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quarta-feira, 29 de maio de 2013

- ESTUDANDO O LIVRO DOS MÉDIUNS. - CAPÍTULO IV. - SISTEMAS. - 51. Eis aqui a resposta dada, a esse respeito, por um Espírito. - ALLAN KARDEC

                                               CAPÍTULO IV.

                                                    SISTEMAS.

            51. Eis aqui a resposta dada, a esse respeito, por um Espírito: 

            “O que uns chamam de perispírito não é outra coisa senão o que os outros chamam de envoltório material fluídico. Direi, para me fazer compreender de maneira mais lógica, que esse fluido é a perfectibilidade dos sentidos, a extensão da vista e das idéias: falo dos Espíritos elevados. Quanto aos Espíritos inferiores, os fluidos terrestres são ainda completamente inerentes a eles; pois são matéria, como vedes; daí os sofrimentos da fome, do frio, etc., sofrimentos que não podem experimentar os Espíritos superiores, uma vez que os fluidos terrestres são depurados ao redor do pensamento, quer dizer, da alma. A alma, para seu progresso, tem sempre, necessidade de um agente; a alma, sem agente, não é nada para vós ou, melhor dizendo, não pode ser concebida por vós. O perispírito, para nós, Espíritos errantes, é o agente pelo qual nos comunicamos convosco, seja indiretamente pelo vosso corpo ou vosso perispírito, seja diretamente à vossa alma; daí os infinitos matizes de médiuns e de comunicações. Agora, resta o ponto de vista científico, quer dizer, a própria essência do perispírito; este é um outro assunto. Compreendei primeiro moralmente; não resta mais do que uma discussão sobre a natureza os fluidos, o que é inexplicável no momento; a ciência não conhece bastante, mas lá chegara se quiser caminhar com o Espiritismo. O perispírito pode variar e mudar ao infinito; a alma é o pensamento: não muda de natureza; a esse respeito não vades mais longe, é um ponto que não pode ser explicado. Credes que não procuro como vós? Vós buscais o perispírito; nós buscamos a alma. Esperai, pois. – Lamennais”.
            Assim, se os espíritos que se podem considerar como avançados, não puderam ainda sondar a natureza da alma, como poderíamos fazê-lo nós mesmos? Vai, pois, perder seu tempo quem quiser perscrutar o princípio das coisas, que, como está dito em O Livro dos Espíritos (nºs 17,49) está nos segredos de Deus. Pretender explorar, com a ajuda do Espiritismo, o que não é ainda da alçada da Humanidade, é desviar-se de seu verdadeiro objetivo; é fazer como a criança que quisera saber tanto como o velho. Que o homem utilize o Espiritismo para seu adiantamento moral, é o essencial; o resto não é senão curiosidade estéril e, frequentemente, orgulhosa, cuja satisfação não lhe fará dar nenhum passo à frente; o único meio de avançar é o de tornar-se melhor. Os Espíritos que ditaram o livro que leva seu nome provaram sua sabedoria, limitando-se, no que concerne ao princípio das coisas, nos limites de Deus que não permite atravessar, deixando aos Espíritos sistemáticos e presunçosos a responsabilidade das teorias antecipadas e errôneas, mas sedutoras que sólidas, e que cairão um dia Dante da razão, como tantas outras saídas dos cérebros humanos. Não disseram senão o que era necessário para fazer o homem compreender o futuro qu o espera, e, por isso mesmo, encorajá-lo ao bem. (Veja-se, em continuação, 2ª parte, cap. 1º, Ação dos Espíritos sobre a matéria.)

            Fonte: O Livro dos Médiuns - Allan Kardec - 18 º edição - Abril de 1991, Editora Instituto de difusão Espírita de Araras, SP.                     


                                   RHEDAM.(rrhedam@gmail.com)

quinta-feira, 23 de maio de 2013

- ESTUDANDO O LIVRO DOS MÉDIUNS. - CAPÍTULO IV. - SISTEMAS. - ITEM Nº. 50. Sistema da alma material. - ALLAN KARDEC


                                          CAPÍTULO IV.

                                                SISTEMAS.

