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sexta-feira, 18 de outubro de 2019

- VULTOS DO ESPIRITISMO. - CARMINE MIRABELLI - GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. - INTERNET.


               CARMINE MIRABELLI

       (Carlo Mirabelli ou Carlos Mirabelli)

                          1889 – 1951

Nasce em Botucatu, SP, em 2 de janeiro de 1889 e desencarnou também em São Paulo, SP, em 30 de abril de 1951, foi um médium de efeitos físicos brasileiro.
Filho primogênito de Luigi Mirabelli, um pastor protestante italiano e de Christina Scaccioto Mirabelli. O casal teve um outro filho, uma menina, Tereza Mirabelli Eugenio, nascida em1891. Em poucos anos, entretanto, a mãe viria a falecer, fato de que Carmine viria a se ressentir, e que se acreditava que teria aumentado a sua sensibilidade.
Fez os seus primeiros estudos no Grupo Escolar Cardoso de Almeida, em Botucatu, no Colégio São Luiz, em Itu, e no Colégio Cristóvão Colombo, em São Paulo. Nesta fase, certa feita, impressionou muito os seus professores e colegas ao dissertar sobre o tema "Evolução e Involução" em perfeito latim, embora não tivesse conhecimento do idioma.
Em 22 de fevereiro de 1914, logo após a morte de seu pai, mergulhando a família em sérias dificuldades financeiras, Carmine ficou doente, aflorando uma extraordinária paranormalidade. Embora não fosse espiritualista, alegava ver os espíritos dos pais, de um tio, de sua sogra e de uma filha.
Naquele mesmo ano, empregado da Companhia de Calçados Villaça, foi colhido de surpresa por estranhos fenômenos, hoje classificados como “poltergeist”. Apenas na sua presença, com freqüência, sapatos saltavam por si mesmos das prateleiras ou moviam-se como se fossem animados. Carmine não compreendia porque isso acontecia, mas muitos clientes assustados atribuíam os fenômenos ao “diabo”. Mirabelli foi acusado por populares de estar “possuído’ pelo “demônio”, tendo sido vítima de agressões nas ruas. A sua casa chegou a ser apedrejada por fanáticos religiosos.
Em consequência desses fenômenos chegou a ser internado por dezenove dias no Asilo de Alienados do Juqueri, tendo sido constatado pelos Drs. Francisco Franco da Rocha e Felipe Ache que o paranormal tinha uma “energia nervosa” acima do normal. Com a ajuda de pesquisadores renomados dos fenômenos psíquicos, como o médico Dr. Alberto de Melo Seabra, Mirabelli se conscientizou da importância de seus dons psíquicos e decidiu se submeter a sessões espíritas experimentais.
Carmine Mirabelli podia manifestar uma ampla gama de fenômenos, entre os quais a levitação, materialização e desmaterialização de objetos. Acredita-se que muitos deles resultavam de suas próprias forças psíquicas, sem o envolvimento de entidades espirituais. Mas também é sabido que Mirabelli conhecia alguns truques simples de prestidigitação.
Embora na juventude o médium não conseguisse controlar os fenômenos - objetos voavam ao seu redor, atingindo-o e aos circunstantes em muitas ocasiões - quando ficou mais velho conseguia refrear o fluxo de suas energias psicobiofísicas, reduzindo os riscos.
Em 1916, a imprensa de São Paulo voltou a sua atenção para os estranhos feitos do "Homem Misterioso". Em uma série de reportagens, com ampla repercussão popular, destacaram-se o Correio Paulistano (em defesa dos fenômenos) e A Gazeta (contra).
Mirabelli fundou o Centro Espírita São Luiz, em 25 de agosto de 1917.
Mirabelli atravessou quatro casamentos: com Carmem Guerreiro, tiveram dois filhos, Diva Cristina Mirabelli e Luiz Mirabelli; com Edméa de Paiva Magalhães, não tiveram filhos; com Maria do Carmo Pinto Pacca, tiveram Regene Pacca Mirabelli; e com a Prof. Amélia Loureiro, tiveram César Augusto Mirabelli.
O médium foi encarcerado várias vezes acusado de exercício ilegal da Medicina, furto e também por perseguições políticas, mas mesmo detido, envolvia as pessoas com seus dons e sua generosidade. Era considerado muito eloqüente e comunicativo, apreciava a natureza e gostava de fumar charutos e cachimbos.
Mirabelli era portador de diabetes. Por muitos anos, só conseguiu dormir em quartos iluminados, uma vez que temia a ocorrência de fenômenos desagradáveis enquanto dormia.
Por certa fase de sua vida Mirabelli chegou a cobrar por seus serviços mediúnicos, desagradando aos espíritas. Entretanto, Mirabelli não perdeu os seus dons com o avançar da idade. Existem relatos de que os seus fenômenos foram observados até 1950, poucos meses antes de sua morte.
Faleceu vítima de acidente de trânsito, por atropelamento. Conduzido ao Hospital das Clínicas de São Paulo, veio a falecer sendo atestada a fratura do seu crânio como "causa-mortis". O corpo foi sepultado na tarde de 1º de maio de 1951 na campa 155 da quadra 27, no Cemitério São Paulo.
O periódico O Estado de São Paulo, em 18 de maio de 1916 cobriu a materialização, pelo médium, do espírito do ex-bispo da Diocese de São Paulo, D. José de Camargo Barros, em sessão ocorrida na cidade de Santos. Estiveram presentes médicos e oficiais da Força Pública de São Paulo.
O Vanguarda, de fevereiro de 1933, abordou a materialização, pelo médium, do espírito de São Francisco de Assis.
Outras materializações que chamaram a atenção à época, foram as dos espíritos de Giuseppe Parini e de Harun al-Rashid.

