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terça-feira, 15 de outubro de 2019

- POEMAS ESPÍRITAS. PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - JESUS. - MARTA. (CHICO XAVIER.)


                                JESUS.

Jesus foi na Terra
A mais perfeita encarnação do Amor Divino.
E ainda hoje,
Nos dias amargurados que transcorrem,
É para a Humanidade
A promessa da Paz,
O manto protetor
Que abriga os aflitos e os infelizes,
O pão que sacia os esfomeados das verdades eternas,
A fonte que desaltera todos os sofredores.
Apegai-vos a Ele, cheios de confiança!

Ele é a misericórdia personificada,
O Jardineiro Bendito
Que jorra no coração
Dos transviados do caminho do Bem,
As sementes do arrependimento
Que hão de florir na Regeneração
E frutificar na perfeita felicidade espiritual.

Ouvi a sua voz
No silêncio da consciência que vos fala
Do cumprimento austero
De todos os deveres cristãos!
E um dia
Descansareis reunidos,
Ligados pelos liames inquebrantáveis
Da fraternidade além da morte,
A sombra da árvore luminosa
Das boas ações que praticastes,
Longe das lágrimas
Do orbe obscuro,
Dos prantos e das provações remissoras!...

                                                  Marta

ESTE Espírito não pôde ou não quis identificar-se. Aqui o incluímos, porém, de justiça, atenta a magnitude do seu estro.


            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

terça-feira, 1 de outubro de 2019

- POEMAS ESPÍRIAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO; - NO TEMPLO DA MORTE. - MARTA. (CHICO XAVIER.)


        NO TEMPLO DA MORTE.

O templo da morte tem portas incontáveis,
Como incontáveis são as almas humanas,
E infinitos seus estados de consciência.

Pela porta escura do remorso,
Um dia penetrou os seus umbrais
Uma alma que regressava da Terra.
Lá dentro,
Em nome do Senhor de todos os latifúndios do Universo,
Pontificava o Anjo da Justiça.

“Anjo Bom! – disse-lhe a alma súplice –
Eu tenho a minhalma coberta de feridas cancerosas!
Cura-me as chagas purulentas do remorso...
Tenho os meus olhos vendados
E uma treva incomensurável na consciência!
Apaga os meus atrozes padeceres!.. .“

“Filha – respondeu compassivo –,
Para sanar tão estranhas feridas,
Tão amargos pesares,
Só há um recurso:
Volta à Terra!
Lá existe o Regato das Lágrimas,
Banha-te nas suas águas cristalinas;
Elas serão o teu bálsamo consolador
E curarão a tua cegueira...
Estás na escuridão absoluta
Pela ausência da luz, do bem na tua alma!

Mas o Anjo da Dor irá contigo;
Ele há de te guiar através das sirtes do mar encapelado dos sofrimentos,
E te conduzirá ao lugar bendito onde existem as lágrimas salvadoras!...”
E a pobre regressou...
Conduzida pela Dor,
Banhou-se na água lustral dos tormentos,
Submergiu-se no regato encantado, de cuja fonte límpida promana a Salvação.

E depois de haver percorrido
Tão tortuosos caminhos,
Inçados de perigos
E de dores amargas,
Reconheceu o luminoso Anjo da Dor...
E nos seus braços magnânimos e compassivos,
Penetrou no templo misterioso da morte
Pela porta maravilhosa da Redenção.

                                            Marta

ESTE Espírito não pôde ou não quis identificar-se. Aqui o incluímos, porém, de justiça, atenta a magnitude do seu estro.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

quinta-feira, 18 de julho de 2019

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - UNIDADE. - LUIZ PISTARINI. (CHICO XAVIER.)


                            UNIDADE.

Todos nós somos irmãos,
Porque os nossos espíritos
São unos na essência...

Todos nós somos fragmentos
Da mesma luz gloriosa e eterna
Da sabedoria inescrutável
Do Criador,
Cujas mãos magnânimas e misericordiosas
Espalharam com abundância
Nas vastidões imensuráveis do éter,
Infinitas e esplendorosas,
Terras e almas,
As quais no divino equilíbrio do Amor
Buscam a perfeição indefinida.