            50. Sistema da alma material; consiste, unicamente, numa opinião particular sobre a natureza íntima da alma. Segundo esta opinião, a alma e o perispírito não seriam duas coisas distintas, ou, melhor dizendo, o perispírito não seria outro senão a própria alma, se depurando gradualmente pelas diversas transmigrações, como o álcool se depura pelas diversas destilações, enquanto a Doutrina Espírita não considera o perispírito senão como o envoltório fluídico da alma ou do Espírito. O perispírito sendo matéria, embora muito etérea, a alma seria assim de uma natureza material mais ou menos essencial segundo o grau da sua depuração.
            Este sistema não infirma nenhum dos princípios fundamentais da Doutrina Espírita, porque nada muda na destinação da alma: as condições de sua felicidade futura são sempre as mesmas; a alma e o perispírito formam um todo, sob o nome de Espírito, como o germe e o perisperma o formam sob o nome de fruto; toda a questão se reduz em considerar o todo como homogêneo, em lugar de estar formado por duas partes distintas.
            Como se vê, isso não leva a nenhuma conseqüência, e disso não teríamos falado se não tivéssemos encontrado pessoas inclinadas a ver uma nova escola no que não é, definitivamente, senão uma simples interpretação de palavras. Esta opinião, de resto muito restrita, fosse mesmo mais geral, não constituiria uma cisão entre os espíritas, mais do que as duas teorias da emissão ou das ondulações da luz não foi uma entre os físicos. Os que quisessem formar partido por uma questão tão pueril, provariam, só por isso, que dão mais importância ao acessório do que à coisa principal, e que são levados à desunião por Espíritos que não podem ser bons, porque os bons Espíritos não insuflam jamais a acrimônia e a cizânia; por isso exortamos todos os verdadeiros espíritas a se porem em guarda contra semelhantes sugestões, e não ligar a certos detalhes mais importância do que merecem; o essencial é o fundo.
            Cremos necessário dever dizer, em poucas palavras, sobre o que se apóia a opinião daqueles que consideram a alma e o perispírito como duas coisas distintas. Está fundada nos ensinamentos dos Espíritos, que jamais variaram a esse respeito; falamos dos Espíritos esclarecidos, porque entre eles há os que não sabem mais, e mesmo menos do que os homens, ao passo que a teoria contrária é uma concepção humana. Não inventamos, nem supusemos o perispírito para explicar os fenômenos; sua existência nos foi revelada pelos Espíritos, e a observação no-la confirmou (O Livro Dos Espíritos, nº 93). Ela se apóia, ainda, sobre o estudo das sensações dos Espíritos (O Livro dos Espíritos, nº 257) e, sobre tudo, sobre os fenômenos das aparições tangíveis que implicariam, segundo a outra opinião, a solidificação e a desagregação das partes constituintes da alma e por conseqüência, sua desorganização. Seria necessário, por outro lado, que esta matéria, que pode impressionar os sentidos, fosse, ela mesma, o princípio inteligente, o que não é mais racional que confundir o corpo com a alma, ou a veste com o corpo. Quanto a natureza íntima das almas, nos é desconhecida. Quando se diz que é imaterial, é preciso entender no sentido relativo, e não absoluto, porque a imaterialidade absoluta seria o nada; ora, a alma ou Espírito é alguma coisa; que-se dizer que sua essência é de tal modo superior que não tenha nenhuma analogia com aquilo que nós chamamos matéria e, assim, para nós, é imaterial (O Livro dos Espíritos, nº 23 e 82).

            Fonte: O Livro dos Médiuns - Allan Kardec - 18 º edição - Abril de 1991, Editora Instituto de Difusão Espírita de Araras, SP.                     

                                   RHEDAM.(rrhedam@gmail.com)

segunda-feira, 13 de maio de 2013

- ESTUDANDO O LIVRO DOS MÉDIUNS. - CAPÍTULO IV. - SISTEMAS. - 49. Sistema multiespírita ou poliespírita. - ALLAN KARDEC.


                                          CAPÍTULO IV.

                                               SISTEMAS.

            49. Sistema multiespírita ou poliespírita. Todos os sistemas que passamos em revista, sem executar os que são no sentido negativo, repousam sobre algumas observações, mas incompletas ou mal interpretadas. Se uma casa é vermelha de um lado e branca do outro, aquele que não a tenha visto senão de um lado afirmará que é vermelha, um outro que é branca: todos os dois estarão em erro e com a razão; mas aquele que tenha visto a casa de todos os lados dirá que é vermelha e branca, e será o único com a verdade. Ocorre o mesmo com relação à opinião que se faz do Espiritismo: pode ser verdadeira em certos aspectos, e falsa se se generaliza o que não é senão exceção, pelo todo o que não é senão a parte. Por isso dissemos que quem quer estudar seriamente esta ciência deve ver muito e por muito tempo; somente o tempo lhe permitirá apanhar os detalhes, notar as nuanças delicadas, observar uma multidão de fatos característicos que serão para ele raios de luz; mas se se detém na superfície, expõe-se a formar um julgamento prematuro e, por conseqüências gerais que foram deduzidas de uma observação completa, que formam atualmente a crença, pode-se dizer, da universalidade dos espíritas, porque os sistemas restritivos não são mais do que opiniões isoladas.

            1 º. Os fenômenos espíritas são produzidos por inteligências extra-corpóreas, ou melhor dito pelos Espíritos.

            2 º. Os Espíritos constituem o mundo invisível; estão por toda parte; os espaços são por eles povoados ao infinito; estão, sem cessar, ao nosso redor e com eles estamos em contato.

            3 º.  Os Espíritos reagem, incessantemente, sobre o mundo físico e sobre o mundo moral, e são uma das forças da Natureza.

            4 º. Os Espíritos não são seres à parte na criação; são as almas daqueles que viveram sobre a Terra ou em outros mundos, e que deixaram seu envoltório corporal; de onde se segue que as almas dos homens são Espíritos encarnados;e que morrendo nos tornamos Espíritos.

            5 º. Há Espíritos de todos os graus da bondade e da malícia, de saber e de ignorância.

            6 º. Todos estão submetidos à lei do progresso, e todos podem alcançar a perfeição; mas como têm seu livre arbítrio, alcançam-na em um tempo mais ou menos longo, segundo seus esforços e sua vontade.

            7 º. São felizes ou infelizes, segundo o bem ou o mal que fizeram durante sua vida e o grau de adiantamento que atingiram. A felicidade perfeita e sem mescla não é partilhada senão pelos Espíritos chegados ao supremo grau de perfeição.

            8 º. Todos os Espíritos, em circunstâncias dadas, podem se manifestar aos homens; o número dos que podem se comunicar é indefinido.

9 º. Os Espíritos se comunicam por intermédio de médiuns, que lhes servem de instrumentos e de intérpretes.

10 º. Reconhecem-se a superioridade ou a inferioridade dos Espíritos por sua linguagem; os bons não aconselham senão o bem e não dizem senão coisas boas; tudo neles atesta a elevação; os maus enganam, e todas as suas palavras carregam a marca da imperfeição e da ignorância.
Os diferentes graus que os Espíritos percorrem estão indicados na Escala Espírita (O Livro dos Espíritos, livro II, Cap. I, nº. 100). O estudo dessa classificação é indispensável para apreciar a natureza dos Espíritos que se manifestam, suas boas e más qualidades.

