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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - NOITES DE NATAL. - JOÃO DE DEUS. (CHICO XAVIER.)


                   NOITE DE NATAL.

– “Minha mãe, por que Jesus,
Cheio de amor e grandeza,
Preferiu nascer no mundo
Nos caminhos da pobreza?

Por que não veio até nós,
Entre flores e alegrias,
Num berço todo enfeitado
De sedas e pedrarias?”

– “Acredito, meu filhinho,
Que o Mestre da Caridade
Mostrou, em tudo e por tudo,
A luminosa humildade!...

Às vezes, penso também
Nos trabalhos deste mundo,
Que a Manjedoura revela
Ensino bem mais profundo!”

E a pobre mãe, de olhos fixos
Na luz do céu que sorria,
Concluiu com sentimento,
Em terna melancolia:

– “Por certo, Jesus ficou
Nas palhas, sem proteção,
Por não lhe abrirmos na Terra
As portas do coração.”

João de Deus

NASCIDO em São Bartolomeu de Messines, Portugal, em 1830, e desencarnado em 1896, afirmou-se um dos maiores líricos da língua portuguesa. É tão bem conhecido no Brasil quanto em seu belo país. Nestas poesias palpita, de modo inconfundível, a suavidade e o ritmo da sua lira.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - NO TEMPLO DA EDUCAÇÃO. - JOÃO DE DEUS.( CHICO XAVIER.)

    NO TEMPLO DA EDUCAÇÃO.

Distribuía o Mestre os dons divinos
Da luz do seu Espírito sem jaça,
E exclama, enquanto a turba observa e passa;
– “Deixai virem a mim os pequeninos!...”

É que na alma sincera dos meninos
Há uma luz de ternura, amor e graça,
De que o Senhor da Paz quer que se faça
O sol da nova estrada dos destinos.

Vós, que tendes a fé que ama e consola,
Fazei do vosso lar a grande escola
De justiça, de amor e de humildade!

As conquistas morais são toda a glória
Que a alma busca na vida transitória,
Pelos caminhos da imortalidade.

João de Deus

NASCIDO em São Bartolomeu de Messines, Portugal, em 1830, e desencarnado em 1896, afirmou-se um dos maiores líricos da língua portuguesa. É tão bem conhecido no Brasil quanto em seu belo país. Nestas poesias palpita, de modo inconfundível, a suavidade e o ritmo da sua lira.


            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - ETERNA MENSAGEM.- JOÃO DE DEUS. ( CHICO XAVIER.)

            ETERNA MENSAGEM.

Ainda e sempre o Evangelho do Senhor
É a mensagem eterna da Verdade,
Senda de paz e de felicidade,
Na luz das luzes do Consolador.

Nos caminhos da lágrima e da dor,
Ante os desfiladeiros da impiedade,
Não sabe o coração da Humanidade
Beber dessa água límpida do Amor.

Mas os túmulos falam pela estrada,
Em toda parte fulge uma alvorada
Que ao roteiro dos Céus nos reconduz;

O Evangelho, na luz do Espiritismo,
É a escada de Jacob vencendo o abismo,
Trazendo ao mundo o verbo de Jesus.

João de Deus

NASCIDO em São Bartolomeu de Messines, Portugal, em 1830, e desencarnado em 1896, afirmou-se um dos maiores líricos da língua portuguesa. É tão bem conhecido no Brasil quanto em seu belo país. Nestas poesias palpita, de modo inconfundível, a suavidade e o ritmo da sua lira.


            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM T´MULO. - LEMBRAI A CHAMA. - JOÃO DE DEUS.(CHICO XAVIER.)

                     LEMBRAI A CHAMA.

Vós que buscais além da sepultura
A resposta de luz da Eternidade,
Nunca olvideis a Excelsa Claridade,
Que reside convosco em noite escura.

Somos todos a Grande Humanidade,
Em direção à Fonte Eterna e Pura,
Somos em toda parte a criatura
Buscando os dons supremos da Verdade.

Tendes convosco a Chama Adormecida...
Rogamos acendais a Luz da Vida,
Já que buscais mais crença junto a nós!

Se quiserdes brilhar nos Outros Planos,
Ó torturados corações humanos,
Deixai que o Cristo nasça dentro em vós.

