos, precisamos renascer. E assim nossa vida de encarnados alterna-se com a de desencarnados; vivemos ora no plano material, ora no espiritual.
            Depois de uma temporada mais ou menos longa que vivemos como espíritos desencarnados, teremos de nos encarnar de novo. Aqui chegando, passaremos por provas, quais colegiais. O que tivermos aprendido como desencarnados, poremos em prática como encarnados. Se o conseguirmos, conquistaremos mais um grau de progresso e ficaremos libertados de um pouco mais de nossas imperfeições. Isso depende de nossa força de vontade e de nossa persistência, porque não é fácil abandonarmos hábitos errôneos e adquirirmos hábitos salutares, isto é, cultivarmos a virtude.
            Portanto, é imprescindível que os pais eduquem os seus filhos, fazendo com que adquiram, desde pequeninos, hábitos salutares e virtuosos.
Diz o ditado: “Mostra a teu filho o bom caminho que o seguirá também velhinho”. Nada mais certo. Durante a infância, o Espírito é maleável e recebe muito mais facilmente os ensinos que se lhe ministram e também é muito mais sensível aos exemplos que recebe.
            Essa maleabilidade do espírito e essa sensibilidade que o tornam mais apto a receber novos ensinamentos, prendem-se ao fato de que “até aos sete anos, o espírito se encontra em fase de adaptação para a nova existência que lhe compete no mundo. Nessa idade, ainda não existe uma integração perfeita entre ele e a matéria orgânica. Suas recordações do plano espiritual são, por isso, mais vivas, tornando-se mais susceptível de renovar o caráter e estabelecer novo caminho, na consolidação dos princípios de responsabilidade, se encontrar pais legítimos representantes do colégio familiar”. (Emmanuel - O Consolador, 1º edição da FEB.) (4) 

                                                            VIDA E MORTE

            A causa da morte dos seres orgânicos, é a exaustão dos órgãos. A morte é como cessação do movimento numa máquina desarranjada. Quando a máquina é má montada a sua mola se quebra; se o corpo estiver doente a vida se esvai. O coração é uma máquina de vida. Mas não é ele o único órgão em que uma lesão causa morte; ele não é mais do que uma das engrenagens essenciais.
            Após a morte, a matéria inerte se decompõem e vai formar outros seres; e o princípio vital dos seres orgânicos retorna à massa.
            Após a morte do ser orgânico os elementos que o formavam passam por novas combinações, constituindo novos seres que haurem na fonte universal o princípio da vida e da atividade, observando-o, assimilando-o, para novamente o devolverem a essa fonte, logo que deixarem de existir.
            Os órgãos estão, por assim dizer, impregnados de fluído vital. Esse fluído dá a todas as partes do organismo uma atividade que lhes permite comunicarem entre si, no caso de certas lesões, e restabelecerem funções momentaneamente suspensas. Mas quando os elementos essenciais do funcionamento dos órgãos foram destruídos, ou profundamente alterados, o fluído vital não pode transmitir-lhes o movimento da vida, e o ser morre.
            Os órgãos reagem mais ou menos necessariamente uns sobre os outros; é da harmonia do seu conjunto que resulta essa reciprocidade de ação. Quando uma causa qualquer destrói esta harmonia, suas funções cessam, como o movimento de um mecanismo cujas engrenagens essenciais se desarranjam; como um relógio gasto pelo uso ou desmontado por um acidente, que a força motriz não pode pôr em movimento.
            Temos uma imagem mais exata da vida e da morte num aparelho elétrico. Esse aparelho recebe a eletricidade e a conserva em estado potencial, como todos os corpos da Natureza. Os fenômenos elétricos, porém, não se manifestam, enquanto o fluído não for posto em movimento por uma causa especial, e só então se poderá dizer que o aparelho está ativo. Cessando a causa da atividade, o fenômeno cessa; e o aparelho volta ao estado de inércia. Os corpos orgânicos seriam, assim, como pilhas de aparelhos elétricos, nos quais a atividade do fluído produz o fenômeno da vida; a cessação dessa atividade ocasiona a morte.
            A quantidade de fluído vital não é a mesma em todos os seres orgânicos; varia segundo as espécies, e não é constante no mesmo indivíduo, nem nos vários indivíduos de uma mesma espécie.
             Há os que estão, por assim dizer, saturados do fluído vital, enquanto outros possuem em quantidades suficiente e por isso que uns são mais ativos, mais enérgicos, e de certa maneira, de vida superabundante.
            A quantidade de fluído vital se esgota. Pode tornar-se incapaz de entreter a vida, se não for renovada pela absorção e assimilação se substâncias que o contêm.
            O fluído vital se transmite de um indivíduo a outro. Aquele que o tem em maior quantidade pode dá-lo ao que tem menos e, em certos casos, fazer voltar uma vida prestes a extinguir-se.(1b)
Ler no Livro dos Espíritos as perguntas nº s 149 a 165.