            Fonte: O Livro dos Médiuns - Allan Kardec - 18 º edição - Abril de 1991, Editora Instituto de difusão Espírita de Araras, SP.                     

                                   RHEDAM.(rrhedam@gmail.com)

domingo, 5 de maio de 2013

- ESTUDANDO O LIVRO DOS MÉDIUNS. - CAPÍTULO IV. - SISTEMAS. - 48. Sistema uniespírita ou monoespírita. - ALLAN KARDEC.


                                          CAPÍTULO IV.

                                                SISTEMAS.

            48. Sistema uniespírita ou monoespírita. Uma variedade do sistema otimista consiste na crença de um único Espírito se comunica com os homens, e que esse Espírito é o Cristo, que é o protetor da Terra. Quando se vêem comunicações da mais baixa trivialidade, de uma grosseria revoltante, impregnada de malevolência e de maldade, seria profanação e impiedade supor que pudessem emanar do Espírito do bem por excelência. Ainda, se aqueles que creem não tivessem jamais tido comunicações irreprocháveis, conceber-se-ia sua ilusão; mas a maioria concorda em as haver tido muito más,  o explicam dizendo ser uma prova que o bom Espírito lhes faz sofrer, ditando-lhes coisas absurdas; deste modo, enquanto que uns atribuem todas as comunicações ao diabo, que pode dizer coisas boas para tentar, outros pensam que só Jesus se manifesta, e pode dizer coisas más para provar. Entre essas duas opiniões tão inversas, quem julgará? O bom-senso e a experiência. Dizemos a experiência porque é impossível que aqueles que professam idéias tão exclusivas, tenha visto tudo, e tudo bem visto.
            Quando se lhe objeta com os fatos  de identidade que atestam a presença de parentes, amigos ou conhecidos, pelas manifestações escritas, visuais ou outras, respondem que é sempre o mesmo Espírito, o diabo segundo uns, o Cristo segundo outros, que tem todas as formas; mas, não nos dizem por que os outros Espíritos não podem se comunicar, com qual objetivo o Espírito de Verdade viria nos enganar, apresentando-se sobre falsas aparências, iludir uma pobre mãe, fazendo a crer, mentirosamente, que ele é o filho por quem chora. A razão se recusa a admitir que o Espírito Santo, entre todos, se rebaixe para executar uma semelhante comédia. De outra parte, negar a possibilidade de quaisquer outra comunicação, não é tirar do Espiritismo o que tem de mais doce; o consolo dos aflitos? Digamos, muito simplesmente, que um semelhante sistema é irracional e não pode suportar um exame sério.

            Fonte: O Livro dos Médiuns - Allan Kardec - 18 º edição - Abril de 1991, Editora Instituto de difusão Espírita de Araras, SP.                     

                                   RHEDAM.(rrhedam@gmail.com)

domingo, 28 de abril de 2013

- ESTUDANDO O LIVRO DOS MÉDIUNS, - CAPÍTULO IV. - SISTEMAS. - 47. Sistema otimista. - ALLAN KARDEC.


                                               CAPÍTULO IV.

                                                     SISTEMAS.

            47. Sistema otimista. Ao lado daqueles que não vêem nesses fenômenos senão a ação dos demônios, há outros que não viram senão a dos bons Espíritos; supuseram que a alma, estando separada da matéria, nenhum véu existia mais para ela, e ela deveria ter a soberana ciência e a soberana sabedoria. Sua confiança cega nessa superioridade absoluta dos seres do mundo invisível, foi para muitos a fonte de muitas decepções; aprenderam, às suas custas, a desconfiar de certos Espíritos, assim como de certos homens.

                        Fonte: O Livro dos Médiuns - Allan Kardec - 18 º edição - Abril de 1991, Editora Instituto de difusão Espírita de Araras, SP.                     

                                   RHEDAM.(rrhedam@gmail.com)

segunda-feira, 22 de abril de 2013

- ESTUDANDO O LIVRO DOS MÉDIUNS. - CAPÍTULO IV. - SISTEMAS. - 46. Continuação. – Sistema pessimista, diabólico ou demoníaco. - ALLAN KARDEC.



                                               CAPÍTULO IV.

                                                      SISTEMAS.