João de Deus

NASCIDO em São Bartolomeu de Messines, Portugal, em 1830, e desencarnado em 1896, afirmou-se um dos maiores líricos da língua portuguesa. É tão bem conhecido no Brasil quanto em seu belo país. Nestas poesias palpita, de modo inconfundível, a suavidade e o ritmo da sua lira.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - FRATERNIDADE. - JOÃO DE DEUS. (CHICO XAVIER.)


                        FRATERNIDADE.

Fraternidade é árvore bendita,
Cujas flores e ramos de esperança
Buscam a luz eterna que se agita,
Rumo ao país ditoso da bonança.

É a fonte cristalina em que descansa
A alma humana fraca, errante e aflita;
É a luminosa bem-aventurança
Da mensagem de Deus, pura e infinita!...

Vós que chorais ao coro das procelas,
Vinde, irmãos! Desdobrai as vossas velas!...
Não vos sufoque o horror da tempestade

Fraternidade é o derradeiro porto,
A terra da união e do conforto,
Que habitaremos na Imortalidade.

João de Deus

NASCIDO em São Bartolomeu de Messines, Portugal, em 1830, e desencarnado em 1896, afirmou-se um dos maiores líricos da língua portuguesa. É tão bem conhecido no Brasil quanto em seu belo país. Nestas poesias palpita, de modo inconfundível, a suavidade e o ritmo da sua lira.
  
            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

sábado, 5 de janeiro de 2019

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - A PRECE. JOÃO DE DEUS. (CHICO XAVIER.)


                                   A PRECE

O Senhor da Verdade e da Clemência
Concedeu-nos a fonte cristalina
Da prece, água do amor, pura e divina,
Que suaviza os rigores da existência.

Toda oração é a doce quinta-essência
Da esperança ditosa e peregrina,
Filha da crença que nos ilumina
Os mais tristes refolhos da consciência.

Feliz o coração que espera e ora,
Sabendo contemplar a eterna aurora
Do Além, pela oração profunda e imensa.

Enquanto o mundo anseia, estranho e aflito,
A prece alcança as bênçãos do Infinito,
Nos caminhos translúcidos da Crença.

João de Deus

NASCIDO em São Bartolomeu de Messines, Portugal, em 1830, e desencarnado em 1896, afirmou-se um dos maiores líricos da língua portuguesa. É tão bem conhecido no Brasil quanto em seu belo país. Nestas poesias palpita, de modo inconfundível, a suavidade e o ritmo da sua lira.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

sábado, 29 de dezembro de 2018

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - SONETO. - JOÃO DE DEUS. (CHICO XAVIER.)


                                     SONETO

Como outrora, entre ovelhas desgarradas,
O coração tocado de agonias,
O Mestre chora como Jeremias,
Vendo o mundo nas lutas condenadas.

Sempre a miséria e a dor nos vossos dias!
Sempre a treva nas míseras estradas...
Preces infindas e desesperadas,
Do caminho de lágrimas sombrias...

Dois milênios contando o grande ensino
Do Amor, o luminoso bem divino,
Sobre as desolações do mundo velho...

Mas, em todos os tempos é a vaidade
No egoísmo da triste Humanidade,
Demorando as vitórias do Evangelho.

João de Deus

NASCIDO em São Bartolomeu de Messines, Portugal, em 1830, e desencarnado em 1896, afirmou-se um dos maiores líricos da língua portuguesa. É tão bem conhecido no Brasil quanto em seu belo país. Nestas poesias palpita, de modo inconfundível, a suavidade e o ritmo da sua lira.


            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

sábado, 22 de dezembro de 2018

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - ALÉM. - JOÃO DE DEUS. (CHICO XAVIER.)


                              ALÉM.

Além da sepultura, a nova aurora
Luminosa e divina se levanta;
Lá palpita a beleza onde a alma canta,
A luz do amor que vibra e revigora.

Ó corações que a lágrima devora,
Prisioneiros da dor que fere e espanta,
Tende na vossa fé a bíblia santa,
E em vossa luta o bem de cada hora.

Além da morte, a vida tumultua,
O trabalho divino continua...
Vida e morte – exultai ao bendizê-las!