                                   “Ninguém é livre se é escravo da carne.“
                                                                                              Sêneca

                                   O FENÔMENO CHAMADO MORTE
             A morte não existe no significado de aniquilamento, destruição total, transformação para o nada, separação eterna.
            Nosso espírito é indestrutível e por isso é imortal.
            Todavia não poderemos permanecer sempre encarnados. Um dia chegará em que teremos de mudar de categoria. A essa mudança é que se dá o nome de morte.
            A morte é o fenômeno pelo qual o espírito se desliga completamente do corpo. ela sobrevém por doenças ou por acidentes que facilitem o desligamento.
            Não devemos, portanto, temer a morte. Ela é a porta pela qual ingressaremos no mundo espiritual. E depende unicamente de nós o que lá vamos encontrar: se praticarmos o mal, o resultado do mal que tivermos cometido.
            Se não devemos temer a morte, é-nos proibido procurá-la ou desejá-la, por mais aflitiva que seja nossa situação aqui na terra. O corpo humano é uma dádiva sublime de Deus, e só por vontade dele é que poderemos deixá-lo.
            No momento de nosso desencarne é que mais necessitamos do auxílio divino, especialmente se tivermos vivido distanciados do Altíssimo.
            A causa que nos distância de Deus é não cumprirmos nem respeitarmos os seus mandamentos, todos eles admiravelmente consubstanciados por Jesus no mandamento maior que é: Amarás a Deus sobre todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo.
            E quando é que nós nos afastamos do altíssimo e não observamos o grande mandamento?
            Quando cultivamos pensamentos impuros, maldosos, egoístas, desonestos. quando passamos a vida cuidando somente da parte material dela, deixando esquecidas as necessidades da alma; quando desprezamos a lei da fraternidade.
            A fraternidade é uma lei cuja observância sempre traz felicidade. Jesus nos ensinou a sermos fraternos assim: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei. Vós sois filhos de um pai único pai que é Deus, e vós todos sois irmãos”.
            Uma das principais pedras de tropeço com que se com que se defronta o homem em sua vida, é o orgulho que o isola de Deus.
            Realmente o orgulhoso não admite que acima de sua pequenez paire uma Vontade Soberana, à qual deva tudo o que é; e como conseqüência, o orgulho impossibilita sua regeneração da qual tem necessidade.
            Se trabalharmos por livrar-nos destas causas que impedem nossa aproximação de Deus e pautarmos nossos atos pela lei da fraternidade, estaremos incontestavelmente a caminho de gloriosas conquistas espirituais.
            No mundo espiritual ocuparemos o lugar que nos será devido pelo progresso que já tivermos realizado.
            Uma vez que estamos de passagem pela Terra, é ponto importante para nossa felicidade, quer futura quer presente, a depuração de nossos sentimentos. Depurando-os conquistaremos uma posição dignificante não só como encarnados, como também quando estivermos desencarnados.
            Nós estamos sempre apegados a alguma coisa e, principalmente, ás nossas preferências. É aconselhável que nós nos apeguemos à virtude, aos bons pensamentos, às boas palavras, ás boas ações, para que gozemos da paz e evitemos desilusões e sofrimentos futuro, porque a morte nos colocará irremediavelmente diante de nossa própria consciência. (4)
            Para sofrer as experiências no mundo físico o Espírito se une a um corpo material através o perispírito. O vaso carnal funciona como um instrumento de trabalho para o Espírito. É movido por uma espécie de força motriz chamada “princípio vital”.
            A morte é desorganização do corpo material, à medida que envelhece, desgasta-se.
Quando um órgão vital rompe-se, há morte do organismo e o desligamento entre perispírito e o corpo orgânico.
            O desprendimento faz com que a entidade retorne ao plano espiritual. A morte é denominada “desencarnação”.