Fonte: GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. – INTENET.

           RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

terça-feira, 1 de outubro de 2019

- VULTOS DO ESPIRITISMO. CARMEN CINIRA. - GRANDE GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. - INTERNEN.


                   Carmen Cinira

                            1902 – 1933

Há oito ou nove anos, ao entrar na Academia para a nossa honrada sessão das quintas-feiras, encontrei o átrio rumoroso e festivo. Não havia musica. Não havia flores. Mas havia mais do que isso, porque o sonorizavam e coloriam as alegrias da mocidade. Mulheres lindas, e poetas. Achavam-se, em suma, em visita à casa austera das letras, quatro ou cinco poetisas e declamadoras, que haviam sido recebidas à porta, com algazarra fraterna, por Olegário Mariano, Adelmar Tavares e Luiz Carlos, autores, no Brasil, dos mais belos versos líricos daquele tempo. À minha passagem de prosador desconfiado e soturno, Olegário me deteve, ruidoso e gentil:
- Vem cá... Eu quero apresentar-te uma pessoa que te admira muito...
Chamou:
- Cinira... Vem cá!
Era uma linda moça, quase menina. Morena, grandes e profundos olhos turcos, de veludo negro, trazia nos traços e, nessa tarde, no vestuário, todos os atributos de uma jovem princesa oriental. Um gorro da cor dos olhos, posto garridamente de lado sobre a cabeleira farta e escura, completava-lhe a graça boêmia, de cigana adolescente. Uma alegria estouvada de canário solto, assinalava-lhe os gestos, e lhe gorgeava no sorriso, que lhe vinha da boca fresca, e do marfim dos dentes miúdos. Toda ela era, enfim, graça infantil e atordoada, de borboleta que acaba de sair da crisálida e penetra num rosal, tonta de sol, em luta com o vento em manhã de primavera.
Carmen Cinira acabava de celebrar, parece, as suas núpcias com a liberdade, e sentia toda a volúpia da vida, vendo-se moça, inteligente, e formosa. E essa impressão contribuiu para que eu lhe apertasse a mão enluvada sem uma palavra de louvor, sem os gabos a que, de certo, se acostumara e que, efetivamente, merecia, pelos encantos da sua figura. Quando os homens começam a entrar na velhice, não compreendem mais as vozes da mocidade. Foi assim, calado, que atravessei o vestíbulo tumultuoso, deixando-o entregue às mulheres e aos poetas, que têm, na Terra, o dom da juventude perpétua.
Tempos depois, vim á saber que a linda moça de olhos turcos que eu vira à entrada da Academia era casada, e que se havia separado do esposo para dar maior liberdade ao coração e ao pensamento. Era uma das inumeráveis libélulas da sociedade moderna, que se não conformam com o ritmo da vida antiga, e querem beber, de asas livres, todo o ouro do sol e todo o perfume da Terra. Havia lido os romancistas e os poetas. E o lar lhe parecera pequeno. Ideára a felicidade descrita nos livros e, como não a encontrara na quietude da casa modesta, e na intimidade do homem escolhido, correra para a planície, procurando reter entre as mãos a sombra da nuvem que passa no céu. Ignorava ela, como centenas de outras ignoram hoje, e milhares ignorarão amanhã, que a mulher é frágil, demais, para afrontar, sozinha, as tempestades da vida, e que se faz mister a cada uma um preparo antecipado, para não naufragar no oceano.
Em um estudo publicado em 1931 registrava o escritor comunista Fedor Gladkov um fenômeno observado na Rússia soviética, entre os mineiros dos Urais. Não possuindo maquinismos com que retirasse das minas o carvão nelas acumulado, empregava o governo, para isso, o braço humano. Abertas em sentido horizontal, as galerias apresentavam, às vezes, inclinações consideráveis. E os homens, com o cesto à cabeça, viam-se na contingência de subir, às vezes, dois quilômetros de ladeiras subterrâneas para trazer à boca da mina a sua carga de combustível. Os mineiros antigos, embora mais vigorosos, não resistiam jamais a trabalho tão fatigante. Os adolescentes, porém, levavam a termo o sacrifício. Como não tinha conhecido as facilidades antigas não podiam estabelecer o confronto, e realizavam sem queixa a tarefa moderna. Os outros, no entanto, sucumbiam, porque haviam vivido em tempo melhor... Com a mulher tem sucedido o mesmo na sociedade contemporânea. As moças que se vêm criando em liberdade, olhando a vida face a face desde as primeiras horas da adolescência, sentem-se à vontade no ambiente tumultuoso que o mundo agora oferece. Vendo-as alegres, e felizes à sua maneira, as mulheres procedentes da sociedade que precedeu à Grande Guerra imaginam que poderão viver com a mesma facilidade. Esquecem-se que os seus pulmões foram formados com capacidade para outro clima. Olvidam que elas são peixes de outra água. E deixam o lar. E dissolvem a família. E vão tombar, lá fora, vencidas, sob os pés da multidão nova, que passa cantando... Vão em busca da felicidade, abandonando o único lugar em que ainda podiam encontrá-la.
