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sexta-feira, 18 de outubro de 2019

- VULTOS DO ESPIRITISMO. - CARMINE MIRABELLI - GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. - INTERNET.


               CARMINE MIRABELLI

       (Carlo Mirabelli ou Carlos Mirabelli)

                          1889 – 1951

Nasce em Botucatu, SP, em 2 de janeiro de 1889 e desencarnou também em São Paulo, SP, em 30 de abril de 1951, foi um médium de efeitos físicos brasileiro.
Filho primogênito de Luigi Mirabelli, um pastor protestante italiano e de Christina Scaccioto Mirabelli. O casal teve um outro filho, uma menina, Tereza Mirabelli Eugenio, nascida em1891. Em poucos anos, entretanto, a mãe viria a falecer, fato de que Carmine viria a se ressentir, e que se acreditava que teria aumentado a sua sensibilidade.
Fez os seus primeiros estudos no Grupo Escolar Cardoso de Almeida, em Botucatu, no Colégio São Luiz, em Itu, e no Colégio Cristóvão Colombo, em São Paulo. Nesta fase, certa feita, impressionou muito os seus professores e colegas ao dissertar sobre o tema "Evolução e Involução" em perfeito latim, embora não tivesse conhecimento do idioma.
Em 22 de fevereiro de 1914, logo após a morte de seu pai, mergulhando a família em sérias dificuldades financeiras, Carmine ficou doente, aflorando uma extraordinária paranormalidade. Embora não fosse espiritualista, alegava ver os espíritos dos pais, de um tio, de sua sogra e de uma filha.
Naquele mesmo ano, empregado da Companhia de Calçados Villaça, foi colhido de surpresa por estranhos fenômenos, hoje classificados como “poltergeist”. Apenas na sua presença, com freqüência, sapatos saltavam por si mesmos das prateleiras ou moviam-se como se fossem animados. Carmine não compreendia porque isso acontecia, mas muitos clientes assustados atribuíam os fenômenos ao “diabo”. Mirabelli foi acusado por populares de estar “possuído’ pelo “demônio”, tendo sido vítima de agressões nas ruas. A sua casa chegou a ser apedrejada por fanáticos religiosos.
Em consequência desses fenômenos chegou a ser internado por dezenove dias no Asilo de Alienados do Juqueri, tendo sido constatado pelos Drs. Francisco Franco da Rocha e Felipe Ache que o paranormal tinha uma “energia nervosa” acima do normal. Com a ajuda de pesquisadores renomados dos fenômenos psíquicos, como o médico Dr. Alberto de Melo Seabra, Mirabelli se conscientizou da importância de seus dons psíquicos e decidiu se submeter a sessões espíritas experimentais.
Carmine Mirabelli podia manifestar uma ampla gama de fenômenos, entre os quais a levitação, materialização e desmaterialização de objetos. Acredita-se que muitos deles resultavam de suas próprias forças psíquicas, sem o envolvimento de entidades espirituais. Mas também é sabido que Mirabelli conhecia alguns truques simples de prestidigitação.
Embora na juventude o médium não conseguisse controlar os fenômenos - objetos voavam ao seu redor, atingindo-o e aos circunstantes em muitas ocasiões - quando ficou mais velho conseguia refrear o fluxo de suas energias psicobiofísicas, reduzindo os riscos.
Em 1916, a imprensa de São Paulo voltou a sua atenção para os estranhos feitos do "Homem Misterioso". Em uma série de reportagens, com ampla repercussão popular, destacaram-se o Correio Paulistano (em defesa dos fenômenos) e A Gazeta (contra).
Mirabelli fundou o Centro Espírita São Luiz, em 25 de agosto de 1917.
Mirabelli atravessou quatro casamentos: com Carmem Guerreiro, tiveram dois filhos, Diva Cristina Mirabelli e Luiz Mirabelli; com Edméa de Paiva Magalhães, não tiveram filhos; com Maria do Carmo Pinto Pacca, tiveram Regene Pacca Mirabelli; e com a Prof. Amélia Loureiro, tiveram César Augusto Mirabelli.
O médium foi encarcerado várias vezes acusado de exercício ilegal da Medicina, furto e também por perseguições políticas, mas mesmo detido, envolvia as pessoas com seus dons e sua generosidade. Era considerado muito eloqüente e comunicativo, apreciava a natureza e gostava de fumar charutos e cachimbos.
Mirabelli era portador de diabetes. Por muitos anos, só conseguiu dormir em quartos iluminados, uma vez que temia a ocorrência de fenômenos desagradáveis enquanto dormia.
Por certa fase de sua vida Mirabelli chegou a cobrar por seus serviços mediúnicos, desagradando aos espíritas. Entretanto, Mirabelli não perdeu os seus dons com o avançar da idade. Existem relatos de que os seus fenômenos foram observados até 1950, poucos meses antes de sua morte.
Faleceu vítima de acidente de trânsito, por atropelamento. Conduzido ao Hospital das Clínicas de São Paulo, veio a falecer sendo atestada a fratura do seu crânio como "causa-mortis". O corpo foi sepultado na tarde de 1º de maio de 1951 na campa 155 da quadra 27, no Cemitério São Paulo.
O periódico O Estado de São Paulo, em 18 de maio de 1916 cobriu a materialização, pelo médium, do espírito do ex-bispo da Diocese de São Paulo, D. José de Camargo Barros, em sessão ocorrida na cidade de Santos. Estiveram presentes médicos e oficiais da Força Pública de São Paulo.
O Vanguarda, de fevereiro de 1933, abordou a materialização, pelo médium, do espírito de São Francisco de Assis.
Outras materializações que chamaram a atenção à época, foram as dos espíritos de Giuseppe Parini e de Harun al-Rashid.