        46. Continuação. – Sistema pessimista, diabólico ou demoníaco.

            Cremos que certas pessoas professaram essa doutrina de boa fé; mas cremos, também, que outras o fizeram unicamente para evitarem de se ocupar com essas coisas, por causa das más comunicações a que estão expostos a receber; dizendo que só o diabo se manifesta, quiseram assustar, mais ou menos como quando se diz a uma criança; não toques nisto, porque isso queima. A intenção pode ser boa, mas o fim é errado; porque a proibição só excita a curiosidade, e o medo do diabo retém a bem pouca gente; se quer vê-lo, seja apenas para ver como é feito, e se fica muito admirado de não encontrá-lo tão negro como se havia acreditado.
            Não se poderia ver também um outro motivo nessa teoria do diabo? Há pessoas que acham que todos os que não são de sua opinião estão errados, ora, os que pretendem que todas as comunicações são obra do demônio, não estariam movidas pelo medo de não se acharem os Espíritos de acordo com eles em todos os pontos, mais ainda sobre os que tocam os interesses deste mundo mais do que do outro? Não podendo negar os fatos, quiseram apresentá-los de maneira apavorante; mas esse meio não impediu o avanço mais do que os outros. Onde o medo do ridículo é impotente, é preciso resignar-se a deixar passar as coisas.
            Um muçulmano que ouvisse um Espírito falar contra certas leis do Corão pensaria, certamente, que este era um mau Espírito; o mesmo seria com um judeu no que concerne a certas práticas da lei de Moisés. Quanto aos católicos, ouvimos um deles afirmar que o Espírito que se comunicava não podia ser senão o do diabo, porque se havia permitido pensar de outro modo que ele sobre o poder temporal, ainda que não houvesse, de resto, pregado senão a caridade, a tolerância, o amor ao próximo, e a abnegação das coisas deste mundo, máximas ensinadas pelo Cristo.
            Os Espíritos, não sendo outros que as almas dos homens, e os homens não sendo pereitos, disso resulta que há Espíritos igualmente imperfeitos e cujo caráter se reflete nas suas comunicações. É um fato incontestável que há maus, astuciosos, profundamente hipócritas, e contra os quais é preciso manter-se em guarda; mas, porque se encontram no mundo homens perversos, não é uma razão para se fugir de toda a sociedade. Deus nos deu a razão e o juízo para apreciar os Espíritos, assim como os homens. O melhor meio de se presumir contra os inconvenientes que pode apresentar a prática do Espiritismo, não é o interditá-lo, mas o de fazê-lo compreender. Um medo imaginário não impressiona senão um instante e não afeta todo mundo, a realidade, claramente demonstrada, é compreendida por todos.

            Fonte: O Livro dos Médiuns - Allan Kardec - 18 º edição - Abril de 1991, Editora Instituto de difusão Espírita de Araras, SP.                     

                                   RHEDAM.(rrhedam@gmail.com)

domingo, 14 de abril de 2013

- ESTUDANDO O LIVRO DOS MÉDIUNS. - CAPÍTULO IV. - SISTEMAS. - 46. – Sistema pessimista, diabólico ou demoníaco. - ALLAN KARDEC.


                                                CAPÍTULO IV.

                                                      SISTEMAS.

                46. – Sistema pessimista, diabólico ou demoníaco.

            Aqui entramos em outra ordem de idéias. Estando contatada a interferência de uma inteligência estranha, tratava-se de saber qual era a natureza dessa inteligência. O meio mais simples era, sem dúvida, o de perguntar-lhes; mas certas pessoas não encontravam nisso uma garantia suficiente, e não quiseram ver, em todas as manifestações, senão uma obra diabólica; segundo eles, só o diabo ou os demônios podiam se comunicar. Embora esse sistema encontre pouco eco hoje, não deixou de gozar, por momentos, de algum crédito, pelo caráter daqueles que procuram fazê-lo prevalecer. Fomos notar, todavia, que os partidários do sistema demoníaco não devem ser colocados entre os adversários do Espiritismo, bem ao contrário. Que os seres que se comunicam sejam demônios ou anjos, são sempre seres incorpóreos; ora, admitir a manifestação dos demônios, é sempre admitir a possibilidade de comunicar com o mundo invisível, ou, pelo menos, com uma parte desse mundo.
            A crença na comunicação exclusiva dos demônios, por irracional que seja, podia não parecer impossível quando se consideravam os Espíritos como seres criados fora da Humanidade; mas, desde que se sabe que os Espíritos não são outra coisa que as almas que viveram, perdeu todo o seu prestígio e, pode-se dizer, toda a sua verossimilhança; porque se seguiria que todas essas almas são demônios, fosse eles de um pai, de um filho, de um amigo, e que nós mesmos, morrendo, nos tornamos demônios, doutrina pouco lisonjeira e pouco consoladora para muita gente. Será bem difícil de persuadir a uma mãe de que o filho querido que ela perdeu e que vem lhe dar, depois da sua morte, provas da sua afeição e de sua identidade, seja um agente de satanás. É verdade que, entre os Espíritos, há os que são maus e não valem mais do que aqueles a que chamam demônios, por uma razão bem simples, a de que há homens muito maus aos quais a morte não torna irremediavelmente melhores; a questão é saber se estes são os únicos que podem se comunicar. Àqueles que assim pensam, endereçamos as seguintes questões:

            1 ª. Há bons e maus Espíritos?

            2 ª. Deus é mais poderoso do que os maus Espíritos ou demônios, se quereis chamá-lo assim?

            3 ª. Afirmar que só os maus se comunicam, é dizer que os bons não podem fazê-lo; se assim é, de duas uma; isto se passa pela vontade, é que os maus Espíritos são mais poderosos do que Ele; se é por uma questão de vontade, por que, em sua bondade, não o permitiria aos bons, para contrabalançar a influência dos outros?

            4 ª. Que provas podeis dar da impossibilidade dos bons Espíritos em se comunicar?

            5 ª. Quando se vos opões a sabedoria de certas comunicações, respondeis que o demônio torna todas as máscaras para melhor seduzir. Sabemos, com efeito, que há Espíritos hipócritas que dão à sua linguagem um falso verniz de sabedoria; mas admitis que a ignorância possa imitar o verdadeiro saber, e uma natureza má imitar a verdadeira virtude, sem deixar nada perceber que pudesse revelar a fraude?

            6 ª. Se só o demônio se comunica, pois que é inimigo de deus e dos homens, por que recomenda orar a Deus, se submeter à sua vontade, sofrer sem murmurar as tribulações da vida, não ambicionar nem as honras e nem as riquezas, praticar a caridade e todas as máximas do Cristo; em uma palavra, fazer tudo o que é necessário para destruir o se um império? Se é o demônio que dá tais conselhos, é preciso convir que, por astuto que seja, é bem inábil para prover armas contra si mesmos. ( Ler em O Livro dos Espíritos questão nº. 128 e seguintes.)