Carmen Cinira era moça, mas procedia, parece, de família burguesa, e recatada, que a educara para a intimidade do lar, sem ambições de glória nem sonhos de liberdade... E pagou à vida, e ao mundo, o imposto que lhes devia. Não tendo tido seguimento entre nós o conhecimento por essa apresentação, não nos cumprimentamos sequer, durante três anos. Eu lhe parecera, talvez, orgulhoso demais, como pareço a alguns com a minha timidez, ou estúpido demais, como pareço aos restantes, pela minha taciturnidade. Até que, um dia, fomos apresentados de novo, na livraria Freitas Bastos. Conversamos. A moça que eu vira não era, porém, a mesma. As rosas da face, naturais, outrora, eram agora de papel. Havia alguma cousa de desânimo, de desencanto, na sua pessoa e nas suas palavras. O sorriso tornara-se, nos lábios, que o “rouge” coloria, forçado e triste. E outra vez nos separamos.
Até que há um ano, nos falamos pela terceira e última vez. Foi, ainda, na livraria. Nova apresentação. Mas a menina de há oito ou nove anos havia, nela, desaparecido. Aquela alma, agora em abandono, me despertou simpatia, me causou pena. Eu não nasci para amigo dos felizes, mas para confidente dos desgraçados. E foi quando Carmen Cinira descobriu que eu tinha uma alma, e eu compreendi que ela possuía um coração. Palestramos dez ou quinze minutos. A sua existência, que fora um roseiral, era, agora, um deserto. Uma desilusão profunda e irremediável devastava-lhe as profundidades do ser. A tuberculose minara-lhe os pulmões, envelhecendo-lhe o corpo jovem. Considerava-se traída pela Vida. E tinha rugidos de revolta contra si mesma, rugidos de leôazinha ferida, cujas garras não faziam mal a ninguém...
Há dias, noticiaram os jornais, em linhas ligeiras, a morte da poetisa Carmen Cinira. Duas ou três pequeninas crônicas vieram depois. E nada mais. Eu quero, porém, deixar-lhe aqui, por minha vez, estas palavras de respeito, de pena e de saudade. E deixo-as não como lisonja a ela que está morta, mas como lição às almas como a sua, que ainda se debatem no mundo.
O vento da primavera arrebatou a libélula, e partiu-lhe as asas coloridas e franzinas no espinho das roseiras agrestes. E a jóia voejante, caiu morta.
Chorem-na as rosas de que ela foi um pouco, vida breve e atormentada, a companheira e irmã.
Felizes os mortos que, uma semana depois de sepultados, ainda têm amigos na Terra! – foi a exclamação que me veio à boca, e nela permaneceu amortalhada em silêncio, há quatro dias, ao receber meia dúzia de cartas analisando a crônica ligeira, aqui publicada, sobre Carmen Cinira.
A linda e jovem poetisa possuía, na verdade, amigas numerosas, e dedicadas. E foram elas que correram a retificar, amavelmente, alguns dos traços biográficos da sua desventurada companheira, e a oferecer informações outras sobre a sua vida e a sua morte, mais interessantes, na realidade, uma e outra, do que a mim me pareciam.
Uma das retificações versava sobre o estado civil da morta. Carmen Cinira não era, como me haviam informado, divorciada, mas viúva, desde o segundo ano de casamento. O esposo, um atleta, notável jogador de futebol, morrera tuberculoso, quando contava ainda, e apenas, vinte anos. Moça e bonita, seu coração bateu, com certeza, novamente, como o pássaro que tombou da altura, quebrou as asas e ensaia inutilmente o vôo. Os seus olhos diziam, porém, já, aos homens experientes, o mal que lhe devorava os pulmões. E é de imaginar o que seria o seu tormento, a sua agonia moral, vendo estampada em todas as fisionomias o santo horror da sua intimidade. O seu beijo devia ser um fruto maravilhoso, com todo o gosto de pomo fresco. Mas esse fruto, de sabor incomparável, trazia, na polpa, o veneno fatal. Dentro dele estava a morte. À semelhança de Helena, filha de Tindaro, que, por onde ia, levava a destruição, ela sentia, talvez, que não podia amar, porque o seu amor lavraria, contra aquele a quem ela o consagrasse, a sentença irremediável. O seu carinho, leve como uma pluma, teria, si ela o dedicasse a alguém, o peso de uma condenação.
Já alguém imaginou, na verdade, o que seja o tormento moral de uma linda mulher tuberculosa? Já alguém calculou a tragédia de consciência da criatura moça que, não querendo sufocar no coração a chama do seu desejo, sabe que vai pagar com a semente da morte aquele que lhe trouxer a semente da vida? Carmen Cinira, viúva, aos vinte anos, enfermeira devotada do esposo tísico, sentiu que se achava condenada à morte na plena glória da juventude. E voltou-se, de repente, para a outra vida. Dedicando-se ao Espiritismo, procurou, nele, a consolação, o conforto. Caminhava para o túmulo, dizem-me os seus íntimos, quase feliz, e com uma grande doçura de coração. Dois meses antes de falecer era, já, e apenas, a sombra do que fora. Levada para São José dos Campos, em São Paulo, quis vir morrer na sua cidade natal, junto dos que lhe eram afeiçoados. Raro era, já, o dia em que uma papoula de sangue lhe não vinha desabotoar nos lábios pálidos, apresando o termo inevitável daquela vida. Na véspera da morte, pediu papel, e um lápis, e escreveu, então, este soneto, em que exprimiu toda a força da sua fé e da sua resignação:

VIDA
Vida, que és boa para tanta gente,
E a tanta gente embriagas de prazer:
Para mim foste má, foste inclemente,
E deixaste-me exausta de sofrer!
Quando, às vezes, recordo, tristemente,
As agonias do meu pobre ser,
Tu me causas pavor... De tão descrente,
Alegro-me, ao pensar que vou morrer!...
Caiba ao destino a culpa de ter sido
A minha mocidade um só gemido;
Mas, sei que o meu faminto coração,
Na morte, que, bem sinto, virá breve,
Há de achar o carinho, que não teve,
E a paz, que tanto mendigou em vão!...

A sua alma havia-se tornado, de há muito, profundamente religiosa. Para esquecer os sofrimentos que a Vida lhe oferecia no seu cálice, elevava-se até aos pés do seu Deus, e a ele se entregava neste...
No dia da morte, quis manifestar os seus últimos desejos na Terra. Chamou a velha mãe, e disse-lhe, tranqüilamente:
- A morte não tarda... Quando ela chegar, não quero mortalha fúnebre... Vistam-me um dos meus vestidos brancos... Si não encontrarem envolvam-me num lençol... O meu caixão deve ser pobre, de terceira classe... Não desejo lágrimas, nem missas, nem orações... Quero, apenas, que, os que me quiserem bem, se concentrem, e pensem em mim...
Horas depois, tendo piorado, pediu que mandassem chamar as suas irmãs. Despediu-se delas, serenamente, com palavras de consolo e resignação. Estava certa de que o espírito de seu pai, falecido há muitos anos, viria ao encontro do seu. De súbito, empalideceu mais. Todos sentiram, em torno, que era a morte que chegava. Os lábios da moribunda descerraram-se, porém, e ela exclamou, numa voz em que havia qualquer cousa de intenso júbilo:
- Meu pai chegou... Eu o estou vendo... Eu o estou vendo...
E quase num arrebatamento:
- A vida é um cárcere... A morte é a liberdade!...
Uma pequena rosa de sangue veio-lhe, mais uma vez, à boca miúda. Os presentes ajoelharam-se. Estava morta.
O obscuro homem de letras que escreve, hoje, esta nova crônica sobre a jovem e formosa poetisa que tanto sofreu, não a seguiu jamais, quando ela parecia feliz. Não foi do seu séqüito. Não era da sua amizade. A missão desse escritor, na Terra, é, porém, confortar os tristes e enfeitar a sepultura dos mortos.
Recebe, pois, ainda, Carmen Cinira, estas palavras de saudade e reparação. Elas são o pólen da flor que ele vem depositar, comovido, sobre a úmida areia do seu túmulo.

Nota do Editor:
Cinira do Carmo Bordini Cardoso é o nome completo da poetisa, que nasceu em 1902, tendo desencarnado em 30 de Agosto de 1933. O livro “Parnaso de Além-Túmulo” traz algumas de suas poesias, obtidas através da mediunidade de Chico Xavier, dentre as quais, destacamos:

O Viajor e a Fé
- “Donde vens, viajor triste e cansado?”
- “Venho da terra estéril da ilusão”.
- “Que trazes?”
- “A miséria do pecado,
De alma ferida e morto o coração.
Ah! Quem me dera a bênção da esperança,
Quem me dera consolo à desventura!”
Mas a fé generosa, humilde e mansa,
Deu-lhe o braço e falou-lhe com doçura:
- “Vem ao Mestre que ampara os pobrezinhos,
Que esclarece e conforta os sofredores!...
Pois com o mundo uma flor tem mil espinhos,
Mas com Jesus um espinho tem mil flores!”
(Carmen Cinira, Espírito)

         Fonte: GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. – INTERNET.

                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

quinta-feira, 18 de julho de 2019

- VULTOS DO ESPIRITISMO. - CARMELO GRISI. - GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. - INTERNET.