            Quando ocorre a morte do corpo carnal, o Espírito fica mais ou menos confuso quanto ao seu novo estado. Esta situação chama-se “perturbação” e vai cessando gradualmente, na medida em que o tempo se escoa. Aos poucos, a entidade vai tomando consciência de sua nova condição de Espírito livre e sua mente vai se adaptando à dimensão espiritual. Com essa melhoria, começa a compreender seus estado de liberdade.
            O professor tinha um amigo Fortier que o convidou para assistir uma das reuniões de mesas girantes. Pensando descobrir novos fenômenos ligados ao magnetismo, aceitou o convite. Após algumas sessões, começou a pensar consigo acerca do fato de objetos inertes emitirem mensagens. Acreditava que por traz deles, havia alguma causa inteligente responsável pelos movimentos.
            As “forças invisíveis” que se manifestaram nas sessões diziam tratar-se de espíritos de homens que haviam vivido no mundo. O codificador intrigava-se. Num desses trabalhos, surgiu uma mensagem destinada a ele. Um Espírito chamado “Verdade” dizia que o professor tinha uma importante missão a desenvolver: a de dar a vida a uma nova doutrina filosófica, científica e religiosa. Kardec disse humildemente que se achava um homem imperfeito e que pensava não ser digno da tarefa, mas que sendo escolhido, tudo faria para desempenhar com sucesso as obrigações de que fora incumbido.(5)
            A morte é uma simples mudança de estado, a destruição de uma forma frágil que já não proporciona à vida as condições necessárias ao seu funcionamento e a sua evolução. Após o desligamento do corpo, o Espírito, debaixo de sua forma fluídica, imponderável, prepara-se para novas reencarnações; acha no seu estado mental os frutos da existência que findou.
            Por toda a parte se encontra a vida. A Natureza inteira mostra-nos, no seu maravilhoso panorama, a renovação perpétua de todas as coisas. Em parte alguma há a morte como, em geral, é considerada entre nós, em parte alguma há o aniquilamento; nenhum ente pode perecer no seu princípio de vida, na sua unidade consciente. O Universo transborda de vida física e psíquica. Por toda a aparte o imenso formigar dos seres, a elaboração de almas que, quando escapam às demoradas e obscuras preparações da matéria, é para prosseguirem, nas etapas da luz, a sua ascensão magnífica.
            A vida do homem é como o Sol das regiões polares durante o estio. Desce devagar, baixa, vai enfraquecendo, parece desaparecer um instante por baixo do horizonte. É o fim, na aparência; mas, logo depois, torna a elevar-se, para novamente descrever a sua órbita imensa no céu.
            A morte é um eclipse momentâneo na grande revolução das nossas existências; mas basta esse instante para revelar-nos o sentido grave e profundo da vida. A própria morte pode ter a sua nobreza, a sua grandeza. Não devemos temê-la, mas antes esforçar-nos por embelezá-la, preparando-se cada um, constantemente, para ela, pela pesquisa e conquista da beleza moral, a beleza do Espírito que molda o corpo e o orna com um reflexo augusto na hora das separações supremas. a maneira por que cada qual sabe morrer, é já, por si mesma, uma indicação do que para cada um de nós será a vida do Espaço.
            Há como que uma luz fria e pura em redor da almofada de certos leitos de morte.
            Rostos, até ai insignificantes, parecem aureolados por claridade do Além. Um silêncio imponente faz-se em volta daqueles que deixaram a Terra. Os vivos, testemunhas da morte, sentem grandes e austeros pensamentos desprenderem-se do fundo banal das suas impressões habituais, dando alguma beleza à sua vida interior. O ódio, as más paixões não resistem a este espetáculo.
            Ante o corpo de um inimigo abranda toda a animosidade, esvai-se todo o desejo de vingança. Junto de um esquife, o perdão parece mais fácil, mais imperioso o dever.
            Toda morte é um parto, um renascimento; é a manifestação de uma vida até ai latente em nós, vida invisível da Terra, que vai reunir-se a vida invisível do Espaço. Depois de certo tempo de perturbações, tornamos a nos encontrar, além do túmulo, na plenitude das nossas faculdades e da nossa consciência, junto dos seres amados que compartilharam as horas tristes ou alegres de nossa consciência terrestre. A tumba apenas encerra o pó. Elevemos mais altos os nossos pensamentos e as nossas recordações, se quisermos achar de novo o rastro das almas que nos foram caras.
