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segunda-feira, 17 de junho de 2019

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - SONETO. - LUIZ GUIMARÃES JÚNIOR.(CHICO XAVIER.)

                              SONETO

Na escuridão dos anos procelosos,
Da velhice nos dias mal vividos,
Eu quisera voltar aos tempos idos
Da juventude, aos tempos bonançosos.

Mal podia julgar que inda outros gozos
Mais sublimes que aqueles já fruídos,
Nas esteiras de prantos esquecidos,
Acharia nos céus maravilhosos.

Pairar no Além!... volver ao lar primeiro,
Ressurgido em perene mocidade,
Clarão de paz ao pobre caminheiro!

No limiar das amplidões da Altura
Penetrei, vislumbrando a Imensidade,
Soluçando empolgado de ventura.

Luiz Guimarães Júnior

POETA brasileiro, nascido no Rio de Janeiro, em 17 de fevereiro de 1845, e desencarnado em Lisboa com 53 anos de idade.
Foi jornalista, comediógrafo e diplomata. Entre suas obras, Carimbos, Noturnos, Lírica, etc., sobressai Sonetos e Rimas, que ainda hoje se lê com encanto. Foi membro da Academia Brasileira de Letras.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

quarta-feira, 8 de maio de 2019

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - SONETO. - JOSÉ DURO(CHICO XAVIER.)


                         SONETO

Pouco tempo sofri na Terra ingrata e dura
Onde o mal prolifera, onde perece o amor,
Entre a sufocação de um sonho superior
E a esperança na morte, a triste senda escura.

Até que um dia a morte amiga e benfazeja
Apodreceu meu corpo em sua mão gelada,
E minhalma elevou-se à rutilante estrada
Onde o Espírito encontra a paz que tanto almeja.

Algum tempo eu sofri, ao pé do corpo imundo,
Escravizado ao pranto, agrilhoado ao mundo,
Prisioneiro da mágoa, amortalhado em dor!

Mas depois a oração libertou-me da pena,
E pude, então, voar para a mansão serena,
Onde fulgura o sol do verdadeiro amor.

José Duro

POETA português, nasceu em 1875 e desencarnou em 1899. Musa amargurada, deixou um livro – Fel – que apareceu poucos dias antes da sua morte e foi prefaciado por Forjaz de Sampaio. Henrique Perdigão classifica-o como o “Cantor da Tristeza”.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

sábado, 29 de dezembro de 2018

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - SONETO. - JOÃO DE DEUS. (CHICO XAVIER.)


                                     SONETO

Como outrora, entre ovelhas desgarradas,
O coração tocado de agonias,
O Mestre chora como Jeremias,
Vendo o mundo nas lutas condenadas.

Sempre a miséria e a dor nos vossos dias!
Sempre a treva nas míseras estradas...
Preces infindas e desesperadas,
Do caminho de lágrimas sombrias...

Dois milênios contando o grande ensino
Do Amor, o luminoso bem divino,
Sobre as desolações do mundo velho...

Mas, em todos os tempos é a vaidade
No egoísmo da triste Humanidade,
Demorando as vitórias do Evangelho.

João de Deus

NASCIDO em São Bartolomeu de Messines, Portugal, em 1830, e desencarnado em 1896, afirmou-se um dos maiores líricos da língua portuguesa. É tão bem conhecido no Brasil quanto em seu belo país. Nestas poesias palpita, de modo inconfundível, a suavidade e o ritmo da sua lira.


            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

quarta-feira, 9 de maio de 2018

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - SONETO. - HERMES FONTES. (CHICO XAVIER.)


                              SONETO

Sou, o lavrador que fez, rude e bisonho,
A sementeira luminosa e rara
Do trigo louro e rútilo do sonho...
– Sonho lindo que a nada se compara.

Não reparou o labor triste e enfadonho,
Regou, chorando, a terra que lavrara;
E de alma ingênua e coração risonho,
Esperou confiante o sol da seara.

Passados os trabalhos e os tormentos,
Quando aguardava a messe, jubiloso,
Numa grande esperança insatisfeita,

Eis que aparecem os arrasamentos,
E o pobre, desgraçado e desditoso,
Perdeu tudo no instante da colheita.

Hermes Fontes

SERGIPANO, nasceu na Vila de Boquim, em 1888, e suicidou- se no Rio de Janeiro aos 26 de dezembro de 1930. Poeta de grande relevo emocional, deixou firmada sua personalidade literária, tendo publicado Apoteoses, Gênese, Lâmpada Velada e Fonte da Mata, seu último livro.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

- POEMAS ESPÍRITAS. PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - SONETO. CRUZ E SOUZA. (CHICO XAVIER.)