Todos nós somos irmãos,
Porque nutrimos indistintamente
A mesma aspiração do Belo e do Perfeito,
O mesmo sonho,
A mesma dor na luta
A prol da redenção.

Espiritualmente,
Somos filhos de um só Pai,
Somos as frondes que se interpenetram
De uma só árvore genealógica,
Cuja raiz insondável
Está no coração augusto de Deus,
O qual, por uma disposição inexplicável,
Encerra em si
Todos os mundos,
Todas as almas
Todos os seres da Criação!

Fazei, pois, da Terra
O caminho comum da vossa salvação,
Porquanto, mais além
Das fronteiras planetárias,
Vivereis dentro de sagrados coletivismos,
Sem egoísmos,
Na suprema unidade
De aspiração para a felicidade.

Luiz Pistarini

Luiz Pistarini nasceu em Resende, Estado do Rio, à rua dos Voluntários, e faleceu, aos 41 anos de idade, naquela mesma cidade, no começo do ano de 1918. Publicou dois livros, de poesias: Bandolim e Sombrinhas e Postais, deixando, inédito, um terceiro: Agonias e Ressurreição. Fundou e dirigiu a revista A Crisálida e o jornal O Domingo. Residiu durante algum tempo na Capital Federal, onde colaborou em vários jornais. Foi um atormentado pelas enfermidades.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

quinta-feira, 4 de julho de 2019

- POEMAS ESPÍRITAS. PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - NUNCA TE ISOLES. - LUIZ PISTARINI. (CHICO XAVIER.)




                                                    Marta

ESTE Espírito não pôde ou não quis identificar-se. Aqui o incluímos, porém, de justiça, atenta a magnitude do seu estro.
          
                   NUNCA TE ISOLES.          

Nunca te isoles entre os mananciais da vida;
A vida é o eterno bem que nos foi dado,
Para que o multiplicássemos indefinidamente...
E a alma que se abandona,
Ao sofrimento ou ao bem-estar,
É um deserto sem oásis,
Onde outras almas sentem fome e sede.

Multiplicar a vida
É amar sem restrições
A flor, a ave, os corações,
Tudo o que nos rodeia.

Atenuar a dor alheia,
Sorrir aos infelizes,
Bendizer o caminho que nos leva
Da treva para luz;
Agradecer a Deus, que é Pai bondoso,
O firmamento, o luar, as alvoradas,
Ler a sua epopéia feita de astros,
Ter a bondade ingênua das crianças,
Tecer o fio eterno da esperança

Por onde se sobe ao Céu;
Dar sorrisos, dar luzes, dar carícias,
Dar tudo quanto temos,
Tudo isto é amar multiplicando a vida,
Que se estende infinita no Infinito.

Dar a lição de paciência se sofremos,
Dar um pouco de gozo se gozamos,
É guardarmos a semente
Da Vida
Em leivas verdejantes,
E a qual há de nos dar
Sombras amigas para descansarmos,
Indumentos de flores perfumosas
E frutos aos milhares,
Para nutrir as nossas alegrias
Nos jardins estelares...

Luiz Pistarini

LUIZ Pistarini nasceu em Resende, Estado do Rio, à rua dos Voluntários, e faleceu, aos 41 anos de idade, naquela mesma cidade, no começo do ano de 1918. Publicou dois livros, de poesias: Bandolim e Sombrinhas e Postais, deixando, inédito, um terceiro: Agonias e Ressurreição. Fundou e dirigiu a revista A Crisálida e o jornal O Domingo. Residiu durante algum tempo na Capital Federal, onde colaborou em vários jornais. Foi um atormentado pelas enfermidades.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

sexta-feira, 28 de junho de 2019

- POEMAS ESPÍRITAS. PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - NO ESTRANHO DO PORTAL. - LUIZ PISTARINI. (CHICO XAVIER.)

    NO ESTRANHO DO PORTAL.

No último instante, a lágrima dorida
Resume as ânsias da existência inteira,
E a saudade é a tristonha mensageira
Que engrinalda de angústia a despedida.

A antevisão do fim de toda a vida
Obscurece a tela derradeira
E a noite escura se distende à beira
Da suprema esperança desvalida.

Um golpe... Um sonho... e excelsa clarinada
Anuncia outra vida renovada,
Brilhando além da lápide sombria.