            7 ª. Se os Espíritos se comunicam é porque Deus o permite; vendo as boas e  más comunicações, não é mais lógico pensar que Deus permite umas par nos experimentar,  e outras para nos aconselhar o bem?

            8 ª. Que pensaríeis de um pai que deixasse seu filho à merce de exemplos e conselhos  perniciosos, que o afastasse de si, e que lhe proibisse ver as pessoas que o pudessem desviá-los do mal? O que um bom pai não faria, deve-se pensar que Deus, que é a bondade por excelência, fizesse menos do que faria um homem?

            9 ª. A igreja reconhece como autênticas certas manifestações da Virgem e outros santos, nas aspirações, visões, comunicações orais, etc; esta crença não é contraditória com a doutrina da comunicação exclusiva dos demônios?

            Fonte: O Livro dos Médiuns - Allan Kardec - 18 º edição - Abril de 1991, Editora Instituto de difusão Espírita de Araras, SP.                     

                                   RHEDAM.(rhedam@gmail.com)

domingo, 7 de abril de 2013

- ESTUDANDO O LIVRO DOS MÉDIUNS. - CAPÍTULO IV. - SISTEMAS. - 45. – Sistema sonambúlico. - ALLAN KARDEC.


                                            CAPÍTULO IV.

                                                 SISTEMAS.

            45. – Sistema sonambúlico. Este sistema fez mais partidários, e conta mesmo, ainda, com alguns. Como o precedente, admite que todas as comunicações inteligentes têm sua origem na alma ou espírito do médium; mas, para explicar sua aptidão, para tratar de assuntos de fora dos seus conhecimentos, em lugar de supor nele uma alma múltipla, atribui essa aptidão a uma superexcitação momentânea das faculdades mentais, a uma espécie de estado sonambúlico ou extático, que exalta e desenvolve sua inteligência. Não se pode negar, em certos casos, a influência dessa causa; mas basta ter visto operar a maioria dos médiuns para se convencer de que ela não pode resolver todos os fatos, e que ela não pode resolver todos os fatos, e que forma a exceção e não aregra. Poder-se-ia crer que assim ocorre, se o médium tivesse sempre o ar de um inspirado ou extático, aparência, aliás, que poderia perfeitamente simular se quisesse representar uma comédia; mas, como crer na inspiração, quando o médium escreve como uma máquina, sem ter a menor consciência daquilo que obtém, sem a menor emoção, sem se ocupar do que faz, olhando para outra parte, rindo e fazendo diferentes coisas? Concebe-se a superexcitação das idéias, mas não se compreende como possa fazer escrever àquele que não escrever, e ainda mais quando as comunicações são transmitidas por pancadas, ou com a ajuda de prancheta ou de uma cesta. Veremos, na continuação desta obra, a parte que é preciso conceder à influência das idéias do médium; mas os fatos nos quais a inteligência estranha se revela por sinais incontestáveis são tão numerosos e evidentes, que não podem deixar dúvida a seu respeito. O erro da maioria dos sistemas nascidos na origem Espiritismo, foi ter tirado conclusões gerais de alguns fatos isolados.

            Fonte: O Livro dos Médiuns - Allan Kardec - 18 º edição - Abril de 1991, Editora Instituto de difusão Espírita de Araras, SP.                     

                                   RHEDAM.(rrhedam@gmail.com)

domingo, 31 de março de 2013

- ESTUDANDO O LIVRO DOS MÉDIUNS. - CAPÍTULO IV. - SISTEMAS. - 44. – Sistema da alma coletiva. - ALLAN KARDEC.


                                               CAPÍTULO IV.

                                                    SISTEMAS.

            44. – Sistema da alma coletiva. É uma variante do precedente. Segundo esse sistema, só a alma do médium se manifesta mas, se identifica ela com a de várias outras pessoas presentes ou ausentes, e forma um todo coletivo reunindo as aptidões, a inteligência e os conhecimentos de cada um. Ainda que a brochura onde essa teoria está exposta seja intitulada a luz (Comunhão. A luz do fenômeno do Espírito, Emah Tirpsé.), ela nos pareceu de um estilo muito obscuro; confessamos tê-la compreendido pouco., e dela não falamos senão de memória. É, aliás, como muitas outras, uma opinião pessoal que fez poucos prosélitos. O Nome de Emah Tirpsé é o que toma o autor para designar o ser coletivo que representa. Toma por epígrafe: Não nada de oculto que não deva ser conhecido. Esta proposição é evidentemente falsa, porque há uma multidão de coisas que o homem não pode e não deve saber; bem presunçoso seria aquele que pretendesse penetrar todos os segredos de Deus. 

            Fonte: O Livro dos Médiuns - Allan Kardec - 18 º edição - Abril de 1991, Editora Instituto de difusão Espírita de Araras, SP.                     

                                   RHEDAM.(rrhedam@gmail.com)

domingo, 10 de março de 2013

- ESTUDANDO O LIVRO DOS MÉDIUNS. - CAPÍTULO IV. - SISTEMAS. - 43. Sistema do Reflexo. - ALLAN KARDEC.


                                                 CAPÍTULO IV.

                                                     SISTEMAS.