                       Carmelo Grisi

                         1893 – 1980

Carmelo Grisi nasceu na Província de Trecchina na Itália em 23 de novembro de 1893.
Chegou ao Brasil ainda adolescente junto aos seus irmãos, fixando residência em São José do Rio Preto, São Paulo.
Casou-se com Elvira Abrigatto Grisi, médium, que se dedicou ao tratamento de obsessão. Foi ela uma das pioneiras do Espiritismo naquela região.
Do matrimônio nasceram quatro filhos.
Com o desencarne de Elvira em 12 de fevereiro de 1954, companheira de todas as horas, a saudade era imorredoura. Cinco meses depois, foi procurar Francisco Cândido Xavier que, nessa época, residia em Pedro Leopoldo e trabalhava na Fazenda Modelo, onde se encontraram. Logo no início do diálogo Chico disse: "Carmelo, Elvira se encontra presente, em companhia de três entidades amigas" identificando os espíritos.
Na noite de 02 de julho de 1954, Chico recebia consoladora mensagem da querida esposa, cuja veracidade muito o emocionou. A partir dessa data, ele voltou sua atenção para a filantropia.
Sete meses após o seu retorno ao plano espiritual que se deu em 28 de março de 1980, escreveu a primeira mensagem, em 18 de outubro de 1980, pelo amigo Chico Xavier.
A partir daí seguiram-se novas mensagens que foram enfeixadas no livro Carmelo Grisi, Ele mesmo.

Fonte: GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. – NTERNET.

                    RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

quinta-feira, 4 de julho de 2019

- VULTOS DO ESPIRITISMO. - CARMELINA NUNES MAGALHÃES. - GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. - INTERNET.

          Carmelina Nunes Magalhães

                       1940 – 2001

Desencarnou em 26 de abril de 2001, no Rio de Janeiro, tendo nascido em Cáceres, Mato Grosso, aos 06 de março de 1940.
Foi casada com o confrade Lybio Magalhães. Formou-se em Biologia e História Natural, pelas Universidades de Goiás e Nova Iguaçu.
Na sua cidade natal frequentou o Centro Espírita Mateus. No Movimento Espírita do Rio de Janeiro, foi muito atuante no ramal de Nova Iguaçu, pois lecionou, gratuitamente por mais de 15 anos na Escola Espírita Joana de Ângelis em Engenheiro Pedreira. Colaborou com Newton de Barros no Grupo Espírita Scheilla de Nova Iguaçu. Em muitas outras atividades marcou a sua presença, sempre com amor e dedicação.

Fonte: GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. – INTERNET.

                    RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

sexta-feira, 28 de junho de 2019

- VULTOS DO ESPIRITISMO. - CARLOS LOMBA.- GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. - INTERNET.


                        Carlos Lomba

                          1886 – 1958

Desencarnou em 28 de agosto de 1958, no Rio de Janeiro, e nasceu em Cataguases, Minas Gerais, em 18 de dezembro de 1886.
Especializou-se em Farmácia e Odontologia.
Em 1933 deu início ao desenvolvimento mediúnico, ou sela à educação mediúnica de suas faculdades, na terra capixaba, onde residiu por muitos anos. Foi um dos fundadores do C. E. "Luz e Trabalho".
Em 1944, veio para o Rio de Janeiro, passando a colaborar no Departamento de Infância da F.E.B. onde, mais tarde, veio a ocupar o cargo de 1º secretário. Em sua tarefa de evangelizador das crianças era chamado, carinhosamente, de ‘Vovô Lomba".

         Fonte: GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. – INTERNET.

                            RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

terça-feira, 25 de junho de 2019

- VULTOS DO ESPIRITISMO. - CARLOS JOAQUIM DE LIMA E CIRNE. - GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. - INTERNET.