Fonte: GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. – INTENET.

           RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

sábado, 12 de outubro de 2019

- DIVULGAÇÃO DO LIVRO ESPÍRITA. - BANCA DO LIVRO ESPIRITA DE PIRACICABA.

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terça-feira, 1 de outubro de 2019

- VULTOS DO ESPIRITISMO. CARMEN CINIRA. - GRANDE GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. - INTERNEN.


                   Carmen Cinira

                            1902 – 1933

Há oito ou nove anos, ao entrar na Academia para a nossa honrada sessão das quintas-feiras, encontrei o átrio rumoroso e festivo. Não havia musica. Não havia flores. Mas havia mais do que isso, porque o sonorizavam e coloriam as alegrias da mocidade. Mulheres lindas, e poetas. Achavam-se, em suma, em visita à casa austera das letras, quatro ou cinco poetisas e declamadoras, que haviam sido recebidas à porta, com algazarra fraterna, por Olegário Mariano, Adelmar Tavares e Luiz Carlos, autores, no Brasil, dos mais belos versos líricos daquele tempo. À minha passagem de prosador desconfiado e soturno, Olegário me deteve, ruidoso e gentil:
- Vem cá... Eu quero apresentar-te uma pessoa que te admira muito...
Chamou:
- Cinira... Vem cá!
Era uma linda moça, quase menina. Morena, grandes e profundos olhos turcos, de veludo negro, trazia nos traços e, nessa tarde, no vestuário, todos os atributos de uma jovem princesa oriental. Um gorro da cor dos olhos, posto garridamente de lado sobre a cabeleira farta e escura, completava-lhe a graça boêmia, de cigana adolescente. Uma alegria estouvada de canário solto, assinalava-lhe os gestos, e lhe gorgeava no sorriso, que lhe vinha da boca fresca, e do marfim dos dentes miúdos. Toda ela era, enfim, graça infantil e atordoada, de borboleta que acaba de sair da crisálida e penetra num rosal, tonta de sol, em luta com o vento em manhã de primavera.
Carmen Cinira acabava de celebrar, parece, as suas núpcias com a liberdade, e sentia toda a volúpia da vida, vendo-se moça, inteligente, e formosa. E essa impressão contribuiu para que eu lhe apertasse a mão enluvada sem uma palavra de louvor, sem os gabos a que, de certo, se acostumara e que, efetivamente, merecia, pelos encantos da sua figura. Quando os homens começam a entrar na velhice, não compreendem mais as vozes da mocidade. Foi assim, calado, que atravessei o vestíbulo tumultuoso, deixando-o entregue às mulheres e aos poetas, que têm, na Terra, o dom da juventude perpétua.
Tempos depois, vim á saber que a linda moça de olhos turcos que eu vira à entrada da Academia era casada, e que se havia separado do esposo para dar maior liberdade ao coração e ao pensamento. Era uma das inumeráveis libélulas da sociedade moderna, que se não conformam com o ritmo da vida antiga, e querem beber, de asas livres, todo o ouro do sol e todo o perfume da Terra. Havia lido os romancistas e os poetas. E o lar lhe parecera pequeno. Ideára a felicidade descrita nos livros e, como não a encontrara na quietude da casa modesta, e na intimidade do homem escolhido, correra para a planície, procurando reter entre as mãos a sombra da nuvem que passa no céu. Ignorava ela, como centenas de outras ignoram hoje, e milhares ignorarão amanhã, que a mulher é frágil, demais, para afrontar, sozinha, as tempestades da vida, e que se faz mister a cada uma um preparo antecipado, para não naufragar no oceano.
Em um estudo publicado em 1931 registrava o escritor comunista Fedor Gladkov um fenômeno observado na Rússia soviética, entre os mineiros dos Urais. Não possuindo maquinismos com que retirasse das minas o carvão nelas acumulado, empregava o governo, para isso, o braço humano. Abertas em sentido horizontal, as galerias apresentavam, às vezes, inclinações consideráveis. E os homens, com o cesto à cabeça, viam-se na contingência de subir, às vezes, dois quilômetros de ladeiras subterrâneas para trazer à boca da mina a sua carga de combustível. Os mineiros antigos, embora mais vigorosos, não resistiam jamais a trabalho tão fatigante. Os adolescentes, porém, levavam a termo o sacrifício. Como não tinha conhecido as facilidades antigas não podiam estabelecer o confronto, e realizavam sem queixa a tarefa moderna. Os outros, no entanto, sucumbiam, porque haviam vivido em tempo melhor... Com a mulher tem sucedido o mesmo na sociedade contemporânea. As moças que se vêm criando em liberdade, olhando a vida face a face desde as primeiras horas da adolescência, sentem-se à vontade no ambiente tumultuoso que o mundo agora oferece. Vendo-as alegres, e felizes à sua maneira, as mulheres procedentes da sociedade que precedeu à Grande Guerra imaginam que poderão viver com a mesma facilidade. Esquecem-se que os seus pulmões foram formados com capacidade para outro clima. Olvidam que elas são peixes de outra água. E deixam o lar. E dissolvem a família. E vão tombar, lá fora, vencidas, sob os pés da multidão nova, que passa cantando... Vão em busca da felicidade, abandonando o único lugar em que ainda podiam encontrá-la.