            Não peçais às pedras do sepulcro o segredo da vida. Os ossos e as cinzas que lá jazem nada são, ficai sabendo. As almas que os animaram deixaram esses lugares, revivem em formas mais sutis, mais apurados. De seio do invisível, aonde lhes chegam e as comovem as vossas orações, ela vos seguem com a vista, vos respondem e vos sorriem. A Revelação Espírita ensinar-vos-á a se comunicar com elas, a unir os vossos sentimentos num mesmo amor, uma esperança inefável.
            Muitas vezes, os seres que chorais e que ides procurar no cemitério, estão ao vosso lado. Vêm velar por vós aqueles que foram o amparo da vossa juventude, que vos embalam nos braços, os amigos, companheiros das vossas alegrias e das vossas dores, bem como todas as formas, todos os meigos fantasmas dos seres que encontrastes no vosso caminho, os quais participaram da vossa existência e levaram consigo alguma coisa de vós mesmos, da vossa alma e do vosso coração. Ao redor de vós flutua a multidão dos homens que se sumiram na morte, multidão confusa, que revive, vos chama e mostra o caminho que tendes de percorrer.
            Ó morte, ó serena majestade! tu., de quem fazem um espantalho, és para o pensador, simplesmente, um momento de descanso, a transição entre dois atos do destino, dos quais um acaba e o outro se prepara. Quando a minha própria alma, errante há tantos séculos através dos mundos, depois de muitas lutas, vicissitudes e decepções, depois de muitas ilusões desfeitas e esperanças adiadas, for repousar de novo no teu seio, será com alegria que saudará a aurora da vida fluídica; será com ebriedade que se elevará do pó terrestre, através dos espaços insondáveis, em direção aqueles a quem estremeceu neste mundo e que esperam.
            Para a maior parte dos homens, a morte continua a ser o grande mistério, o sombrio problema, que ninguém ousa olhar de frente. Para nós, ela é a hora bendita em que o corpo cansado volve à grande. Natureza para deixar à Psique, sua prisioneira, livre passagem para a Pátria Eterna.
            Esta Pátria é a imensidade radiosa, cheia de sóis e de esferas. Junto deles, como há de parecer raquítica a nossa pobre Terra! O Infinito envolve-a por todos os lados. O Infinito na extensão e o Infinito na duração, eis o que se nos depara, quer se trate da alma, quer se trate do Universo.
            Assim como cada uma das nossas existências tem o seu termo e há de desaparecer, para dar lugar a outra vida, assim também cada um dos mundos semeados do Espaço tem de morrer, para dar lugar a outros mundos mais perfeitos.
            Dia virá em que a vida humana se extinguirá no globo esfriado. A Terra, vasta necrópole, rolará, soturna, na solidão silenciosa.
            Hão de elevar-se ruínas imponentes nos lugares onde existiram Roma, Paris, Constantinopla, cadáveres de capitais, últimos vestígios das raças extintas, livros gigantescos de pedra que nenhum olhar carnal voltará a ler. Mas a Humanidade terá desaparecido da Terra somente para prosseguir, em esferas mais bem dotadas, a carreira de sua ascensão. A vaga do progresso terá impelido todas as almas terrestres para planetas mais bem preparados para a vida. É provável que civilizações prodigiosas floresçam a esse tempo em Saturno e Júpiter; ali se hão de expandir humanidades renascidas numa glória incomparável. Lá é o lugar futuro dos seres humanos, o seu novo campo de ação, os sítios abençoados onde será dado continuarem a amar e trabalhar para o seu aperfeiçoamento.
            No meio dos seus trabalhos , a triste lembrança da Terra virá talvez prosseguir ainda esses Espíritos; mas, das alturas atingidas, a memória das dores sofridas, das provas suportadas, será apenas um estimulante para se elevarem a maiores alturas.
            Em vão a evocação do passado lhes fará surgir à vista os espectros de carne, os tristes despojos que jazem nas sepulturas terrestres. A voz da sabedoria dir-lhes-á: “Que importam as sombras que se foram! Nada perece. todo ser se transforma e se esclarece, sobre os degraus que conduzem de esfera em esfera, de sol em sol até Deus. Espírito imorredouro, lembra-se disto: A morte não existe!” (6)