            43. Sistema do reflexo. A ação inteligente, uma vez reconhecida, restava saber qual era a fonte dessa inteligência. Pensou-se que poderia ser a do médium ou dos assistentes, que se refletiam como a luz ou os raios sonoros. Isso era possível: só a experiência poderia dizer a última palavra. Mas, primeiro, notemos que este sistema já se afasta completamente da ideia puramente materialista; para que a inteligência dos assistentes pudesse se reproduzir por via indireta, era necessário admitir, no homem, um princípio fora do organismo.
            Se o pensamento manifesto tivesse sido sempre dos assistentes, a teoria da reflexão teria sido confirmada; ora, o fenômeno, mesmo reduzido a esta proporção, não era do mais alto interesse? O pensamento, repercutindo em um corpo inerte e se traduzindo pelo movimento e pelo ruído, não era uma coisa bem notável? Não havia aí o que excitar a curiosidade dos sábios? Por que, pois, o desdenharam, eles que se casaram à procura de uma fibra nervosa?
            Só a experiência, dissemos, podia negar ou dar razão a essa teoria, e a experiência a negou, por que demonstra a cada instante, e por fatos os mais positivos, que o pensamento manifestado pode ser não somente estranho aos assistentes, mas frequentemente, lhe é inteiramente contrário; que vem contraditar todas as ideias pré-concebidas, frustar todas as previsões; com efeito, quando penso branco e me responde preto, me é difícil crer que a resposta vem de mim. Apoie-se em alguns casos de identidade entre o pensamento análogo ao vosso, direis, por isso, que ele veio de vós? Bastam alguns exemplos contrários bem constatados para provar que essa teoria não pode ser absoluta. De que forma, aliás, explicar, pela reflexão do pensamento, a escrita produzida por pessoas que não sabem escrever, as respostas da mais alta importância filosófica obtidas por pessoas iletradas, as que são dadas a perguntas mentais ou numa língua desconhecida do médium, e milhares de outros fatos que não deixam dúvida sobre a independência da inteligência que se manifesta? A opinião contrária não pode ser senão o resultado de um defeito de observação.
            Se a presença de uma inteligência estranha está provada moralmente pela natureza das respostas, o está materialmente pelo fato da escrita direta, quer dizer, escrita obtida espontaneamente, sem caneta nem lápis, sem contato, e não obstante todas as precauções tomadas para se garantir de todo subterfúgio. O Caráter inteligente do fenômeno não poderia ser posto em dúvida: portanto, a outra coisa além da ação fluídica. Demais disso, a espontaneidade do pensamento manifestado fora de toda a expectativa, de toda pergunta proposta, não permite ver nele um reflexo do pensamentos dos assistentes.
            O sistema do reflexo é bastante descortês em certos casos; quando, em uma reunião da pessoas honestas, sobrevém, inopinadamente, uma dessa comunicações revoltantes de grosseria, isso seria fazer um muito mau juízo dos assistentes, pretendendo que ela provém de um deles, e é provável que cada um se apressaria em repudiá-la. ( Ver O livro dos Espíritos, Introdução, 16.)

            Fonte: O Livro dos Médiuns - Allan Kardec - 18 º edição - Abril de 1991, Editora Instituto de difusão Espírita de Araras, SP.                     

                                   RHEDAM.(rrhedam@gmail.com)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

- ESTUDANDO O LIVRO DOS MÉDIUNS. - CAPÍTULO IV. - SISTEMAS. - QUESTÃO N º. 42. - ALLAN KARDEC.


                                                  CAPÍTULO IV.

                                                      SISTEMAS.

            42. Sistemas das causas físicas. Aqui saímos do sistema da negação absoluta. A realidade dos fenômenos estando averiguada, o primeiro pensamento que veio naturalmente ao espírito daqueles que os reconheceram que veio naturalmente ao espírito daqueles que os reconheceram, foi o de atribuir os movimentos ao magnetismo, à eletricidade, ou à ação de fluido qualquer, em uma palavra, a uma causa toda física e material. Essa opinião não teria nada de irracional e teria prevalecido se o fenômeno tivesse se limitado aos efeitos puramente mecânicos. Uma circunstância parecia mesmo corroborá-la: era, em certos casos, o aumento da força em razão do número de pessoas; cada uma delasassim, poderia ser considerada como um dos elementos de uma pilha elétrica humana. O que caracteriza uma teoria verdadeira, já o dissemos, é poder explicar tudo mas, que se um só fato vem contradizê-la, é porque é falsa, incompleta ou muito absoluta. Ora, foi o que não tardou a ocorrer aqui. Esses movimentos e esses golpes deram sinais inteligentes, obedecendo à vontade e respondendo ao pensamento; deviam ter, pois, uma causa inteligente. Desde que o efeito cessou de ser puramente físico, a causa, por isso mesmo, deveria ter uma outra fonte; também o sistema de ação exclusiva de um agente material foi abandonado e não se o encontra senão entre aqueles que julgam a priori e sem terem visto. O ponto capital, portanto, está em constar a ação inteligente, na qual pode se convencer quem quiser se dar ao trabalho de observar.

            Fonte: O Livro dos Médiuns - Allan Kardec - 18 º edição - Abril de 1991, Editora Instituto de difusão Espírita de Araras, SP.                     

                                   RHEDAM.(rrhedam@gmail.com)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

- ESTUDANDO O LIVRO DOS MÉDIUNS. - CAPÍTULO IV. - SISTEMAS. - Nº. 41. - SISTEMA DO MÚSCULO ESTALANTE. - ALLAN KARDEC.


                                                        CAPÍTULO IV.

                                                             SISTEMAS.