Carmen Cinira era moça, mas procedia, parece, de família burguesa, e recatada, que a educara para a intimidade do lar, sem ambições de glória nem sonhos de liberdade... E pagou à vida, e ao mundo, o imposto que lhes devia. Não tendo tido seguimento entre nós o conhecimento por essa apresentação, não nos cumprimentamos sequer, durante três anos. Eu lhe parecera, talvez, orgulhoso demais, como pareço a alguns com a minha timidez, ou estúpido demais, como pareço aos restantes, pela minha taciturnidade. Até que, um dia, fomos apresentados de novo, na livraria Freitas Bastos. Conversamos. A moça que eu vira não era, porém, a mesma. As rosas da face, naturais, outrora, eram agora de papel. Havia alguma cousa de desânimo, de desencanto, na sua pessoa e nas suas palavras. O sorriso tornara-se, nos lábios, que o “rouge” coloria, forçado e triste. E outra vez nos separamos.
Até que há um ano, nos falamos pela terceira e última vez. Foi, ainda, na livraria. Nova apresentação. Mas a menina de há oito ou nove anos havia, nela, desaparecido. Aquela alma, agora em abandono, me despertou simpatia, me causou pena. Eu não nasci para amigo dos felizes, mas para confidente dos desgraçados. E foi quando Carmen Cinira descobriu que eu tinha uma alma, e eu compreendi que ela possuía um coração. Palestramos dez ou quinze minutos. A sua existência, que fora um roseiral, era, agora, um deserto. Uma desilusão profunda e irremediável devastava-lhe as profundidades do ser. A tuberculose minara-lhe os pulmões, envelhecendo-lhe o corpo jovem. Considerava-se traída pela Vida. E tinha rugidos de revolta contra si mesma, rugidos de leôazinha ferida, cujas garras não faziam mal a ninguém...
Há dias, noticiaram os jornais, em linhas ligeiras, a morte da poetisa Carmen Cinira. Duas ou três pequeninas crônicas vieram depois. E nada mais. Eu quero, porém, deixar-lhe aqui, por minha vez, estas palavras de respeito, de pena e de saudade. E deixo-as não como lisonja a ela que está morta, mas como lição às almas como a sua, que ainda se debatem no mundo.
O vento da primavera arrebatou a libélula, e partiu-lhe as asas coloridas e franzinas no espinho das roseiras agrestes. E a jóia voejante, caiu morta.
Chorem-na as rosas de que ela foi um pouco, vida breve e atormentada, a companheira e irmã.
Felizes os mortos que, uma semana depois de sepultados, ainda têm amigos na Terra! – foi a exclamação que me veio à boca, e nela permaneceu amortalhada em silêncio, há quatro dias, ao receber meia dúzia de cartas analisando a crônica ligeira, aqui publicada, sobre Carmen Cinira.
A linda e jovem poetisa possuía, na verdade, amigas numerosas, e dedicadas. E foram elas que correram a retificar, amavelmente, alguns dos traços biográficos da sua desventurada companheira, e a oferecer informações outras sobre a sua vida e a sua morte, mais interessantes, na realidade, uma e outra, do que a mim me pareciam.
Uma das retificações versava sobre o estado civil da morta. Carmen Cinira não era, como me haviam informado, divorciada, mas viúva, desde o segundo ano de casamento. O esposo, um atleta, notável jogador de futebol, morrera tuberculoso, quando contava ainda, e apenas, vinte anos. Moça e bonita, seu coração bateu, com certeza, novamente, como o pássaro que tombou da altura, quebrou as asas e ensaia inutilmente o vôo. Os seus olhos diziam, porém, já, aos homens experientes, o mal que lhe devorava os pulmões. E é de imaginar o que seria o seu tormento, a sua agonia moral, vendo estampada em todas as fisionomias o santo horror da sua intimidade. O seu beijo devia ser um fruto maravilhoso, com todo o gosto de pomo fresco. Mas esse fruto, de sabor incomparável, trazia, na polpa, o veneno fatal. Dentro dele estava a morte. À semelhança de Helena, filha de Tindaro, que, por onde ia, levava a destruição, ela sentia, talvez, que não podia amar, porque o seu amor lavraria, contra aquele a quem ela o consagrasse, a sentença irremediável. O seu carinho, leve como uma pluma, teria, si ela o dedicasse a alguém, o peso de uma condenação.
Já alguém imaginou, na verdade, o que seja o tormento moral de uma linda mulher tuberculosa? Já alguém calculou a tragédia de consciência da criatura moça que, não querendo sufocar no coração a chama do seu desejo, sabe que vai pagar com a semente da morte aquele que lhe trouxer a semente da vida? Carmen Cinira, viúva, aos vinte anos, enfermeira devotada do esposo tísico, sentiu que se achava condenada à morte na plena glória da juventude. E voltou-se, de repente, para a outra vida. Dedicando-se ao Espiritismo, procurou, nele, a consolação, o conforto. Caminhava para o túmulo, dizem-me os seus íntimos, quase feliz, e com uma grande doçura de coração. Dois meses antes de falecer era, já, e apenas, a sombra do que fora. Levada para São José dos Campos, em São Paulo, quis vir morrer na sua cidade natal, junto dos que lhe eram afeiçoados. Raro era, já, o dia em que uma papoula de sangue lhe não vinha desabotoar nos lábios pálidos, apresando o termo inevitável daquela vida. Na véspera da morte, pediu papel, e um lápis, e escreveu, então, este soneto, em que exprimiu toda a força da sua fé e da sua resignação:

VIDA
Vida, que és boa para tanta gente,
E a tanta gente embriagas de prazer:
Para mim foste má, foste inclemente,
E deixaste-me exausta de sofrer!
Quando, às vezes, recordo, tristemente,
As agonias do meu pobre ser,
Tu me causas pavor... De tão descrente,
Alegro-me, ao pensar que vou morrer!...
Caiba ao destino a culpa de ter sido
A minha mocidade um só gemido;
Mas, sei que o meu faminto coração,
Na morte, que, bem sinto, virá breve,
Há de achar o carinho, que não teve,
E a paz, que tanto mendigou em vão!...