         Carlos Joaquim de Lima e Cirne

                         1839 – 1906

Em 4 de dezembro de 1906, após ano e meio de penosa enfermidade, iniciada com uma congestão, libertava-se do casulo de carne, no bairro de São Cristóvão, o Espírito do bondoso velhinho Carlos Joaquim de Lima e Cirne. Fora se unir à sua extremosa esposa, desencarnada alguns meses antes dele, para juntos alçarem às esferas radiosas do Infinito...
Embora prostrado no leito, em extremo depauperamento físico e intelectual, ele revelava a preocupação constante de voltar à atividade militante, à propaganda da Doutrina, bem como à infatigável visitação aos enfermos e necessitados, que ele tanto amava e pelos quais tanto se sacrificou. Foi, até o último alento, um exemplo vivo de trabalho e de fé!
Iniciado no Espiritismo em 1872, isto é, aos 33 anos de idade, pois que nascera a 5 de março de 1839, alistou-se imediata e resolutamente nas fileiras militantes, e todas as energias do seu cérebro e do seu coração, tudo o que de generoso possuía o seu Espírito - e era muito - tudo ele consagrou desde então à causa da propaganda espírita, pela palavra, pelo pensamento e sobretudo pelas obras.
Não nos consta, como já se disse algures, ter sido Lima e Cirne o fundador do "Grupo Confúcio", a primeira sociedade espiritista instalada no Rio de Janeiro, em 1873. Talvez, isto sim, ele tenha colaborado para a sua fundação, o que é, de certa forma, diferente.
O seu nome aparece, entretanto, como um dos membros da primeira Diretoria da "Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade", fundada aos 3 de outubro de 1879, e realmente a ela pertenceu por muito tempo, tendo sido aí denodado trabalhador, participando de várias campanhas na defesa do Espiritismo, contra as hostilidades que o preconceito e a rotina lhe moviam. A residência do nosso biografado serviu mesmo, pelo menos nos primeiros anos, de sede para a referida Sociedade.
O "Centro da União Espírita do Brasil", criado em 3 de outubro de 1881 (fruto do primeiro Congresso Espírita realizado no Brasil, aos 6 de setembro de 1881), com a finalidade de reunir e orientar as Sociedades espíritas, teve-o também entre os seus diretores. Reorganizado o Centro, em 1889, por Bezerra de Menezes, dele igualmente fez parte Lima e Cirne. E mais tarde, em 1894, quando esse mesmo Centro foi reinstalado pelo Prof. Angeli Torteroli, agora com o nome de "Centro da União Espírita de Propaganda no Brasil", ainda aí Lima e Cirne foi chamado a cooperar, juntamente com doze outros diretores efetivos.
Houve, em 1881, no mês de agosto, culminado precisamente no dia 28, um movimento persecutório em que a própria segurança individual dos espíritas se viu ameaçada. Damos aqui, a esse respeito, uma síntese, segundo as noticias que colhemos na "Revista da Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade", daquele ano, em seus números de setembro, outubro e novembro.
No dia 28 de agosto de 1881, "O Cruzeiro" e o "Jornal do Comercio", diários cariocas, noticiaram, em furo de reportagem, a ordem policial que proibia o funcionamento da Sociedade Acadêmica e bem assim de todos os Círculos a ela filiados, tornando passíveis de sanções penais os espíritas que contrariassem as disposições policiais. Seria esse talvez o preâmbulo de uma perseguição em escala maior e mais generalizada, se não fora a ação pronta dos membros daquela Sociedade.
Nesse mesmo dia 28, reuniram-se eles em sessão extraordinária, a fim de tomarem providências defensivas, caso a referida noticia fosse confirmada. Ainda na data em foco, a Diretoria da Sociedade Acadêmica compareceu perante o Ministro da Justiça, que a recebeu mui cordialmente, declarando que deveria ter havido algum equivoco e que não consentiria na perseguição de ninguém.
Todavia, em 30 de agosto de 1881, um Oficial de Justiça apresentava à Sociedade Acadêmica a contra-fé do mandado de intimação do 2o Delegado de Policia da Corte, mandado que suspendia, vedava as reuniões da Sociedade, alegando que ela não se achava legalmente constituída.
Imediatamente a Diretoria expediu ofícios ao Chefe de Policia e ao Ministro da Justiça, Conselheiro Manuel Pinto de Souza Dantas, provando a arbitrariedade daquela injusta medida. Uma comissão, da qual faziam parte o Dr. Antonio Pinheiro Guedes, Carlos Joaquim de Lima e Cirne, e parece que o Dr. Joaquim Carlos Travassos, o primeiro tradutor das obras de Kardec em português, logo ser pôs em contato com o Chefe de Policia, que, apesar de a ter recebido com amabilidade, nada resolveu, parecendo que a ordem vinha de cima.
A vista disso, a referida comissão recorreu a S. Majestade D.Pedro II em 6 de setembro de 1881. Na presença deste, no paço da Corte, no mesmo tempo que lhe depunham em mãos uma exposição minuciosa dos fatos, com a respectiva defesa dos direitos e das liberdades dos espíritas no Brasil, ouviram da boca do Imperador esta frase frisante: "Eu não consinto em perseguição".
Quinze dias depois, a mesma comissão voltou ao palácio a fim de conhecer da resposta às considerações emitidas na exposição que fora entregue a D. Pedro II. Este, dizendo que mandara os papéis ao Ministro do Império para dar solução ao caso, tornou a afirmar, com certo ar de graça: "Ninguém os perseguirá. Mas... não queiram agora ser mártires."
Ante a reiterada promessa do Imperador a "Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade" continuou a funcionar, sabendo os seus membros que de uma noite para o dia todos eles poderiam ser presos e multados, pois que a ordem policial ainda estava de pé. Na verdade, ela parece que nunca foi revogada, mas não há noticia de que fosse posta em execução, demonstrando ter sido sustada a sua aplicação, talvez por apadrinhamento direto do próprio D.Pedro II...
Finalmente, em oficio datado de 10 de janeiro de 1882, dirigido à SM. D. Pedro de Alcântara, Imperador do Brasil, a diretoria da Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade manifestava o seu jubilo "pelo começo da tolerância" em relação àquela Sociedade, "sinal evidente de que estão terminadas as perseguições encetadas contra o Espiritismo e os espíritas".
A primeira ação policial contra o Espiritismo, ação que logo abortou em seus passos iniciais, trouxe como conseqüência imediata a fundação no Rio, em setembro ou outubro de 1881, do Grupo Espírita Vinte e Oito de Agosto, data que os espíritas da época quiseram fixar para a posteridade.
Carlos Joaquim de Lima e Cirne durante 33 anos consecutivos dedicou-se com todas as forças a uma propaganda ativa do Espiritismo, quer em conferências, quer constituindo, com outros confrades, Associações às quais emprestava todas as suas energias, nunca faltando - conforme salientou um seu biógrafo, José Bernardino da Silva - às sessões programadas, ainda que desabassem as maiores tempestades.
Apesar de seu grande trabalho no Espiritismo, diz o citado biógrafo que Lima e Cirne foi injustamente apreciado por alguns confrades, "mas, sempre firme como um rochedo batido pelas ondas encapeladas de oceano tempestuoso, nunca se lhe ouviu um queixume, uma mágoa contra pessoa alguma; ao contrário, tudo perdoava, tudo desculpava, como adepto genuíno da nova Doutrina que de coração cultivava".
Sócio fundador da Federação Espírita Brasileira, aí conquistou, com sua presença insinuante e modesta, o respeito e a admiração dos companheiros, tendo até colaborado com suas luzes na organização do primeiro Estatuto da Casa de Ismael.
Quer doutrinando os Espíritos sofredores, ou endurecidos, quer intervindo nos debates sobre questões de Doutrina e de administração, a singeleza e a humildade de que se revestia a exposição de suas idéias dispunham a seu favor quantos o escutavam. Ao lado dessas, porém, a virtude que mais brilhava naquele elevado espírito era a bondade de coração. Muito amou, dissemos atrás, os pobres e os enfermos, e devemos insistir nisso, porque foi o característico predominante do seu labor de crente. Pobre, simples funcionário da antiga Repartição Geral dos Telégrafos, vivia a amparar os indigentes, e muitas vezes voltava do trabalho a pé, pois que até o próprio níquel indispensável à passagem de bonde havia sido dado.
Nos últimos anos de sua vida, já alquebrado pelo trabalho e pela idade, ainda assim fazia longas caminhadas para levar os socorros espirituais ou fluídicos, pelos passes magnéticos - pois que era médium curador -, aos atormentados por males físicos e morais.
Quem com ele privasse, fosse por um momento sequer, de pronto sentia a bondade daquela alma, bondade a transparecer nas feições, nos gestos e na palavra.
Bela teria sido, assim, a recepção que na Pátria Celeste lhe prepararam, recebendo o grande operário da Seara Espírita, o fiel discípulo de Jesus, o salário a que de fato fez jus.