                                               INTELIGÊNCIA E INSTINTO

            A inteligência não é um atributo do princípio vital. Pois as plantas vivem e não pensam, tendo apenas a vida orgânica. A inteligência e a matéria são independentes, pois um corpo pode viver sem inteligência, mas a inteligência não pode manifestar-se por meio dos órgãos materiais; somente a união com o espírito dá a inteligência à matéria animalizada.
            A inteligência é uma faculdade especial, própria de certas classes de seres orgânicos, aos quais dá, com o pensamento de sua individualidade, assim como os meios de estabelecer, a vontade de agir, a consciência de sua existência e relações com o mundo exterior e de prover às necessidades.
            Podemos fazer a seguinte distinção:
            1º. os seres inanimados, formados somente de matéria, sem vitalidade nem inteligência; são os corpos brutos;
            2º. os seres animados não pensantes, formados de matéria e dotados de vitalidade, mas desprovidos de inteligência;
            3º. os seres animados pensantes, formados de matéria, dotados de vitalidade e tendo ainda um princípio inteligente que lhes dá a faculdade de pensar. (1c)
            A inteligência em seu sentido amplo significa a faculdade de conhecer, de compreender. É um atributo do Espírito. É uma faculdade própria de cada ser e constitui a sua individualidade moral.
            Em sentido estrito a inteligência representa um conjunto de funções que tem por objetivo o conhecimento conceptual e racional. (2b)
            A fonte da inteligência é universal.
            A inteligência é uma faculdade própria de cada ser e constitui a sua individualidade moral. De resto, bem o sabeis, há coisas que não é dado ao homem penetrar, e esta, por enquanto, é uma delas. (1c)
            A inteligência se revela por atos voluntários refletidos, premeditados, combinados, de acordo com a oportunidade das circunstâncias. É incontestavelmente um atributo exclusivo da alma. (3)
            Todo ato maquinal é instinto; o ato que denota reflexão, combinação, deliberação é inteligente. Um é livre, o outro não o é. (3)
            O instinto, não é independente da inteligência, porque é uma espécie de inteligência. (1c). Revela, entretanto, uma causa inteligente, essencialmente apta a prever.(3) O instinto é uma inteligência não racional; é por ele que todos os seres provêm às suas necessidade.
            Se os animais são dotados apenas de instinto, não tem solução o destino deles e nenhuma compensação os seus sofrimentos, o que não estaria de acordo nem com a justiça, nem com a bondade de Deus. (3)
            Não podemos assinalar um limite entre o instinto e a inteligência, onde acaba um e começa o outro. Porque eles freqüentemente se confundem; mas podemos muito bem distinguir os atos que pertencem ao instinto dos que pertencem à inteligência.
            É errado dizer que as faculdades instintivas diminuem, à medida que crescem as intelectuais. O instinto existe sempre, mas o homem o negligencia. O instinto também pode conduzir ao bem; ele nos guia quase sempre, e às vezes mais seguramente que a razão; ele nunca se engana.
            A razão não é um guia infalível, porque, existe falseada pela má educação, pelo orgulho e o egoísmo. O instinto não raciocina; a razão permite ao homem escolher, dando-lhe o livre arbítrio. (1c)
            O instinto é a força oculta que solicita os seres orgânicos a atos espontâneos e involuntários, tendo em vista a conservação deles. Nos atos instintivos não há reflexão, nem combinação, nem premeditação. É assim que a planta procura o ar, se volta para a luz, dirige suas raízes para a água e para a terra nutriente; que a flor se abre e fecha alternadamente, conforme se lhe faz necessário; que as plantas trepadeiras se enroscam em torno daquilo que lhes serve de apoio, ou se lhe agarram com as gavinhas. É pelo instinto que os animais são avisados do que lhes convém ou prejudica; que buscam, conforme a estação, os climas propícios; que constroem, sem ensino prévio, com mais ou menos arte, segundo as espécies, leitos macios e abrigos para as suas progênies, armadilhas para apanhar a presa de que se nutrem; que manejam destramente as armas ofensivas e defensivas de que são providos; que os sexos se aproximam; que mãe choca os filhos e que estes procuram o seio materno. No homem, só em começo da vida o instinto domina com exclusividade; é por instinto que a criança faz os primeiros movimentos, que toma o alimento, que grita para exprimir suas necessidades, que imita o som da voz, que tenta falar e andar. No próprio adulto, certos atos são instintivos, tais como os movimentos espontâneos para evitar um risco, para fugir a um perigo, para manter o equilíbrio do corpo; tais ainda o piscar das pálpebras para moderar o brilho da luz, o abrir maquinal da boca para respirar,etc. (3)
            O instinto é uma inteligência rudimentar, que difere da inteligência propriamente dita por serem quase sempre espontâneas as suas manifestações, enquanto as daquela são o resultado de apreciações e de uma deliberação.
            O instinto varia em suas manifestações segundo as espécies e suas necessidades. Nos seres dotados de consciência e de percepção das coisas exteriores, ele se alia à inteligência, o que quer dizer, à vontade e à liberdade. (1c)
            O instinto é simbolizado pelo conjunto dos atos involuntários, inconscientes. todo ato maquinal é instintivo, enquanto que a inteligência se revela por atos voluntários, refletidos, premeditados, combinados, segundo a oportunidade das circunstâncias. Nos atos instintivos não há reflexão nem combinações nem premeditação.
            (Ler Na Gênese . Cap. III, nº 13 a 19- 20 a 24.)
            Um dos aspectos mais importantes para serem analisado, no processo evolutivo do princípio inteligente, consiste no exame do que seja instinto e sua relação com a inteligência, conseqüentemente da ação instintiva com a ação inteligente. Dificílimo será saber o limite onde termina o instinto e onde começa a inteligência, embora se possa “muito bem distinguir os atos que pertencem ao instinto dos que pertencem à inteligência”. (2b)
            Segundo outros sistemas o instinto e a inteligência procederiam de um único princípio. Chegando a certo grau de desenvolvimento, esses princípio, que primeiramente apenas tivera as qualidades do instinto, passaria por uma transformação que lhe daria as da inteligência livre.
            Se fosse assim, no homem inteligente que perde a razão e entra a ser guiado exclusivamente pelo instinto, à inteligência voltaria ao seu estado primitivo e, quando o homem recobrasse a razão, o instinto se tornaria inteligência e assim alternativamente, a cada acesso, o que não é admissível. (3)
            O instinto apresenta-se sob diferentes conceitos:

a) AUTOMATISMO FISIOLÓGICO
            É o instinto de conservação, decorrente da necessidade orgânica do corpo. “O instinto é uma inteligência não racional, é por ele que todos os seres provêm as suas necessidades.” “Porque, em sua origem, eles (Espíritos) são como crianças recém-nascidas que agem mais por instinto do que por vontade própria.”
Ler Livro dos Espíritos Perguntas nº s: 73, 74, 564, 589, 590, 605, 730.

b) TENDÊNCIA INSTINTIVA
            É o resultado de tal ou qual forma de agir, para o bem o para o mal. Daí, dizer-se que este ou aquele homem tem instinto bom ou mau. Os maus instintos do homem freqüentemente fazem com que ele esqueça a Lei de Deus. Isto ocorre porque o encarnado, em contato com a Natureza animal, freqüentemente se sujeita à sensação que resulta da vida orgânica e, por suas paixões, se coloca ao nível dos animais.
Ler no Livro dos Espíritos Perguntas nºs: 393, 398, 605, 620, 669, 735, 752, 993.

c) VOZ DO INSTINTO

            Refere-se à lembrança inconsciente das provas que temos de passar ou àquela voz que nos fala em certos momentos. A voz do instinto é o pressentimento dos acontecimentos marcantes da atual existência.               
            São Luiz, nos diz: “Entendo que antes de encarnar-se, o Espírito tem conhecimento de todas as fases de sua existência; quando estas têm um caráter saliente, ele conserva uma espécie de impressão em seu foro íntimo, e tal impressão, despertando ao se aproximar o instante, torna-se pressentimento.”
            Essa seqüencia evolutiva, instinto de conservação, tendência instintiva, voz do instinto e inteligência, revela os passos do aprendizado multimilenar do princípio inteligente, desde a mônada primitiva até sua chegada ao reino dos anjos.
            André Luiz nos ensina esta lição (Evolução em Dois Mundos, cap. IV): “Na retaguarda do transformismo, o reflexo precede ao instinto, tanto quanto o instinto precede a atividade refletida, que é à base da inteligência nos depósitos do conhecimento adquirido por recapitulação e transmissão incessantes nos milhares de milênios em que o princípio espiritual atravessa lentamente os círculos elementares na Natureza, qual vazo vivo, de forma em forma, até a configurar-se no indivíduo humano em transito para a maturação sublimada no campo angélico.”
            De André Luiz, No Mundo Maior, lê-se: “o princípio espiritual... viajou do simples impulso para a irritabilidade, da irritabilidade, para a sensação, da sensação, para o instinto, do instinto para a razão”.
            Necessitamos co-relacionar os conceitos de inteligência, conhecimento e cultura; de inteligência e reflexos condicionados; de inteligência e comprimento de ondas mentais, que encontramos em “Mecanismos da Mediunidade”, de André Luiz.