            41. Sistema do músculo estalante. Se assim é para a visão, não poderia ser de outra forma quanto à audição, e, quando as pancadas são ouvidas por toda uma assembçéia, não se pode, razoavelmente, atribuí-las a uma ilusão. Descartamos, evidentemente, toda idéia de fraude, e supomos que uma observação atente constatou que elas não são devidas a nenhuma causa fortuita ou material.
            É verdade que um sábio médico deu-lhe uma explicação, segundo ele: peremptória. “A causa está, disse ele, nas contrações voluntárias ou involuntárias do tendão do muscúlo curto-perônio”. A esse respeito, entra nos detalhes anatômicos, para demonstrar por qual mecanismo esse tendão pode produzir esses ruídos, imitar as pancados do tambor, e mesmo executar árias ritmadas; donde ele concluiu que aqueles que crêem ouvir pancadas em uma mesa são vítimas de uma mistificação ou de uma ilusão. O fato não é novo em si mesmo; infelismente, para o autor dessa pretensa descoberta, sua teoria não explica todos os casos. Dizemos, primeiro, que aqueles que gozam de singular faculdade de fazer estalar, à vontade, seu músculo curto-peritôneo, ou qualquer outro, e de tocar árias por esse meio, são pessoas excepcionais; enquanto que a possuem não desfrutam todos da primeira. Em segundo lugar, o sábio doutor esqueceu de explicar de que forma o estalido muscular de uma pessoa imóvel e isolada da mesa, pode nela produzir vibrações sensíveis ao toque; como esse ruído pode repercutir, à vontade dos assitentes, nas diferentes partes da mesa, que não se toca, e fazê-la mover. Essa explicação, de resto, se fosse uma, não infirmaria senão nos fenômenos das pancadas não podendo referir-se a todos os outros modos de comunicação. Concluímos que ele julgou sem ter visto, e bem visto. É sempre lamentável que homens de ci~encia se apressem em dar, sobre o que não conhecem, explicações que os fatos podem desmentir. Seu próprio saber deveria torná-los tanto mais circunspectos em seus julgamentos, quanto mais recuam para eles os limites do desconhecido.

            Fonte: O Livro dos Médiuns - Allan Kardec - 18 º edição - Abril de 1991, Editora Instituto de difusão Espírita de Araras, SP.                     

                                   RHEDAM. (rhedam@gmail.com)

domingo, 13 de janeiro de 2013

- ESTUDANDO O LIVRO DOS MÉDIUNS. - CAPÍTULO IV. - SISTEMAS. - QUESTÃO N º. 40. ALLAN KARDEC.


                                                       CAPÍTULO IV.

                                                          SISTEMAS.

            40. Sistema de alucinação. Uma outra opinião menso ofensiva, na qual há uma pequena coloração científica, consiste em colocar os fenômenos à conta de ilusão dos sentidos;assim, o observado estaria de muito boa fé; somente, creria ver o que não vê. Quando vê uma mesa se elevar e se manter no espaço sem ponto de apoio, a mesa não teria se mexido do lugar; ele a vê no ar por uma espécie de miragem ou de efeito de refração, como o que faz ver um astro, ou um objeto na água, fora da sua posição real. Isto seria possível, a rigor; mas aqueles que tiveram testemunho desses fenômeno, puderam constatar o isolamento passando sob a mesa suspensa, o que parece difícil se ela não estiver desprendida do solo. Por outro lado, ocorreu muitas vezes que a mesa se quebrou em caindo; dir-se-á também que nisso não há senão um efeito de ótica?
            Uma causa fisiológica bem conhecida, sem dúvida, faz crer-se ver girar uma coisa que não se move, ou crer-se girar a si mesmo quando está imóvel; mas quando várias pessoas, ao redor de uma mesa, são arrastadas por um movimento tão rápido que tem dificuldade em segui-la, e algumas por vezes lançadas por terra, dir-se-á que todas estão tomadas de vertigem, como o bêbado que crê ver passar sua casa diante de si?

                        Fonte: O Livro dos Médiuns - Allan Kardec - 18 º edição - Abril de 1991, Editora Instituto de difusão Espírita de Araras, SP.                     

                                   RHEDAM. (rhedam@gmail.com)

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

- ESTUDANDO O LIVRO DOS MÉDIUNS. - CAPITULO IV. - SISTEMAS. - QUESTÃO Nº. 40. - ALLAN KARDEC.


                                                  CAPITULO IV.

                                                       SISTEMAS.

            39. Sistema da loucura. Alguns, por condescendência, admitem afastar a suspeita de fraude e pretendem que aqueles que não fazem ingênuos são ingênuos eles mesmos: o que quer dizer que são imbecis. Quando os incrédulos nisso colocam menos formalidade, dizem muito simplesmente que se trata de loucura, atribuindo-se assim, sem cerimônia, o privilégio do bom-senso. Esse é o grande argumento daqueles que não tem uma boa razão a opor. De resto, esse modo de ataque se tornou ridículo por ser banal, e não merece que se perca tempo em refutá-lo. Os espíritas, aliás, pouco se importam com isso; tomam bravamente seu partido e se consolam pensando que têm por companheiros de infortúnio muitas pessoas cujo mérito não poderia ser contestado. É preciso, com efeito, convir que essa loucura, se loucura há, tem um caráter bem singular, que é o de atingir de preferência a classe esclarecida, entre o qual o Espiritismo conta, até o presente, a imensa maioria dos seus adeptos. Se, entre eles, encontram-se algumas excentricidades, não provam mais contra a Doutrina do que os loucos religiosos não provam contra a religião; os melomaníacos contra música; os maníacos matemáticos contra as matemáticas. Todas as idéias encontram fanáticos exagerados, e seria preciso ser dotado de um juízo bem obtuso para confundir a exageração de uma coisa com a própria coisa. Remetemos, para a mais ampla explicações a respeito, à nossa brochura: O que é o Espiritismo? E O Livro dos Espíritos (Introdução, 15).