A sua alma havia-se tornado, de há muito, profundamente religiosa. Para esquecer os sofrimentos que a Vida lhe oferecia no seu cálice, elevava-se até aos pés do seu Deus, e a ele se entregava neste...
No dia da morte, quis manifestar os seus últimos desejos na Terra. Chamou a velha mãe, e disse-lhe, tranqüilamente:
- A morte não tarda... Quando ela chegar, não quero mortalha fúnebre... Vistam-me um dos meus vestidos brancos... Si não encontrarem envolvam-me num lençol... O meu caixão deve ser pobre, de terceira classe... Não desejo lágrimas, nem missas, nem orações... Quero, apenas, que, os que me quiserem bem, se concentrem, e pensem em mim...
Horas depois, tendo piorado, pediu que mandassem chamar as suas irmãs. Despediu-se delas, serenamente, com palavras de consolo e resignação. Estava certa de que o espírito de seu pai, falecido há muitos anos, viria ao encontro do seu. De súbito, empalideceu mais. Todos sentiram, em torno, que era a morte que chegava. Os lábios da moribunda descerraram-se, porém, e ela exclamou, numa voz em que havia qualquer cousa de intenso júbilo:
- Meu pai chegou... Eu o estou vendo... Eu o estou vendo...
E quase num arrebatamento:
- A vida é um cárcere... A morte é a liberdade!...
Uma pequena rosa de sangue veio-lhe, mais uma vez, à boca miúda. Os presentes ajoelharam-se. Estava morta.
O obscuro homem de letras que escreve, hoje, esta nova crônica sobre a jovem e formosa poetisa que tanto sofreu, não a seguiu jamais, quando ela parecia feliz. Não foi do seu séqüito. Não era da sua amizade. A missão desse escritor, na Terra, é, porém, confortar os tristes e enfeitar a sepultura dos mortos.
Recebe, pois, ainda, Carmen Cinira, estas palavras de saudade e reparação. Elas são o pólen da flor que ele vem depositar, comovido, sobre a úmida areia do seu túmulo.

Nota do Editor:
Cinira do Carmo Bordini Cardoso é o nome completo da poetisa, que nasceu em 1902, tendo desencarnado em 30 de Agosto de 1933. O livro “Parnaso de Além-Túmulo” traz algumas de suas poesias, obtidas através da mediunidade de Chico Xavier, dentre as quais, destacamos:

O Viajor e a Fé
- “Donde vens, viajor triste e cansado?”
- “Venho da terra estéril da ilusão”.
- “Que trazes?”
- “A miséria do pecado,
De alma ferida e morto o coração.
Ah! Quem me dera a bênção da esperança,
Quem me dera consolo à desventura!”
Mas a fé generosa, humilde e mansa,
Deu-lhe o braço e falou-lhe com doçura:
- “Vem ao Mestre que ampara os pobrezinhos,
Que esclarece e conforta os sofredores!...
Pois com o mundo uma flor tem mil espinhos,
Mas com Jesus um espinho tem mil flores!”
(Carmen Cinira, Espírito)

         Fonte: GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. – INTERNET.

                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

- DIVULGAÇÃO DO LIVRO ESPÍRITA. - AS VOZES DO ALÉM. - Dr. HUMBERTO. (Dr. Carlos.)


                AS VOZES DO ALÉM.

            O Livro Espírita é o vosso mestre orientador, o vosso consultor, aquele que sugere através do exemplo o que é de melhor para vós. Ele transcreve as mensagens de espíritos nas mais variadas categoria da evolução, expressando para vós os seus exemplos vividos no Planeta Terra quando da sua encarnação.
            Os que sofrem contam os seus sentimentos e mostram através do arrependimento o que deveriam ter feito e não fizeram, e hoje expiam os efeitos de causas que poderiam ser evitadas.
            Há outros que deixaram passar oportunidades de serem úteis para os seus convivas e para humanidade desconhecida através da prática da caridade, o seu egoísmo ofuscou a luz do seu espírito, hoje arrependidos esperam uma nova oportunidade para lutarem consigo mesmo e não falharem.
            Tem também aqueles que enraizados no mal, que se não compraziam com a dor e o sofrimento dos outros, hoje, esperam a hora de buscar o resgate em nova oportunidade.
            Alguns, erraram pela omissão, outros pelo ócio de não fazerem nem o bem e nem o mal, sendo assim um grande mal para si mesmo. Há, também aqueles que sofrem não porque erraram desviando-se do caminho da evolução através da caridade, mas, porque nada fazendo em benefício do próximo mais necessitado, perderam valiosas oportunidades de serem úteis.
            Encontramos nesses livros espíritas ”o tesouro das letras“, aqueles que relataram os seus feitos que nada acrescentaram de bom, pela humanidade de encarnados e desencarnados. Hoje arrependidos clamam por uma nova oportunidade de reencarnarem.
            Descobriremos aqueles que por méritos conquistaram o direito de avançar um pouco mais na escala evolutiva, que rogam a Jesus o Cristo Salvador para permanecerem próximo da Terra, para amparar e socorrer os desvalidos da sorte diante dos seus atos.
            E o mais maravilhoso são aquelas “OBRAS BÁSICAS”, transmitidas pelos Espíritos de Luz, entre eles o “ESPIRITO DE VERDADE”, à ALLAN KARDEC, tesouro inigualável de fácil compreensão e entendimento quando estamos desprovidos de preconceitos criados pela educação religiosa do mundo. 
            Para sintetizar podemos chamá-las de “VADE MECUM” do bem e do bom viver.
            Leiam, estudem e pratiquem os seus ensinamentos. Distribuam àqueles interessados, assim quem sabe esses livros serão a Luz que mostrará o caminho da sua libertação. E com isso serão mais semeadores para cumprirem tarefas do bem em prol da Humanidade, espalhando claridade que farão brilhar os vossos caminhos.
            O Livro Espírita é a Voz do Além a benefício dos encarnados.