Esperai nos tormentos mais profundos,
Que a este mundo sucedem-se outros mundos,
E às estrelas sucedem-se as estrelas!

João de Deus

NASCIDO em São Bartolomeu de Messines, Portugal, em 1830, e desencarnado em 1896, afirmou-se um dos maiores líricos da língua portuguesa. É tão bem conhecido no Brasil quanto em seu belo país. Nestas poesias palpita, de modo inconfundível, a suavidade e o ritmo da sua lira.


            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - ORAÇÃO. - JOÃO DE DEUS. (CHICO XAVIER.)


                            ORAÇÃO.

Vós que sois a mãe bondosa
De todos os desvalidos
Deste vale de gemidos.
Mãe piedosa!...

Sublime estrela que brilha
No céu da paz, da bonança,
Do céu de toda a esperança –
Maravilha!

Maria! – consolação
Dos pobres, dos desgraçados,
Dos corações desolados
Na aflição,

Compadecei-vos, Senhora,
De tão grandes sofrimentos,
Deste mundo de tormentos,
Que apavora.

Livrai-nos do abismo tredo
Dos males, dos amargores,
Protegei os pecadores
No degredo.

Estendei o vosso manto
De bondade e de ternura,
Sobre tanta desventura,
Tanto pranto!

Concedei-nos vosso amor,
A vossa misericórdia,
Dai paz a toda discórdia,
Trégua à dor!...

Vós que sois Mãe carinhosa
Dos fracos, dos oprimidos
Deste vale de gemidos,
Mãe bondosa!

Oração:

Pai de Amor e Caridade,
Que sois a terna clemência
E de todas as criaturas
Carinhosa Providência!
Que os homens todos vos amem,
Que vos possam compreender,
Pois tendo ouvidos não ouvem,
E vendo não querem ver.

João de Deus

NASCIDO em São Bartolomeu de Messines, Portugal, em 1830, e desencarnado em 1896, afirmou-se um dos maiores líricos da língua portuguesa. É tão bem conhecido no Brasil quanto em seu belo país. Nestas poesias palpita, de modo inconfundível, a suavidade e o ritmo da sua lira.


            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - A FORTUNA. - JOÃO DE DEUS. (CHICO XAVIER.)


               A FORTUNA.

Anda a Fortuna por uma praça,
Fala à Ventura com riso irmão,
E mais adiante topa a Desgraça,
E altiva e rude lhe esconde a mão.

Vaidosa e bela, dá preferência
Ao torpe egoísmo acomodatício,
E entre as virtudes, na existência,
Escolhe sempre flores do vício.

E assim prossegue na desmarcada
Carreira louca do vão prazer,
Como perdida, e já sepultada,
No esquecimento do próprio ser.

Depois, cansada e já comovida,
Quando só pede luz e amor,
Acorre à Morte por dar-lhe a Vida,
E vem a Vida por dar-lhe a Dor.

João de Deus

NASCIDO em São Bartolomeu de Messines, Portugal, em 1830, e desencarnado em 1896, afirmou-se um dos maiores líricos da língua portuguesa. É tão bem conhecido no Brasil quanto em seu belo país. Nestas poesias palpita, de modo inconfundível, a suavidade e o ritmo da sua lira.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

sábado, 1 de dezembro de 2018

- POEMAS ESPÍRITAS.- PARNASO DE ALÉM T´MULO. - ORAÇÃO. - JOÃO DE DEUS. ( CHICO XAVIER.)






ORAÇÃO.

A Ti, Senhor,
Meu coração
Imerso em dor
Aflito vem,

Pedindo a luz,
Pedindo o bem
E a salvação.

Pedir a quem,
Senão a Ti,
Cuja bondade
Me sorri
E me conduz
À imensidade
Da perfeição?

És a piedade
Divina e pura
Que à criatura
Dá luz e pão.

Sou eu, somente,
O impenitente
Na expiação.

Em Ti, portanto,
Confio e espero,
De Ti eu quero
Me aproximar!

Consolo santo,
Para o meu pranto
Venho implorar.

Bem sei, Senhor,
Se sofro e choro,
Se me demoro
No padecer,
É porque andei
Longe do Amor,
No meu viver.