                                  SONETO

Nos labirintos dessa eternidade
Que nós vivemos luminosa e pura,
A alma vive na intérmina procura
Do filão de ouro da felicidade.

Quanto mais sofre, tanto mais se apura
No pensamento excelso da Verdade,
Vendo na auréola da Imortalidade
A alvorada risonha da ventura.

E ao fim de cada noite tormentosa,
Que é a existência na prova dolorosa,
Canta e vibra num dia de bonança.

Em torno da Verdade a alma gravita
Buscando a Perfeição pura, infinita,
Nessa jornada eterna da Esperança.

Cruz e Souza

CATARINENSE. Funcionário público, encarnou em 1861 e desprendeu-se em 1898, no Estado de Minas. Poeta de emotividade delicada, soube, mercê de um simbolismo inconfundível, marcar sua individualidade literária. Sua vida foi toda dores.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - SONETOS III. - BATISTA CEPELOS. (CHICO XAVIER.)

                                     SONETOS III.

                        Sirva-vos de escarmento a dor que trago
                        Na minhalma infeliz e sofredora,
                        Este padecimento com que pago
                        O desvio da estrada sofredora.

                        Aqui somente me ampara-me esse vago
                        Pressentimento de uma boa aurora,
                        Quando terei os bens, o brando afago
                        Da Luz, que está na dor depuradora.

                        Agora, sim! Depois de tantos anos
                        De tormentos, em meio aos desenganos,
                        Espero o sol de novas alvoradas

                        De existências de pranto e de miséria,
                        Para beber no cálix da matéria
                        As essências das dores renegadas!

                                                                       BATISTA CEPELOS.

            Poeta paulista, desencarnou no Rio de Janeiro, em 1915, atribuindo-se a suicídio o encontro do seu corpo entre pedras de uma rocha, na rua Pedro Américo. Esta versão parece confirmar-se agora nestes sonetos. Olavo Bilac, ao prefaciar-lhe Os Bandeirantes, exalta-lhe o estro espontâneo, original e simples.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - CÁRMEN CINIRA - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.


                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - SONETOS II. - BATISTA CEPELOS. (CHICO XAVIER.)


                                        SONETOS II.

                        Ninguém ouve na Terra esse lamento
                        Da minha dor imensa, incompreendida,
                        Nas pavorosas trevas desta vida
                        Em que eu julgava achar o Esquecimento.

                        Tenebrosas, essa noite indefinida,
                        Cheia de tempestade e sofrimento,
                        No pais do Pavor e do Tormento
                        Onde chora minhalma enceguecida.

                        Onde o não-ser, a paz calma e serena,
                        Que me traria o bálsamo a esta pena
                        Interminável, rude, dolorosa?

                        Ninguém! Uma só voz não me responde!
                        Sinto somente a treva que me esconde
                        Na vastidão da noite tormentosa...

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - CÁRMEN CINIRA - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                                                       BATISTA CEPELOS.
  
            Poeta paulista, desencarnou no Rio de Janeiro, em 1915, atribuindo-se a suicídio o encontro do seu corpo entre pedras de uma rocha, na rua Pedro Américo. Esta versão parece confirmar-se agora nestes sonetos. Olavo Bilac, ao prefaciar-lhe Os Bandeirantes, exalta-lhe o estro espontâneo, original e simple.


                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - SONETOS I. - BATISTA CEPELOS. (CHICO XAVIER.


SONETOS I.

                        Eu fui pedir à Natureza, um dia,
                        Que me desse um consolo a tantas dores;
                        Desalentado e triste, pressenti-la
                        Cansada e triste como os sofredores.

                        Encaminhei a porta da Agonia,
                        Corroído por chagas interiores,
                        Buscando a morte que me aparecia
                        Como o termo anelado dos dissabores,

                        Desvendando esse trágico segredo
                        Que a alma decifra, pávida de medo,
                        Com ansiedade e temores dos galés...

                        Mas ah! Que atroz remorso me persegue!
                        Choro, soluço, clamo e ele me segue
                        Nesse abismo que se abre ante os meus pés.
                                                                       BATISTA CEPELOS.

            Poeta paulista, desencarnou no Rio de Janeiro, em 1915, atribuindo-se a suicídio o encontro do seu corpo entre pedras de uma rocha, na rua Pedro Américo. Esta versão parece confirmar-se agora nestes sonetos. Olavo Bilac, ao prefaciar-lhe Os Bandeirantes, exalta-lhe o estro espontâneo, original e simples.


            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - CÁRMEN CINIRA - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.


                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM DO TÚMULO. - SONETO. - ANTÔNIO NOBRE. (CHICO XAVIER.)

                                                SONETO.