Apagou-se a candeia transitória
E a verdade refulge envolta em glória,
Aos clarões imortais do Novo Dia.

Luiz Pistarini

LUIZ Pistarini nasceu em Resende, Estado do Rio, à rua dos Voluntários, e faleceu, aos 41 anos de idade, naquela mesma cidade, no começo do ano de 1918. Publicou dois livros, de poesias: Bandolim e Sombrinhas e Postais, deixando, inédito, um terceiro: Agonias e Ressurreição. Fundou e dirigiu a revista A Crisálida e o jornal O Domingo. Residiu durante algum tempo na Capital Federal, onde colaborou em vários jornais. Foi um atormentado pelas enfermidades.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

terça-feira, 25 de junho de 2019

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - ALÉM AINDA... - LUIZ MURAT. (CHICO XAVIER.)


                   ALÉM AINDA...

Caminheiro que vais ao fim do dia
Demandando o crepúsculo das dores,
Não te percas na lágrima sombria
Da tormenta de anseios e amargores!

Além da sepultura principia
O caminho dos sonhos redentores,
Na alvorada perene da harmonia,
Aureolada de eternos resplendores.

Desolado viajor, ergue teus olhos!
Não te prendas somente ao chão tristonho,
Guarda a esperança carinhosa e linda!

Vence a longa jornada dos abrolhos,
Que o país luminoso do teu sonho
Fica ao alto... distante... além ainda...

Luiz Murat

FLUMINENSE, nascido a 4 de maio de 1861 e desencarnado na cidade do Rio de Janeiro, em 1929. Bacharel em Direito, membro da Academia Brasileira de Letras. Poeta de grande e viva inspiração, conta em seu acervo bibliográfico Ondas (3 volumes), Sara (poema), e vasta colaboração na Imprensa.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

sexta-feira, 21 de junho de 2019

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - VOLTANDO. - LUIZ GUIMARÃES JUNIOR. (CHICO XAVIER.)


                      VOLTANDO.

Após a longa e frígida nortada
Da existência no mundo de invernia,
Busquei contente a paz que me sorria
No fim da áspera senda palmilhada.

Voltei. Nova era a vida, nova a estrada
Que minhalma extasiada percorria;
Divinal era a luz que resplendia,
Em revérberos lindos de alvorada.

De volta, e os mesmos seres que me haviam
Ofertado na Terra amores santos,
Envoltos em ternuras e em carinhos,

Novamente no Além me ofereciam
Lenitivo às agruras dos meus prantos,
Nas carícias risonhas dos caminhos.

Luiz Guimarães Júnior

POETA brasileiro, nascido no Rio de Janeiro, em 17 de fevereiro de 1845, e desencarnado em Lisboa com 53 anos de idade.
Foi jornalista, comediógrafo e diplomata. Entre suas obras, Carimbos, Noturnos, Lírica, etc., sobressai Sonetos e Rimas, que ainda hoje se lê com encanto. Foi membro da Academia Brasileira de Letras.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

segunda-feira, 17 de junho de 2019

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - SONETO. - LUIZ GUIMARÃES JÚNIOR.(CHICO XAVIER.)

                              SONETO

Na escuridão dos anos procelosos,
Da velhice nos dias mal vividos,
Eu quisera voltar aos tempos idos
Da juventude, aos tempos bonançosos.

Mal podia julgar que inda outros gozos
Mais sublimes que aqueles já fruídos,
Nas esteiras de prantos esquecidos,
Acharia nos céus maravilhosos.

Pairar no Além!... volver ao lar primeiro,
Ressurgido em perene mocidade,
Clarão de paz ao pobre caminheiro!

No limiar das amplidões da Altura
Penetrei, vislumbrando a Imensidade,
Soluçando empolgado de ventura.

Luiz Guimarães Júnior

POETA brasileiro, nascido no Rio de Janeiro, em 17 de fevereiro de 1845, e desencarnado em Lisboa com 53 anos de idade.
Foi jornalista, comediógrafo e diplomata. Entre suas obras, Carimbos, Noturnos, Lírica, etc., sobressai Sonetos e Rimas, que ainda hoje se lê com encanto. Foi membro da Academia Brasileira de Letras.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

sexta-feira, 14 de junho de 2019

- POEMAS ESPÍRITAS. PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - SEM SOMBRAS. - LUCINDO FILHO. (CHICO XAVIER.)