O Amor é a lei,
Que me ensinaste
E que deixaste
Aos irmãos teus!

Pra que eu pudesse,
Ditosamente,
Buscar os Céus.

Assim, contente,
Cheio de unção,
Elevo a prece
Do coração,
A Ti, Senhor,
Rogando amor,
Paz e perdão!

João de Deus

NASCIDO em São Bartolomeu de Messines, Portugal, em 1830, e desencarnado em 1896, afirmou-se um dos maiores líricos da língua portuguesa. É tão bem conhecido no Brasil quanto em seu belo país. Nestas poesias palpita, de modo inconfundível, a suavidade e o ritmo da sua lira.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - BONDADE. - JOÃO DE DEUS. (CHICO XAVIER,)

                            BONDADE

Vê-se a miséria desditosa
Perambulando numa praça;
Sob o seu manto de desgraça
Clama o infortúnio abrasador.

Eis que a Fortuna se lhe esconde;
E passa o gozo, muito ao largo;
E ela chora, ao gosto amargo,
O seu destino, a sua dor.

Mas eis que alguém a reconforta:
É a bondade. Abre-lhe a porta;
E a fada, à luz dessa manhã,

Diz-lhe, a sorrir: – Tens frio e fome?
Pouco te importe qual meu nome,
Chega-te a mim: sou tua irmã.

João de Deus

NASCIDO em São Bartolomeu de Messines, Portugal, em 1830, e desencarnado em 1896, afirmou-se um dos maiores líricos da língua portuguesa. É tão bem conhecido no Brasil quanto em seu belo país. Nestas poesias palpita, de modo inconfundível, a suavidade e o ritmo da sua lira.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

terça-feira, 30 de outubro de 2018

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - O LEPROSO. - JOÃO DE DEUS.(CHICO XAVIER.)


                        O LEPROSO.

Dizia o pobre leproso:
Senhor! Não tenho mais vida.
Sou uma pútrida ferida
Sobre o mundo desditoso!

Mas o anjo da esperança
Responde-lhe com brandura:
– Meu filho, espera a ventura
Com fé, com perseverança.

Se teu corpo é lama e pus
Em meio dos sofrimentos,
Tua alma é réstia de luz
Dos eternos firmamentos.

João de Deus

NASCIDO em São Bartolomeu de Messines, Portugal, em 1830, e desencarnado em 1896, afirmou-se um dos maiores líricos da língua portuguesa. É tão bem conhecido no Brasil quanto em seu belo país. Nestas poesias palpita, de modo inconfundível, a suavidade e o ritmo da sua lira.


            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

- POEMAS ESPÍRITAS. - LAMENTOS DO ÓRFÃO.- JOÃO DE DEUS. (CHICO XAVIER.)

         LAMENTOS DO ÓRFÃO.

Minha mãezinha, alguém me disse,
Que tu te foste, triste sem mim;
Já não me embala tua meiguice,
E não podias partir assim.

Eu acredito que tenhas ido
Pedir a Deus, que possui a luz,
Que de mim faça, do teu querido,
Um dos seus anjos, outro Jesus.

Mas tanto tempo faz que partiste,
Que me fugiste sem me levar,
Que sofro e choro, saudoso e triste,
Sem esperanças de te encontrar.

Há quantos dias que te procuro,
Que te procuro chamando em vão!...
Tudo é silêncio tristonho e escuro,
Tudo é saudade no coração.

Outros meninos alegres vejo,
Numa alegria terna e louçã,
Que exclamam rindo dentro dum beijo:
“Como eu te adoro, minha mamã!”

Sinto um anseio sublime e santo,
De nos meus braços, mãe, te beijar;
E abraço o espaço, beijo o meu pranto,
Somente a mágoa vem-me afagar.

Inquiro o vento: – “Quando verei
Minha mãezinha boa e querida?”
E o vento triste diz-me: – “Não sei! ...
Só noutra vida, só noutra vida!...”

Pergunto à fonte, pergunto à ave,
Quando regressas dos Céus supremos,
E me respondem em voz suave:
 “Nós não sabemos! nós não sabemos!...”