                                                                                  Dr. Humberto.

                   (Mensagem recebida em Piracicaba, 27 de Abril de 2012, às 11,11 horas. Pela Mediunidade Intuitiva do médium Dr. Carlos.)

                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

quinta-feira, 18 de julho de 2019

- VULTOS DO ESPIRITISMO. - CARMELO GRISI. - GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. - INTERNET.


                       Carmelo Grisi

                         1893 – 1980

Carmelo Grisi nasceu na Província de Trecchina na Itália em 23 de novembro de 1893.
Chegou ao Brasil ainda adolescente junto aos seus irmãos, fixando residência em São José do Rio Preto, São Paulo.
Casou-se com Elvira Abrigatto Grisi, médium, que se dedicou ao tratamento de obsessão. Foi ela uma das pioneiras do Espiritismo naquela região.
Do matrimônio nasceram quatro filhos.
Com o desencarne de Elvira em 12 de fevereiro de 1954, companheira de todas as horas, a saudade era imorredoura. Cinco meses depois, foi procurar Francisco Cândido Xavier que, nessa época, residia em Pedro Leopoldo e trabalhava na Fazenda Modelo, onde se encontraram. Logo no início do diálogo Chico disse: "Carmelo, Elvira se encontra presente, em companhia de três entidades amigas" identificando os espíritos.
Na noite de 02 de julho de 1954, Chico recebia consoladora mensagem da querida esposa, cuja veracidade muito o emocionou. A partir dessa data, ele voltou sua atenção para a filantropia.
Sete meses após o seu retorno ao plano espiritual que se deu em 28 de março de 1980, escreveu a primeira mensagem, em 18 de outubro de 1980, pelo amigo Chico Xavier.
A partir daí seguiram-se novas mensagens que foram enfeixadas no livro Carmelo Grisi, Ele mesmo.

Fonte: GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. – NTERNET.

                    RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

quarta-feira, 17 de julho de 2019

- DIVULGAÇÃO DO LIVRO ESPÍRITA. - RESUMO DE LIVRO ESPÍRITA. - LINHA DUZENTOS. - EMMANUEL. (CHICO XAVIER.)


   RESUMO DE LIVRO ESPÍRITA.

                  LINHA DUZENTOS.

            Leitor amigo:
            Este é um livro simples.
            Significa unicamente continuidade.
            Acompanhando o primeiro volume da coleção de nossos amigos espirituais que o psicografaram, em 1931, desejamos afirmar nesse intróito despretensioso que o nosso trabalho, atingindo agora 1981, meio séculos de atividades ininterruptas, com duzentos livros, prossegue sobre o mesmo princípio: Jesus esclarecendo Kardec e Kardec explicando Jesus.
            Pretendemos confirmar que nessa trilha não invocamos nenhum privilégio.
            Reconhecemos que as doutrinas religiosas, procurando a ligação da criatura com o Criador, sempre que voltadas para o amor de Deus e par o amor com o próximo, são respeitáveis e dignas das diretrizes que promovem!
            Em Doutrina Espírita, na qual encontramos o Cristianismo Redivivo, para nós, a questão é de caminho.
            Retornando à simplicidade com que os ensinamentos do Cristo lhe fluíam do coração, no contato com o espírito humano, temos na orientação espírito-cristã uma estrada mais curta com mais amplos lucros de tempo no esclarecimento de nós mesmos antes a romagem da evolução.
            Este livro, por si mesmo, é formado de páginas simples, tão simples quanto as que escrevemos, por via mediúnica,em cinqüenta janeiros seguidos, e formulamo-las em homenagem a Jesus, o nosso divino Mestre que no-las permitiu grafar com o melhor de nossos sentimentos e ideais, e em sinal de gratidão a todos os irmãos e amigos que nos ampararam as forças e  nos estimularam ao trabalho.
            “Linha Duzentos” para nós, nestas páginas, expressa, simbolicamente, um traço de união, constituído por duzentos pontos interligados, através do qual aqui repetimos com emoção e respeito:
            Muito obrigado, Senhor Jesus!
            Leitor amigo, que o Senhor Jesus te recompense!...

                                                                       EMMANUEL. (CHICO XAVIER.)

            Fonte: Livro Linha 200, - autor Emmanuel, Francisco C. Xavier, - 2 ª. edição, - Editora Cultura Espírita União (C. E. U.), - São Paulo, SP, - 1981. –

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

quinta-feira, 4 de julho de 2019

- VULTOS DO ESPIRITISMO. - CARMELINA NUNES MAGALHÃES. - GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. - INTERNET.

          Carmelina Nunes Magalhães

                       1940 – 2001

Desencarnou em 26 de abril de 2001, no Rio de Janeiro, tendo nascido em Cáceres, Mato Grosso, aos 06 de março de 1940.
Foi casada com o confrade Lybio Magalhães. Formou-se em Biologia e História Natural, pelas Universidades de Goiás e Nova Iguaçu.
Na sua cidade natal frequentou o Centro Espírita Mateus. No Movimento Espírita do Rio de Janeiro, foi muito atuante no ramal de Nova Iguaçu, pois lecionou, gratuitamente por mais de 15 anos na Escola Espírita Joana de Ângelis em Engenheiro Pedreira. Colaborou com Newton de Barros no Grupo Espírita Scheilla de Nova Iguaçu. Em muitas outras atividades marcou a sua presença, sempre com amor e dedicação.