                        “Quando cobrir-se o chão de folhas mortas
                        - Meu coração dizia em grave entono –
                        Extinguindo-se a vida que comportas,
                        Dormirás no meu seio o último sono...”

                        E murmurava a alma – “Findo o Outono,
                        A Primavera vem por outras portas;
                        Não existe no túmulo o abandono,
                        Ou a dor amarga e rude em que te cortas.”

                        Escutava essas vozes comovido,
                        Morto de angústia, morto de incerteza,
                        Aguardando o sol-postom entristecido;

                        E além da amarga vida de segundos,
                        Ressurgi da tortura e da tristeza,
                        Sob os ares sadios de outros mundos!
                       
                                                                                  ANTÔNIO NOBRE.

            Nasceu na cidade do Porto e faleceu na Foz do Ouro aos 33 anos de idade, em 18 de março de 1900. Distinguiu-se pela suavidade e melancolia do seu estilo. Deixou um livro inconfundível e, ainda hoje, muito estimado – Só – e Despedidas, edição de 1902.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - CÁRMEN CINIRA - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                               RHEDAM. (rhedam@gmail.com)

quarta-feira, 31 de julho de 2013

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - SONETO. ANTERO QUENTAL. (CHICO XAVIER.)

                             

                                               SONETO.

                        Mais se afunda a chega da amargura
                        Quando reflexiono, quando penso
                        No mar humano, escapelado e imenso,
                        Onde se perde a luz em noite escura...

                        Nesse abismo de treva e benção pura,
                        Do espírito de amor ao mal infenso,
                        Sente o assédio do mal. É o contra-senso
                        Da luz unida à lama que a tortura.

                        Mais se aumenta a chaga dolorida,
                        Escutando o soluço cavernoso
                        De pobre Humanidade escravizada;

                        Sentindo o horror que nasce dessa vida,
                        Que se vive no abismo tenebroso,
                        Cheio de pranto da alma encarcerada!

                                                                                  - ANTERO DE QUENTAL.

            Nascido na ilha de São Miguel nos Açores, em 1842, e desencarnou por suicídio, em1891. É vulto eminente e destacado nas letras portuguesas, caracterizando-se pelo seu espírito filosófico.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - CÁRMEN CINIRA - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                               RHEDAM. (rhedam@gmail.com)

quinta-feira, 18 de julho de 2013

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - ANTERO DE QUENTAL. (CHICO XAVIER.)

                                               SONETO.

                        Quisera crer, na Terra, que existisse
                        Esta vida que agora estou vivendo,
                        E nunca encontraria abismo horrendo,
                        De amargoso penar que se me abrisse.

                        Andei cego, porém, e sem que visse
                        Meu próprio bem na dor que ia sofrendo;
                        Desvairado, ao sepulcro fui descendo,
                        Sem que a Paz almejada conseguisse.

                        Da morte a Paz busquei, como se fora
                        Apossar-me do eterno esquecimento,
                        Ao viver da minh’alma sofredora;

                        E em vez de imperturbáveis quietudes,
                        Encontrei os Remorsos e o Tormento,
                        Recrudescendo as minhas dores rudes.

                                                                                  - ANTERO DE QUENTAL.

            Nascido na ilha de São Miguel nos Açores, em 1842, e desencarnou por suicídio, em1891. É vulto eminente e destacado nas letras portuguesas, caracterizando-se pelo seu espírito filosófico.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - CÁRMEN CINIRA - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.


                                               RHEDAM. (rhedam@gmail.com)

segunda-feira, 16 de julho de 2012

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNAZO DE ALÉM TÚMULO. - SONETO. - CRUZ e SOUZA. - (CHICO XAVIER.)


                                               SONETO.

                                   Nos labirintos dessa eternidade
                                   Que nós vivemos luminosa e pura,
                                   A alma vive na intérmina procura
                                   Do filão de ouro da cidade.

                                   Quanto mais sofre, tanto mais apura
                                   No pensamento excelso da Verdade,
                                   Vendo na auréola da Imortalidade
                                   A alvorada risonha da ventura.

                                   E ao fim de cada noite tormentosa,
                                   Que é a existência na prova dolorosa,
                                   Canta e vibra num dia de bonança.

                                   Em torno da Verdade a alma gravita
                                   Buscando a Perfeição pura, infinita,
                                   Nessa jornada eterna da Esperança.

                                                                                  CRUZ E SOUZA.

            Catarinense. Funcionário público, encarnou em 1861 e desprendeu-se em 1898, no Estado de Minas. Poeta de emotividade delicada, soube, mercê de um simbolismo inconfundível, marcar sua individualidade literária. Sua vida foi toda de dores.

Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - CÁRMEN CINIRA - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (rhedam@gmail.com)