Pergunto à flor que engalana a aurora,
Quando é que voltas desse país,
E ela retruca, consoladora:
“Depois da morte serás feliz.”

E digo ao sino na tarde calma:
“Onde está ela, meu doce bem?”
Ele responde, grave, à minhalma:
“Além na luz! Na luz do Além!.. .“

O mar e a noite me crucificam,
Multiplicando meus pobres ais,
Cheios de angústias, ambos replicam:
“Tua mãezinha não volta mais.”

Somente a nuvem, quando eu imploro,
Diz-me que vens e diz que te vê;
E me conforta, do céu, se eu choro:
“Eu vou chamá-la para você.”

Sempre te espero, mas, ai! não voltas,
Nem para dar-me consolação;
Ó mãe querida, que mágoas soltas
Andam cortando meu coração.

Tanta saudade, e, no entretanto,
Vejo-te linda nos sonhos meus;
Ajoelhada, banhada em pranto,
E de mãos postas aos pés de Deus.

Sempre a meus olhos, estás bonita
Qual uma rosa, como um jasmim!
Porém conheço que estás aflita,
Com o pensamento junto de mim.

Então, entrego-me ao meu desejo,
Tremo de anseio, calo, sorrio,
Sentindo o anélito do teu beijo...
Mas abro os olhos no ar vazio!

Vai-se-me o sonho... Quanta amargura,
Que sinto esparsa pelo caminho!
Que mágoa eterna! que desventura,
Para quem segue triste e sozinho.

Volta depressa! guardo-te flores,
Porque só vivo pensando em ti:
Celebraremos nossos amores,
Junto da fonte que canta e ri.

Já não suporto tantos cansaços!...
Se não voltares, pede a Jesus
Que te conceda pôr-me em teus braços,
Foge comigo para outra luz!...

João de Deus

NASCIDO em São Bartolomeu de Messines, Portugal, em 1830, e desencarnado em 1896, afirmou-se um dos maiores líricos da língua portuguesa. É tão bem conhecido no Brasil quanto em seu belo país. Nestas poesias palpita, de modo inconfundível, a suavidade e o ritmo da sua lira.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - ANGÚSTIA MATERNA. - JOÃO DE DEUS. (CHICO XAVIER.)


           ANGÚSTIA MATERNA.

 “Ó Lua branca, suave e triste,
- A Mãe pedia, fitando o céu –
Dize-me, Lua, se acaso viste
Nos firmamentos o filho meu.

A Morte ingrata, fria e impiedosa,
Deixou vazio meu doce lar,
Deixou minhalma triste e chorosa,
Roubou-me o sonho – deu-me o penar.

Se tu soubesses, Lua serena,
Como era grácil, que encantador
Meu anjo belo como a açucena,
Cheio de vida, cheio de amor!...”

Disse-lhe a Lua – “Eu sei do encanto,
Dum filho amado que a gente tem;
E das ausências conheço o pranto,
Oh! se o conheço, conheço-o bem!...

– “Então, responde-me sem demora,
Continuava, sempre a chorar:
Em qual estrela cheia de aurora
Foi o meu anjo se agasalhar?.. .“

– “Mas não o avistas – responde-lhe ela –
Naquela estrela que tremeluz?
Abre teus olhos... É bem aquela
Que anda cantando no céu de luz.”

E a Mãe aflita, martirizada,
Fitou a estrela que lhe sorriu,
Sentiu-lhe os raios, extasiada,
E dos seus cantos, feliz, ouviu:

– “Ilha pacífica, da esperança,
Sou eu no mar do éter infindo;
Do sofrimento mato a lembrança
E abro o futuro, ditoso e lindo.

Do Senhor tenho doce trabalho,
Missão que é toda só de alegrias:
Flores reparto cheias de orvalho,
Flores que afastam as agonias.”

– “Quase te odeio, luz de alvorada,
Ó linda estrela que adorna o céu,
Gritou-lhe a pobre desconsolada,
Porque tu guardas o filho meu.”

– “Se tu me odeias, se me detestas,
Contudo eu te amo e pergunto: quem
Não tem saudades das minhas festas?
O teu anjinho teve-as também.

Em mim a noite não tem guarida,
Aqui terminam os dissabores;
Aqui em tudo floresce a vida,
Vida risonha, cheia de flores!...”