Fonte: GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. – INTERNET.

                    RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

- DIVULGAÇÃODO LIVRO ESPÍRITA. - O LIVRO MAIS LUZ. - BATUÍRA. (CHICO XAVIER.)


                O LIVRO MAIS LUZ.

            Empenhado no auxílio aos irmãos de ideal, Batuíra - o apóstolo da Doutrina Espírita, credor de nossa admiração e respeito - escreveu este livro, dedicado especialmente aos lidadores da seara da verdade e da luz a que se consagrou na Terra.
            Constituído de ensinamentos e anotações, advertências e lembretes vinculados à Nova Revelação, este volume é o próprio coração do companheiro que fala, orientando a jornada daqueles que procuram no Cristianismo Redivivo as auras renovadoras da imortalidade e da esperança.
            Em razão disso, as páginas aqui enfaixadas se erguem à feição de Marcos fulgurante, indicando o rumo da felicidade e da libertação espiritual.
            Entregamo-las, assim, ao leitor amigo, como quem transmite um sagrado depósito, não só porque Batuíra se nos levante na alma por amigo benemérito há quem muito devemos, mas também porque a sua mensagem é um cântico de amor que nos convida à construção do bem, como a dizer-nos, de capítulo a capítulo, que mais trabalho significa sempre mais luz.
            Aprendamos, pois, com o missionário da caridade, as lições salvadoras de que se faz mensageiro e, agradecendo-lhe a dádiva luminosa, roguemos ao senhor nos suste e abençoe.

                                                                       EMMANUEL. (Chico Xavier.)

                                                                       Uberaba, 4 de julho de 1970.

Fonte: Livro “MAIS LUZ” - ANTONIO GONÇALVES DA SILVA - BATUÍRA, psicografado por Francisco Cândido Xavier - 4a. Edição - Editora GEEM - São Bernardo do Campo, SP - 1976.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

sexta-feira, 28 de junho de 2019

- VULTOS DO ESPIRITISMO. - CARLOS LOMBA.- GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. - INTERNET.


                        Carlos Lomba

                          1886 – 1958

Desencarnou em 28 de agosto de 1958, no Rio de Janeiro, e nasceu em Cataguases, Minas Gerais, em 18 de dezembro de 1886.
Especializou-se em Farmácia e Odontologia.
Em 1933 deu início ao desenvolvimento mediúnico, ou sela à educação mediúnica de suas faculdades, na terra capixaba, onde residiu por muitos anos. Foi um dos fundadores do C. E. "Luz e Trabalho".
Em 1944, veio para o Rio de Janeiro, passando a colaborar no Departamento de Infância da F.E.B. onde, mais tarde, veio a ocupar o cargo de 1º secretário. Em sua tarefa de evangelizador das crianças era chamado, carinhosamente, de ‘Vovô Lomba".

         Fonte: GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. – INTERNET.

                            RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

- DIVULGAÇÃO DO LIVRO ESPÍRITA. - CHÃO DE FLORES. - EMMANUEL. (CHICO XAVIER.)


                CHÃO DE FLORES.

                Caro leitor.
            Enquanto nossos companheiros – os trovadores da Espiritualidade – escreviam as páginas deste livro, notávamos que os versos lhas nasciam da alma por flores de luz a se espalharem na terra. E da terra que pisávamos reverentes, eis que a revoada de pétalas se voltava para nós, em ondas de renovação e alegria, encantamento e beleza.
               Em razão disso, este volume pareceu-nos prodigioso chão de flores.
            É com este nome, leitor amigo, que te entregamos semelhante oferta, desejando te felicites aqui com a descoberta que nos eleva os corações: o tesouro das mensagens iluminadas de amor trazidas até nós por generosos intérpretes da Vida Maior, em nome de Deus, a entretecerem com ensinamentos e consolações, avisos e bênçãos todo um maravilhoso jardim de sabedoria e imortalidade, paz e luz.

                                                                                  EMMANUEL. (CHICO XAVIER.)
            Uberaba, 30 de agosto de 1975.

            Fonte: - Livro Chão de Flores, - Autores Diversos, Francisco C. Xavier, - 3 ª. edição, - Editora Instituto Divulgação Editora André Luiz, - São Paulo, SP, - 1978. –

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

terça-feira, 25 de junho de 2019

- VULTOS DO ESPIRITISMO. - CARLOS JOAQUIM DE LIMA E CIRNE. - GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. - INTERNET.