                   SEM SOMBRAS.

Junto ao sepulcro onde a saudade chora
E onde o sonho das lágrimas termina,
Abre-se a porta da mansão divina
Entalhada em reflexos de aurora.

Não mais a noite; vive em tudo, agora,
A beleza profunda e peregrina,
Envolvida na luz esmeraldina
Da esperança que vibra e resplendora.

Sem as sombras das lutas desumanas,
A alma vitoriosa entoa hosanas,
Ébria de paz e de imortalidade.

Não lamenteis quem parta ao fim do dia,
Que a sepultura em cinza escura e fria.
É a nova porta para a eternidade.

Lucindo Filho

NASCIDO em Minas Gerais a 16 de agosto de 1847 e falecido em Vassouras a 10 de junho de 1896. Médico, jornalista, compositor musicista e tradutor renomado. Latinista de prol, conta em sua bibliografia Poemetos, Virgilianas, Flores Exóticas, etc.

Esta produção surgiu de improviso no curso de uma reunião familiar em que se não cogitava de assuntos espíritas. O poeta desencarnou no século passado e o médium é deste século; e conquanto fosse intelectual de prol, a seu tempo, é hoje um nome esquecido, fora dos meios culturais.
Ninguém ali o conhecera nem dele se lembraria, exceto uma senhora que, em menina, lhe assistira aos funerais, em Vassouras, onde ele tem precioso jazigo, oferecido pela população local.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

sábado, 8 de junho de 2019

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - SAUDADE. - LEÔNCIO CORREIA. (CHICO XAVIER.)


                            SAUDADE.

Ante o brilho da vida renascente
Depois da névoa estranha, densa e fria,
Surgem constelações do Novo Dia
Muito longe da Terra descontente.

Mundos celestes, reinos de alegria
E impérios da beleza resplendente
Cantam no Espaço, jubilosamente,
Ao compasso do Amor e da Harmonia...

Mas, ai! pobre de mim!... Ante a grandeza
Da glória excelsa eternamente acesa
Volvo à sombra letal do abismo fundo!

E, esmagado de angústia e de carinho,
Choro de amor, revendo o velho ninho
E as aves ternas que deixei no mundo!...

Leôncio Correia

LEÔNCIO Correia nasceu em 1865, no Estado do Paraná, e desencarnou no Rio de Janeiro, em junho de 1950. Professor e poeta, deixou inúmeras obras.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

quarta-feira, 5 de junho de 2019

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - DE CÁ. - JUVENAL GALENO. (CHICO XAVIER.)


                          DE CÁ

Que amargo era o meu destino!...
Tristezas no coração,
Tateando dificilmente
No meio da escuridão...
Viver na Terra e somente
Remando contra a maré,
Com receio de ir ao fundo...
Nem tão boa coisa é.

Esta vida de sofrer
Trinta dias cada mês,
Entremeados de prantos,
Há quem estime? Talvez...
Mas para mim que só fui,
Galeno sem nó, galé,
Tantas dores em conjunto,
Nem tão boa coisa é.

Sentir as disparidades
Das vidas cheias de dor,
O mal sufocando o mundo,
Marchando com destemor:
Ver o rico andar de coche
E o pobre correndo a pé,
Tantas misérias sentir...
Nem tão boa coisa é.

O pranto ferve na Terra,
Salta aqui, salta acolá,
Nas guerras de toda parte,
Nas secas do Ceará;
Meus irmãos de Fortaleza,
Do Crato, do Canindé,
Ver uns rindo e outros chorando,
Nem tão boa coisa é.

Ah! morrer e ainda sentir
Saudades da escravidão,
Da carne, do desconforto,
Da treva, da ingratidão...
Não é possível porque,
Pobre filho da ralé,
Casar-se com a desventura
Nem tão boa coisa é.

Mas falar demais agora,
Já não é próprio de mim,
Não vou gastar minha cera
Com tanto defunto ruim;
Patetice é ensinar
Verdade aos homens sem fé.
Jogar pérolas a tolos,
Nem tão boa coisa é.