A mãe saudosa, banhada em pranto,
Notou de logo seu filho lindo,
Todo vestido dum brilho santo,
Num belo raio de luz, sorrindo...

Disse-lhe o filho – “Tive deveras
Muita saudade, mãezinha amada,
Senti a falta das primaveras,
Senti a falta desta alvorada!...

Não resisti... Tanta era a saudade!
Voltei do exílio, fugi da dor,
Aqui é tudo felicidade,
Paz e ventura, carícia e amor!

Ó mãe, perdoa, se mais não pude
Ficar contigo na escuridão,
A Terra amarga, tristonha e rude,
Envenenava meu coração.

Aqui, na estrela, também há fontes,
Jardins e luzes e fantasias,
Sóis rebrilhando nos horizontes,
Sonhos, castelos e melodias.

Daqui te vejo, daqui eu velo
Pelo sossego dos dias teus;
Faço-te um ninho ditoso e belo,
Muito pertinho do amor de Deus!...“

Aí os olhos da desditosa
Nada mais viram do Eterno Lar.
Viu-se mais calma, menos saudosa,
E, estranhamente, pôs-se a chorar...

João de Deus

NASCIDO em São Bartolomeu de Messines, Portugal, em 1830, e desencarnado em 1896, afirmou-se um dos maiores líricos da língua portuguesa. É tão bem conhecido no Brasil quanto em seu belo país. Nestas poesias palpita, de modo inconfundível, a suavidade e o ritmo da sua lira.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

sábado, 1 de setembro de 2018

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO.- JOÃO DE DEUS. (CHICO XAVIER.)


  PARNASO DE ALÉM TÚMULO.

Além do túmulo o Espírito inda canta
Seus ideais de paz, de amor e luz,
No ditoso país onde Jesus
Impera com bondade sacrossanta.

Nessas mansões, a lira se levanta
Glorificando o Amor que em Deus transluz,
Para o Bem exalçar, que nos conduz
À divina alegria, pura e santa.

Dessa Castélia eterna da Harmonia
Transborda a luz excelsa da Poesia,
Que a Terra toda inunda de esplendor.

Hinos das esperanças espargidos
Sobre os homens, tornando-os mais unidos,
Na ascensão para o Belo e para o Amor.

João de Deus

NASCIDO em São Bartolomeu de Messines, Portugal, em 1830, e desencarnado em 1896, afirmou-se um dos maiores líricos da língua portuguesa. É tão bem conhecido no Brasil quanto em seu belo país. Nestas poesias palpita, de modo inconfundível, a suavidade e o ritmo da sua lira.


            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - NA ESTRADA DE DAMASCO. - JOÃO DE DEUS. (CHICO XAVIER.)


           NA ESTRADA DE DAMASCO.

Num certo dia
A Ambição,
De parceria
Com o Orgulho,
Chamou o homem
Jatancioso,
Rude e cioso
Do seu poder
E vão saber,
E assim lhe disse:

 “Homem, tu és
Senhor potente,
Grande e valente
Aqui no mundo;
E se quiseres
Tornar-te um rei
Da imensa grei
Da Criação,
É só viveres
A procurar
Mais dominar
Os elementos
A transudar
Nos sentimentos.
Maior coragem
Para ganhares
Sempre vantagem
No teu viver,
E conquistares
Sempre o poder
Dos triunfantes.
Aos semelhantes
Em vez de amá-los
Tais como irmãos,
Faze-os vassalos
No teu reinado,
Glorificado
De grão-senhor!”

E o pecador,
Ser imperfeito
Se achasse embora,
A seu agrado,
Bem satisfeito,
Foi sem demora
Então chamado
Por um juiz
De retidão,
Que é a Consciência,
Nesta existência
De provação,
Que então lhe diz:
“Mas, e o bom Deus
Que está nos Céus,
Que tudo vê,
Sabendo assim
Quanto a tua alma
Dele descrê?
Ele é o teu Pai,
O Criador,
O Deus de amor.
E o bom Jesus,
Nosso Senhor,
Mestre da luz,
O Filho amado
Que à Terra veio,
A este mundo
Ingrato e feio
A redimir,
E assim banir
O teu pecado?