         Carlos Joaquim de Lima e Cirne

                         1839 – 1906

Em 4 de dezembro de 1906, após ano e meio de penosa enfermidade, iniciada com uma congestão, libertava-se do casulo de carne, no bairro de São Cristóvão, o Espírito do bondoso velhinho Carlos Joaquim de Lima e Cirne. Fora se unir à sua extremosa esposa, desencarnada alguns meses antes dele, para juntos alçarem às esferas radiosas do Infinito...
Embora prostrado no leito, em extremo depauperamento físico e intelectual, ele revelava a preocupação constante de voltar à atividade militante, à propaganda da Doutrina, bem como à infatigável visitação aos enfermos e necessitados, que ele tanto amava e pelos quais tanto se sacrificou. Foi, até o último alento, um exemplo vivo de trabalho e de fé!
Iniciado no Espiritismo em 1872, isto é, aos 33 anos de idade, pois que nascera a 5 de março de 1839, alistou-se imediata e resolutamente nas fileiras militantes, e todas as energias do seu cérebro e do seu coração, tudo o que de generoso possuía o seu Espírito - e era muito - tudo ele consagrou desde então à causa da propaganda espírita, pela palavra, pelo pensamento e sobretudo pelas obras.
Não nos consta, como já se disse algures, ter sido Lima e Cirne o fundador do "Grupo Confúcio", a primeira sociedade espiritista instalada no Rio de Janeiro, em 1873. Talvez, isto sim, ele tenha colaborado para a sua fundação, o que é, de certa forma, diferente.
O seu nome aparece, entretanto, como um dos membros da primeira Diretoria da "Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade", fundada aos 3 de outubro de 1879, e realmente a ela pertenceu por muito tempo, tendo sido aí denodado trabalhador, participando de várias campanhas na defesa do Espiritismo, contra as hostilidades que o preconceito e a rotina lhe moviam. A residência do nosso biografado serviu mesmo, pelo menos nos primeiros anos, de sede para a referida Sociedade.
O "Centro da União Espírita do Brasil", criado em 3 de outubro de 1881 (fruto do primeiro Congresso Espírita realizado no Brasil, aos 6 de setembro de 1881), com a finalidade de reunir e orientar as Sociedades espíritas, teve-o também entre os seus diretores. Reorganizado o Centro, em 1889, por Bezerra de Menezes, dele igualmente fez parte Lima e Cirne. E mais tarde, em 1894, quando esse mesmo Centro foi reinstalado pelo Prof. Angeli Torteroli, agora com o nome de "Centro da União Espírita de Propaganda no Brasil", ainda aí Lima e Cirne foi chamado a cooperar, juntamente com doze outros diretores efetivos.
Houve, em 1881, no mês de agosto, culminado precisamente no dia 28, um movimento persecutório em que a própria segurança individual dos espíritas se viu ameaçada. Damos aqui, a esse respeito, uma síntese, segundo as noticias que colhemos na "Revista da Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade", daquele ano, em seus números de setembro, outubro e novembro.
No dia 28 de agosto de 1881, "O Cruzeiro" e o "Jornal do Comercio", diários cariocas, noticiaram, em furo de reportagem, a ordem policial que proibia o funcionamento da Sociedade Acadêmica e bem assim de todos os Círculos a ela filiados, tornando passíveis de sanções penais os espíritas que contrariassem as disposições policiais. Seria esse talvez o preâmbulo de uma perseguição em escala maior e mais generalizada, se não fora a ação pronta dos membros daquela Sociedade.
Nesse mesmo dia 28, reuniram-se eles em sessão extraordinária, a fim de tomarem providências defensivas, caso a referida noticia fosse confirmada. Ainda na data em foco, a Diretoria da Sociedade Acadêmica compareceu perante o Ministro da Justiça, que a recebeu mui cordialmente, declarando que deveria ter havido algum equivoco e que não consentiria na perseguição de ninguém.
Todavia, em 30 de agosto de 1881, um Oficial de Justiça apresentava à Sociedade Acadêmica a contra-fé do mandado de intimação do 2o Delegado de Policia da Corte, mandado que suspendia, vedava as reuniões da Sociedade, alegando que ela não se achava legalmente constituída.
Imediatamente a Diretoria expediu ofícios ao Chefe de Policia e ao Ministro da Justiça, Conselheiro Manuel Pinto de Souza Dantas, provando a arbitrariedade daquela injusta medida. Uma comissão, da qual faziam parte o Dr. Antonio Pinheiro Guedes, Carlos Joaquim de Lima e Cirne, e parece que o Dr. Joaquim Carlos Travassos, o primeiro tradutor das obras de Kardec em português, logo ser pôs em contato com o Chefe de Policia, que, apesar de a ter recebido com amabilidade, nada resolveu, parecendo que a ordem vinha de cima.
A vista disso, a referida comissão recorreu a S. Majestade D.Pedro II em 6 de setembro de 1881. Na presença deste, no paço da Corte, no mesmo tempo que lhe depunham em mãos uma exposição minuciosa dos fatos, com a respectiva defesa dos direitos e das liberdades dos espíritas no Brasil, ouviram da boca do Imperador esta frase frisante: "Eu não consinto em perseguição".
Quinze dias depois, a mesma comissão voltou ao palácio a fim de conhecer da resposta às considerações emitidas na exposição que fora entregue a D. Pedro II. Este, dizendo que mandara os papéis ao Ministro do Império para dar solução ao caso, tornou a afirmar, com certo ar de graça: "Ninguém os perseguirá. Mas... não queiram agora ser mártires."
Ante a reiterada promessa do Imperador a "Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade" continuou a funcionar, sabendo os seus membros que de uma noite para o dia todos eles poderiam ser presos e multados, pois que a ordem policial ainda estava de pé. Na verdade, ela parece que nunca foi revogada, mas não há noticia de que fosse posta em execução, demonstrando ter sido sustada a sua aplicação, talvez por apadrinhamento direto do próprio D.Pedro II...
Finalmente, em oficio datado de 10 de janeiro de 1882, dirigido à SM. D. Pedro de Alcântara, Imperador do Brasil, a diretoria da Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade manifestava o seu jubilo "pelo começo da tolerância" em relação àquela Sociedade, "sinal evidente de que estão terminadas as perseguições encetadas contra o Espiritismo e os espíritas".
A primeira ação policial contra o Espiritismo, ação que logo abortou em seus passos iniciais, trouxe como conseqüência imediata a fundação no Rio, em setembro ou outubro de 1881, do Grupo Espírita Vinte e Oito de Agosto, data que os espíritas da época quiseram fixar para a posteridade.
Carlos Joaquim de Lima e Cirne durante 33 anos consecutivos dedicou-se com todas as forças a uma propaganda ativa do Espiritismo, quer em conferências, quer constituindo, com outros confrades, Associações às quais emprestava todas as suas energias, nunca faltando - conforme salientou um seu biógrafo, José Bernardino da Silva - às sessões programadas, ainda que desabassem as maiores tempestades.
Apesar de seu grande trabalho no Espiritismo, diz o citado biógrafo que Lima e Cirne foi injustamente apreciado por alguns confrades, "mas, sempre firme como um rochedo batido pelas ondas encapeladas de oceano tempestuoso, nunca se lhe ouviu um queixume, uma mágoa contra pessoa alguma; ao contrário, tudo perdoava, tudo desculpava, como adepto genuíno da nova Doutrina que de coração cultivava".
Sócio fundador da Federação Espírita Brasileira, aí conquistou, com sua presença insinuante e modesta, o respeito e a admiração dos companheiros, tendo até colaborado com suas luzes na organização do primeiro Estatuto da Casa de Ismael.
Quer doutrinando os Espíritos sofredores, ou endurecidos, quer intervindo nos debates sobre questões de Doutrina e de administração, a singeleza e a humildade de que se revestia a exposição de suas idéias dispunham a seu favor quantos o escutavam. Ao lado dessas, porém, a virtude que mais brilhava naquele elevado espírito era a bondade de coração. Muito amou, dissemos atrás, os pobres e os enfermos, e devemos insistir nisso, porque foi o característico predominante do seu labor de crente. Pobre, simples funcionário da antiga Repartição Geral dos Telégrafos, vivia a amparar os indigentes, e muitas vezes voltava do trabalho a pé, pois que até o próprio níquel indispensável à passagem de bonde havia sido dado.
Nos últimos anos de sua vida, já alquebrado pelo trabalho e pela idade, ainda assim fazia longas caminhadas para levar os socorros espirituais ou fluídicos, pelos passes magnéticos - pois que era médium curador -, aos atormentados por males físicos e morais.
Quem com ele privasse, fosse por um momento sequer, de pronto sentia a bondade daquela alma, bondade a transparecer nas feições, nos gestos e na palavra.
Bela teria sido, assim, a recepção que na Pátria Celeste lhe prepararam, recebendo o grande operário da Seara Espírita, o fiel discípulo de Jesus, o salário a que de fato fez jus.