            Fonte: O Livro dos Médiuns - Allan Kardec - 18 º edição - Abril de 1991, Editora Instituto de difusão Espírita de Araras, SP.                      

                                   RHEDAM. (rhedam@gmail.com)

sábado, 29 de dezembro de 2012

- ESTUDANDO O LIVRO DOS MÉDIUNS. - CAPÍTULO IV. - SISTEMAS. - QUESTÃO Nº; 38. - ALLAN KARDEC.


                                                CAPÍTULO IV.

                                                     SISTEMAS.

            38. Sistemas de charlatanismo. Entre os antagonistas, muitos atribuem esses efeitos à fraude, pela razão de que alguns puderam ser imitados. Essa suposição transformaria todos os espíritas em ingênuos, e todos os médiuns em fazedores de ingênuos, sem considerar a posição, o caráter, o saber e a honorabilidade das pessoas. Se merecesse uma resposta, diríamos que certos fenômenos da Física são contra a verdadeira ciência. Demais disso, há pessoas cujo caráter afasta toda suspeita de fraude, e é preciso desconhecer as regras de civilidade e de urbanidade para ousar-lhes na face que são cúmplices de charlatanismo. Em um salão muito respeitável, um senhor, supostamente educado, tendo-se permitido uma reflexão dessa natureza, a dona de casa lhe disse: “Senhor, uma vez que estais contente, vosso dinheiro será devolvido à porta”; e com um gesto fê-lo compreender o que tinha de melhor a fazer. Dir-se-á, por isso, que nunca houve abuso? Seria preciso, para crê-lo, admitir que os homens são perfeitos. Abusa-se de tudo, mesmo das coisas mais santas; por que não se abusaria do Espiritismo? Mas o mau uso que se faz de uma coisa não pode prejulgar nada contra a própria coisa; o controle que se pode ter alcança a boa fé das pessoas e os motivos que se fazem agir. Onde não há especulação, o charlatanismo nada tem a fazer.

                        Fonte: O Livro dos Médiuns - Allan Kardec - 18 º edição - Abril de 1991, Editora Instituto de difusão Espírita de Araras, SP.                     

                                   RHEDAM. (rhedam@gmail.com)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

- ESTUDANDO O LIVRO DOS MÉDIUNS. - CAPÍTULO IV. - SISTEMAS. QUESTÃO Nº. 37. - ALLAN KARDEC.



                                              CAPÍTULO IV.

                                                  SISTEMAS.

            37. Na ordem metódica, para seguir a marcha progressiva das idéias, convém colocar na frente aqueles que se podem chamar sistemas de negação, quer dizer, os adversários do Espiritismo. Refutamos suas objeções na introdução e na conclusão de O livro dos Espíritos, assim como na pequena obra intitulada: O que é o Espiritismo? Seria supérfluo voltar a fazê-lo aqui; limitar-nos-emos a lembrar, em duas palavras, os motivos sobre os quais se fundam.
            Os fenômenos espíritas são de duas espécies: os efeitos físicos e os fenômenos inteligentes. Não admitindo a existência dos Espíritos, pela razão que não admitem nada fora da matéria, concebe-se que neguem os efeitos inteligentes. Quanto aos efeitos físicos, eles os comentam sob seu ponto de vista, e seus argumentos podem se resumir nos quatro sistemas seguintes:   

            Fonte: O Livro dos Médiuns - Allan Kardec - 18 º edição - Abril de 1991, Editora Instituto de Difusão Espírita de Araras, SP.                     

                                   RHEDAM. (rhedam@gmail.com)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

- ESTUDANDO O LIVRO DOS MÉDIUNS. - ALLAN KARDEC. - CAPÍTULO IV. - SISTEMAS. - QUESTÃO Nº. 37.


                                                      CAPÍTULO IV.

                                                           SISTEMAS.

            36. Quando os estranhos fenômenos do Espiritismo começaram a se produzir,ou por melhor dizer, se renovaram nestes últimos tempos, o primeiro sentimento que despertaram foi o da dúvida sobre a sua própria realidade, e ainda mais sobre a sua causa. Logo que foram averiguados por testemunhos irrecusáveis e pelas experiências que cada um pôde fazer, sucedeu que cada um os interpretou à sua maneira, segundo suas idéias pessoais, suas crenças ou suas prevenções; daí, vários sistemas que uma observação mais atenta viria reduzir ao seu justo valor.
            Os adversários do Espiritismo acreditavam encontrar um argumento nessa divergência de opiniões espíritas não estavam de acordo entre si. Era uma razão bem pobre, se refere que os passos de toda ciência nascente são necessariamente incertos, até que o tempo haja permitido colecionar e coordenar os fatos que podem fundamentar a opinião, á medida que os fatos se completam e são melhor observados, as idéias prematuras se apagam e a unidade se estabelece, pelo menos pelos pontos fundamentais, se não em todos os detalhes. Foi o que ocorreu com o Espiritismo, não podia escapar a lei comum e devia mesmo, por sua natureza, se prestar mais, do que toda outra coisa, à diversidade de interpretações. Pode-se mesmo dizer que, a esse respeito, foi mais rápido do que outras ciências mais antigas, a Medicina, por exemplo, que divide ainda os maiores sábios.  

            Fonte: O Livro dos Médiuns - Allan Kardec - 18 º edição - Abril de 1991, Editora Instituto de difusão Espírita de Araras, SP.                     

                                   RHEDAM. (rhedam@gmail,com)