Ele te amou
E te ensinou
Que ao teu irmão
Tu deves dar,
Nunca negar
A tua mão;
E espalhar
Somente amor,
A relegar
Toda a maldade,
Para que um dia
Te fosse dado
Reconhecer,
Com alegria,
O solo amado
Do eldorado
Dos belos sonhos,
Lindos, risonhos,
Do teu viver.
Assim, procura
Melhor ventura
Em só buscar,
Acompanhar,
Seguir Jesus
Em sua dor,
Em seu amor,
Em sua cruz!”

Mas, o tal homem
Tão orgulhoso,
Que já se achava
Bem poderoso,
Achou estranho
Esse conselho:
Rigor tamanho
Não poderia;
Isso seria
Obedecer
E se humilhar;
E ele havia
Aqui nascido
Só para ser
Obedecido,
Tendo o poder
Pra dominar.
Assim, buscou
E perguntou
Aos companheiros.
Eles, então,
Lhe responderam
No mais profundo
Do coração:

– “Esse conselho
É muito velho!
Deus é irrisão.
E o tal Jesus,
Com sua cruz
E seu calvário
Somente foi
Um visionário.
Enquanto ele
Só te oferece
Amargas dores.
Desolações,
Tristes agruras,
Cruéis espinhos,
Nós concedemos
Ao teu valor
De grão-senhor
Sublimes flores,
Lindos brasões,
Grandes venturas
Nesses caminhos

Quem mais souber
Gozar e rir,
Mais saberá
O que é existir.
A vida aqui
Só é formosa
Para quem goza;
E pois, assim,
Vale o gozar
Constantemente,
Pois vindo a Parca
Bem de repente,
Há de levar
Esse teu sonho
De amar, sofrer,
Ao caos medonho
Do mais não-ser;
Porque a morte
Tão renegada,
Essa é apenas
O frio nada.
O louco amor
Do teu Jesus,
Exprime a dor
E não a luz.”

E assim, quando
O homem fraco
E miserando
Mais se exaltou
E se jatou,
Onipotente,
Chegou a Dor
Humildemente,
A lapidária,
A eterna obreira,
A mensageira
Da perfeição,
Nessa oficina
Grande e divina
Da Criação;
Fê-lo abatido
E desolado,
Até enojado
Do corpo seu:
Apodreceu
O seu tesouro.

E o homem-rei
Reconheceu
Que o paraíso
Dos sãos prazeres
Vive nas luzes
Só da virtude,
No cumprimento
Dos seus deveres,
Na humildade,
Na caridade,
Na mansuetude,
Na submissão
Do coração
Ao sofrimento,
Quando aprouver
Ao Deus de Amor
Oferecer
Rude amargor
Ao nosso ser.

Depois, então,
De mui sofrer
E padecer
Na expiação,
Reconheceu
A nulidade,
A fatuidade
Da vil matéria!

Na atroz miséria
Dessa agonia,
Só procurou
Buscar se via
Os seus mentores
Enganadores,
Altivos filhos
Da veleidade.

Só encontrou
O juiz reto,
O Magistrado
Incorrutível
Da consciência,
E que, num brado
Indescritível,
Em conseqüência,
Lhe fez com ardor
Ao coração
Ermo de afeto,
Ermo de amor,
A mais tremenda
Acusação!

É o que acontece
Em toda a idade,
Com a maioria
Da Humanidade;
Pois sempre esquece
Os seus deveres
E se submerge
Nos vãos prazeres.
Para a alegria
Fatal converge
O seu viver,
Para o enganoso,
Efêmero gozo
Do material,
A esquecer
Tudo o que seja
Espiritual.
Feliz de quem
Aí procura
Maior ventura
No sumo bem;
Porque verá,
Contemplará

Todo o esplendor.
A eterna luz,
Do eterno amor
Do bom Jesus.

João de Deus

NASCIDO em São Bartolomeu de Messines, Portugal, em 1830, e desencarnado em 1896, afirmou-se um dos maiores líricos da língua portuguesa. É tão bem conhecido no Brasil quanto em seu belo país. Nestas poesias palpita, de modo inconfundível, a suavidade e o ritmo da sua lira.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)