            Kardec, na Gênese, estudando instinto e inteligência, conclui pela unicidade de causa concernente à ação instintiva, pois “a uniformidade no resultado das faculdades instintivas é um traço característico, que implica necessariamente na unidade de causa; se esta causa fosse inerente a cada individualidade, haveria tantas variedades de instintos quantos indivíduos há, desde a planta até o homem. Um efeito geral, uniforme e constante”.  Tal resultado somente poderá ser suficientemente explicado, se concebermos uma ação providencial, ou “se figurarmos todos os seres como penetrados pelo fluído divino, soberanamente inteligente; logo se compreenderá a sabedoria previdente e a unidade de vistas que presidem a todos os movimentos instintivos, para o bem de cada indivíduo”.
            O Ensinamento de Paulo aos Corintos, I, 3:16: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em Vós.“
            Emmanuel, em Fonte Viva, item 30, comentando esta afirmação do Apóstolo dos Gentios reafirma o processo evolutivo do princípio inteligente dizendo: “Educa e transformarás a irracionalidade em inteligência, a inteligência em humanidade e a humanidade em angilitude.” (2b)
           
Nota: Ler no Livro A Gênese, o Capitulo X.

EXERCÍCIOS:
1º.    O que você entende por seres orgânicos?
2º.    O que são os seres inorgânicos? Descreva-os.
3º.    O que é a vida?
4º.    O que é a morte?
5º.    Em quais espécies encontramos os seres orgânicos?
6º.    Defina Inteligência?
7º.    O que é o princípio inteligente? Por quê?
8º.    O que é o instinto?
9º.    Conforme vamos evoluindo perdemos o instinto?
10 º. Dê a sua opinião sobre esta aula? Como a entendeu?
11º.  Onde encontramos os seres inorgânicos?
12º.  Qual a diferença entre seres orgânicos e inorgânicos?
13º. O que é princípio vital?
14º. O princípio vital é igual em todas as espécies?
15º. O que é o nascimento?
16º. O que ocorre com seres orgânicos após a morte?
17º. Quais são os conceitos de instintos? Descreva-os.

BIBLIOGRAFIA:

1º(a). AUTOR. Allan Kardec- Tradução Jose Herculano Pires-Livro dos Espíritos- 54º Edição - 1994- Cap. IV. Perg.60 a 67(a).-LAKE -Livraria Allan Kardec Editora -São Paulo.SP.
1º(b) Idem Anterior. Perg: 68 a 70.
1º(c) Idem Anterior. Perg: 71 a 75(a).
2º(a). AUTORES Diversos: -Livro -Curso Básico de Espiritismo 1º Ano- Cap. 3 –Pag. 37, 38- 4º Edição- 1992- Edições FEESP- Livraria e Editora Espírita Humberto de Campos - São Paulo - SP.
2º(b). Idem Anterior Pag. 38 a 41.
3º.AUTOR:     Allan Kardec -Tradução Guillon Ribeiro-Livro A Gênese- Cap. III- Do nº11 a 24. 21º Edição- 1979- Editora FEB- Rio de Janeiro -RJ.
4º. AUTOR:    Eliseu Rigonatti- Livro- O Espiritismo Aplicado – Pág. 2 a 4.1º Edição-Editora Pensamento- São Paulo. SP

5º. AUTORES.DIVERSOS- Livro Espiritismo Para Iniciantes- Cap. IV- Pág. 42, 43- 3º Edição- 1993- FACE- Grupo Espírita Bezerra de Menezes- São Jose do Rio Preto-SP.

6º.AUTOR.     Léon Denis- Livro Fragmentos de Obras : SER- DESTINO- DOR- pág. 63 a 68- 4º Edição- 1977- EDICEL- Editora Cultural Espírita LTDA – São Paulo.SP.

                                                                           RHEDAM. (rhedam@gmail.com)

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