Fonte: GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA.- INTERNET.

           RHEDAM.(mzgcar@gmail.com)

segunda-feira, 24 de junho de 2019

- DIVULGAÇÃO DO LIVRO ESPÍRITA. - PAZ E RENOVAÇÃO. - EMMANUEL. (CHICO XAVIER.)


                 PAZ E RENOVAÇÃO.

                         RENOVAÇÃO.

            Ante os conflitos mentais com que somos defrontados, habituamo-nos a falar em desobsessão, liberação, cura espiritual, sedação, socorro magnético e, efetivamente, é impossível negar o valor dessas formas de auxílio.
            Cabe-nos, porém, reconhecer que a renovação íntima é o fator básico de todo reequilíbrio nesse sentido.
            Daí procede, leitor amigo, a organização deste volume despretensioso, englobando avisos, apelos, comentários e lembretes de irmãos para irmãos, no propósito de estudarmos juntos as nossas próprias necessidades.
            Compreendamos que atuar no rendimento do bem de todos; projetar a luz da instrução sobre os labirintos da ignorância; efetuar o próprio burilamento; promover iniciativas de solidariedade; praticar a abnegação e realizar o melhor que possamos fazer de nós. Onde estejamos, são alguns dos programas que a todos nos compete.
            Por isso mesmo, todos aqueles companheiros da humanidade que não mais desejam:
            zelar pela própria apresentação;
            aprender uma lição nova;
            multiplicar os interesses de viver;
            acentuar estudos para discernir com mais segurança;
            partilhar campanhas de educação e beneficência;
            aperfeiçoar-se na profissão;
            restar serviço ao próximo;
            adaptar-se a novidade construtivas;
            acompanhar o progresso;
            aprimorar expressões e maneiras;
            altear idéias e emoções;
            ler um livro recente;
            adquiri mais cultura;
            recomeçar um empreendimento que o fracasso esmagou;
            aumentar o número das afeições;
            criar novos recursos de atividade edificante, em torno de si mesmo;
            Todos aqueles, enfim, que desistiram de qualquer transformação na própria senda, renunciando-se ao dever de melhorar-se, mais e sempre, se fazem menos permeáveis ao apoio curativo ou libertador, seja com a intervenção da Ciência ou com o amparo da Religião.
            Este livro é, desse modo, um convite a que nos desgarremos da sombra do desânimo ou da inércia, onde surjam, para nos colocarmos todo no encalço das realidades do espírito, em nós mesmos, recordando a advertência do Mestre Inolvidável: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.
            E estejamos convencidos de que marchar para a verdade será sempre transitar para diante nos caminhos do burilamento e do trabalho, da renovação e da luz.

                                                           EMMANUEL. (Chico Xavier)

            Uberaba, 1 de fevereiro de 1970.

            Fonte: Livro “PAZ E RENOVAÇÃO”, - autores Espíritos Diversos, - Psicografia Francisco Cândido Xavier, - 3 ª. edição, - Editora CEC, UBERABA, MG. – 1972.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)