Fonte: GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA.- INTERNET.

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sexta-feira, 21 de junho de 2019

- VULTOS DO ESPIRITISMO. - CARLOS GOMES DE SOUZA SHALDERS. - GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. - INTERNET.



     Carlos Gomes de Souza Shalders

                                 1863 – 1963

O professor Shalders fez seus estudos preliminares na Inglaterra, estudando mais tarde na Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Formado, veio para S. Paulo, ingressando na Companhia Mojiana de Estradas de Ferro, da qual foi um dos pioneiros, dirigindo a construção do ramal de Moji-Mirim a Sapucaia.
 Contribuiu para a fundação da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, da qual foi catedrático de Complementos de Matemática e Álgebra Superior, lecionando nessa cadeira desde a fundação da Escola, a l5 de fevereiro de 1894, até a sua aposentadoria, em 1934. Foi também diretor dessa mesma Escola, nos anos de 1931-32, num período bastante difícil.
Pelos seus eminentes serviços, o Prof. Shalders foi distinguido com o título de doutor "Honoris Causa" e de "Professor Emérito", no dia 13 de maio de 1949, pela Universidade de S. Paulo.
Durante muitos anos foi vice-presidente e membro do Conselho Deliberativo da Federação Espírita do Estado de S. Paulo, dirigindo concomitantemente o seu departamento de pesquisas psíquicas. Foi o primeiro presidente da Associação Cristã de Moços, de S. Paulo.
Foi um dos mais autênticos espíritas dos nossos dias. Em matéria de fé racional e tranqüilidade de espírito, assemelhava-se a Caírbar Schutel e Militão Pacheco. Encarava o Espiritismo como doutrina para ser vivida e não apenas difundida. Foi um verdadeiro exemplificador dos deveres de cristão, encarando-os com absoluta seriedade. No tocante ao cumprimento das obrigações do homem, afirmava sempre: "Não há deveres pequenos, todos são iguais". Apesar de plenamente convicto, não se apaixonava pelos fenômenos e nem pelos Espíritos a ponto de lhes devotar fé cega; colocava-os na ordem das coisas naturais e sérias.
Grande conhecedor dos assuntos bíblicos, porém desde a sua militância no Protestantismo divergia de muitos deles. Procurando estudar esses problemas à luz do Espiritismo, nele encontrou soluções para velhas indagações.
Até aos 95 anos de idade, era sistemática a presença do Prof. Shalders, aos domingos, na Federação Espírita do Estado de S. Paulo, onde ia ouvir as palestras evangélicas, tendo ele próprio proferido diversas. Como era de uma pontualidade impecável, preocupava-se muito com as pessoas que entravam após o início da conferência. Algumas vezes, no instante de ser iniciada a palestra, subia à tribuna e fazia observações severas ao público com referência à observância do horário. Dedicava a máxima atenção às palestras e, quando o tema era controvertido, não muito do seu agrado, por encontrar nelas divergências doutrinárias, no dia seguinte estava ele na casa do conferencista com uma série de argumentos, mostrando incoerências e protestando evangelicamente contra aquilo que não aceitava. Por mais respeitável que fosse o expositor, por mais autoridade que desfrutasse na matéria, não escapava ao interrogatório, às deduções e ao crivo da razão, sempre clara, apresentadas de maneira evangélica e da mais apurada ética de educação.
Já ultrapassava a casa dos 90 anos de idade, quando ainda trabalhava na São Paulo Light. Nessa época publicou um livro intitulado "Uma Análise Crítica da Bíblia", no qual expôs com uma lucidez extraordinária, as suas idéias e o seu raciocínio tratando de um assunto tão árido. Com 96 anos de idade, para não ficar sem fazer nada, realizando o seu desejo de fazer o bem, empreendia, uma vez por semana, uma peregrinação juntamente com um grupo de confrades, visitando doentes, ministrando-lhes passes e proferindo palavras de conforto espiritual.
Era profundo respeitador de Jesus Cristo e não permitia que sua personalidade fosse mal entendida ou que alguém achasse nele motivos de piedade. Certa vez a Federação Espírita do Estado de S. Paulo recebeu, de presente, um enorme e artístico quadro do Mestre, com as chagas abertas nas mãos e nos pés. O quadro foi colocado no salão de conferências daquela instituição. Porém, dentro de poucos dias foi dali retirado devido aos insistentes protestos do Prof. Shalders, nessa época vice-presidente da Casa. O fato causou estranheza a muitos frequentadores, os quais não concordaram com a retirada do quadro. Mas prevaleceu o bom-senso.
O transcurso do seu centenário de existência (estando ele ainda entre nós), foi comemorado pela Escola Politécnica de S. Paulo, pela Associação dos Antigos Alunos da Escola Politécnica e pelo Instituto de Engenharia de S. Paulo, tendo havido uma sessão solene da congregação, com a instalação do retrato do Prof. Shalders, procedendo também a uma cerimônia de inauguração do medalhão de bronze, com placa alusiva à data, no Departamento de Matemática da Escola Politécnica, na cidade Universitária, em S. Paulo, placa essa ofertada pelos ex-alunos da primeira escola superior criada pelo governo do Estado de S. Paulo, logo após a proclamação da Republica.
A passagem do Prof. Shalders, pela Terra, foi um centenário de exemplos vivos num preparo eficiente para o reencontro com os amigos do Plano Maior. A demonstração da sua humildade e submissão aos desígnios de Deus, eram fatores predominantes em sua inconfundível personalidade.
No Departamento de Metapsíquica da Federação Espírita do Estado de S. Paulo, exerceu atividades incomparáveis, interessando-se profundamente pelos fenômenos, sem contudo ficar a eles escravizado, porque sabia dar- lhes o valor e o apreço que mereciam, compreendendo que o aspecto mais importante da Doutrina Espírita é o de evangelizar o homem, conduzindo-o no roteiro da reforma interior.