Juvenal Galeno

NASCIDO em Fortaleza e desencarnado na mesma cidade, em 1931, com 95 anos de idade. É um vulto literário inconfundível no cenáculo do seu tempo, impondo-se justamente pela naturalidade e espontaneidade do seu estro. Chamaram-lhe – “Béranger brasileiro”. Sua musa foi elogiada por Castilho, José de Alencar, Machado de Assis, Silvio Romero, etc.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

domingo, 2 de junho de 2019

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - SEXTILHAS. - JUVENAL GALENO. (CHICO XAVIER.)


                         SEXTILHAS.

Quando a morte chega em casa,
A casa faz alarido,
Parece até que se arrasa
Sob as chamas de um incêndio;
O povo está reunido
Quando a morte chega em casa.

Ela vem buscar alguém,
De quem precisa por certo;
Não se importa com ninguém
Que chore ou que se lastime,
Esteja distante ou perto,
Ela vem buscar alguém.

A morte não quer saber
Se é preto como urubu,
Se aquele que vai morrer
É branco qual uma garça,
Se tem pratas no baú,
A morte não quer saber.

Não lhe pergunta qual é
A sua religião,
Se Sancho, Pedro ou José
É o seu nome de batismo,
Nem a sua profissão
Não lhe pergunta qual é.

Não quer saber se ele tem
Uma candeia com luz,
Se pratica o mal ou o bem,
Se tem mais fé com o demônio
Do que mesmo com Jesus,
Não quer saber se ele tem.

Nem procura examinar
Se tem filhos ou mulher;
Se esse alguém vai-se casar,
Se tem pai e se tem mãe,
Nada disso a morte quer,
Nem procura examinar.

Para a morte não existe
Anéis de grau de doutor,
Nem homem alegre ou triste,
Nem mulher bonita ou feia,
Saúde, beleza e dor,
Para a morte não existe.

Para o pobre, para o rico
Nunca tem contemplação;
Como o corvo bate o bico
Por cima de um peixe podre,
Ela vem de supetão
Para o pobre, para o rico...

O cristão ou o pecador
Ela conduz sem ruído,
Não perde tempo em clamor,
Em atenções e conversas,
Leva sem tempo perdido
O cristão ou o pecador.

O que segue vai com unção,
Rogando com fervor terno
Ao santo da devoção
Que o afaste do diabo
E dos horrores do inferno,
O que segue vai com unção.

Mas ele mesmo é quem faz
Os prantos ou gozos seus;
Na tempestade ou na paz,
Essa questão de ficar
Com Satanás ou com Deus,
É ele mesmo quem faz.

Juvenal Galeno

NASCIDO em Fortaleza e desencarnado na mesma cidade, em 1931, com 95 anos de idade. É um vulto literário inconfundível no cenáculo do seu tempo, impondo-se justamente pela naturalidade e espontaneidade do seu estro. Chamaram-lhe – “Béranger brasileiro”. Sua musa foi elogiada por Castilho, José de Alencar, Machado de Assis, Silvio Romero, etc.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

quinta-feira, 30 de maio de 2019

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - POBRES. - JUVENAL GALENO.


POBRES.


Mal clareia o Sol a serra,
Toca a vida a despertar:
O pobre se pôs há muito,
Sem descanso, a labutar.
Ao levantar-se da cama,
Inda é espessa a escuridão,
A fome lhe bate à porta,
Persegue-lhe a precisão.

Ao acordar, ele escuta
O coração a gritar:
“Quem não trabuca não come,
Já chega de repousar!”
Busca, então, o seu trabalho,
Tudo ajeita, tudo faz,
Rasga a terra, corta os matos,
Luta e sua, não tem paz.

Planta o milho, planta a cana,
Batatas, couves, feijão;
Três quartas partes de tudo
Pertencem ao seu patrão.
Quando a semente germina
E os ramos querem crescer,
Vem a seca sem piedade
E o pobre espera chover.

Não vem a chuva, porém;
Nada existe no paiol,
As plantas já se amarelam,
Arde a terra, queima o Sol.
Quando o pobre vai à mesa,
O estômago pede mais,
Mas se quer repetições,
Que cuide dos mandiocais.

Redobra o pobre os serviços,
Espalha o pé nos gerais,
Ah! que a água já está pouca
Nos rios, nos seringais.
Contudo, ele espera sempre
Do Deus que o ama, que o vê,
E sempre resignado,
O pobre nunca descrê.

O certo é que ao fim do tempo
De constante batalhar,
Aguarda a minguada espiga
Que decerto há de ficar.

Plenamente contentado
Com o pouco do seu suor,
Deus lhe dará no outro ano
Uma colheita melhor.

Se geme, se sofre dor,
Não possui um só real
Pra consultar um doutor.
Então, resolve pedir
Ao patrão que sempre o tem,
Mas o patrão avarento
Não adianta vintém.
Arrasta-se e vai ao médico
E lhe expõe o seu sofrer:
“Não tem recomendações?
Então não posso atender.”

O pobre, humilde e paciente,
Regressa para o seu lar,
E pensa nos outros meios
Da saúde lhe voltar.
E põe em prática os meios:
As beberagens, o chá,
As promessas aos seus santos,
Os vinhos de jatobá.

Ai! que sorte rude e amarga
Do pobre sempre a sofrer:
Se vive para o trabalho,
Trabalha para comer.

Se a morte vem ao seu ninho
E lhe rouba o filho, os pais,
Não lhes pode dar a missa,
Que o padre cobra demais.

Dá-lhes porém seu tesouro,
Sublime estrela que brilha
Da mais rica devoção –
A prece que nasce d'alma,
Que fulge no coração.

Mesmo assim, quanta tortura,
Que amargosa a sua dor!
A todo o instante da vida
Luta o pobre sofredor.

Se tem pão não tem saúde,
Se tem saúde, não tem
Quem o ampare, quem o ajude,
O braço amigo de alguém.

Se outrem lhe ofende e ele pede
Da Justiça a punição,
A Justiça o encarcera
Com a sua reprovação.

Não tem casas de morada,
Nem terrenos, nem ovil;
Se lhe falta o pão do dia
Falta azeite no candil.

Se bate à porta do rico,
Mormente dum rico mau,
Os cães o tocam da porta,
E em vez de pão, ganha pau.

O pobre só tem na vida
A doce mão de Jesus,
Que o cura na enfermidade,
Que na treva lhe dá luz.

Mal do pobre se não fora.
O carinho dessa mão,
Que o conforta na desgraça
E ampara na provação.

Mal dele se não houvesse
A vida depois da dor,
Após a morte, onde existem
Justiça, ventura, amor.

Juvenal Galeno

NASCIDO em Fortaleza e desencarnado na mesma cidade, em 1931, com 95 anos de idade. É um vulto literário inconfundível no cenáculo do seu tempo, impondo-se justamente pela naturalidade e espontaneidade do seu estro. Chamaram-lhe – “Béranger brasileiro”. Sua musa foi elogiada por Castilho, José de Alencar, Machado de Assis, Silvio Romero, etc.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

segunda-feira, 27 de maio de 2019

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - AVES E ANJOS. - JÚLIO DINIZ. ( CHICO XAVIER.)

                  AVES E ANJOS.

Passarinhos... passarinhos...
Aconchegados nos ninhos,
Lares de amor doce e brando,
Pequeninos trovadores
Entre as árvores e as flores,
Cantando...
Cantando...

Crianças, anjos suaves,
Mimosas quais bandos de aves
Cortando um céu claro e lindo,
Açucenas perfumadas,
Com as pétalas orvalhadas,
Sorrindo....
Sorrindo...

Hino terno de esperanças
Das aves e das crianças,
Vai-se com a luz misturando,
Tecendo as horas serenas
Das alegrias terrenas,
Sorrindo...
Cantando...

Júlio Diniz

POETA português, nascido em 1839 e desencarnado na cidade do Porto, em 1871. Com este pseudônimo, pois que o seu nome é Joaquim Guilherme Gomes Coelho, notabilizou-se mais como romancista, principalmente com As Pupilas do Senhor Reitor. A edição póstuma de Poesias exaltou, di-lo um comentador, as suas qualidades primaciais de prosador, sem embargo de possuírem os seus versos um certo encanto melancólico.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)