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terça-feira, 18 de junho de 2019

- VULTOS DO ESPIRITISMO. - CARLOS CIOLA GAMBUS. - GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. - INTERNET.


                 Carlos Ciola Gambus

                        1898 – 1976

Nasceu no Rio de Janeiro em 21 de novembro de 1898 e desencarnou em 26 de dezembro de 1976 em Curitiba.
Ingressou na carreira militar e, como oficial do Exército chegou ao posto de Coronel.
Dentro do movimento espírita foi Conselheiro da Federação Espírita do Paraná durante vários anos, chegando a exercer, algumas vezes o cargo de Vice Presidente. Foi colaborador da Sociedade Espírita "Os Mensageiros", do Centro Espírita Leocádio José Corrêa, de onde foi Presidente por três períodos, e Cruzada dos Militares Espíritas, Núcleo de Curitiba.

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sexta-feira, 14 de junho de 2019

- VULTOS DO ESPIRITISMO. - CARL GUSTAV JUNG. - GRANDES GIGANTES D DOUTRINA ESPÍRITA. - INTERNET.

                 Carl Gustav Jung

                     (1875-1961)

Psicólogo e psiquiatra suíço, foi um dos principais discípulos de Freud, do qual se afastou para fundar sua própria escola e teoria, a psicologia analítica. Criou o conceito de inconsciente coletivo (arquétipos), o qual atuaria sobre o indivíduo ao lado do inconsciente individual
Segundo o Dr. José A. Gaiarsa, Jung foi o primeiro psicanalista do espírito, o que não concorda Carlos Imbassahy em "Hipóteses em Parapsicologia", ed. Eco, pp. 114 e 115: "Na segunda guerra viaja ele (Jung) de Bolingen para casa. Levava um livro que não podia ler, perseguido pela imagem de um homem que se afoga, obtida em sonho. Chegando a Erlenbach sabe que o mais moço de seus netos se afogara num ancoradouro. Conseguiram salvá-lo. E conclui: "O Inconsciente (e não o espírito) me dera o sinal. Por que não poderia informar-me também sobre outras coisas? - concluiu também que toda a vida aspira à eternidade" Vê-se que o sábio suíço desconhece toda a fenomenologia metapsíquica. Mas, como há sonhos também de desastres, cataclismos, lutas, guerras e mortes, dever-se-ia concluir que toda a vida aspira ao túmulo. Não ocorreu isso ao psicólogo, e essas idéias antagônicas deixam em má posição a sua psicologia".


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sábado, 8 de junho de 2019

- VULTOS DO ESPIRITISMO. - CARL DU PREL (BARÃO) - GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. - INTERNET.


               Carl du Prel (Barão)

                     1839 – 1899

Nasceu em Landshut, Baviera (Alemanha), em 3 de abril de 1839.
O Barão Carl Du Prel foi destacado filósofo e um dos maiores pensadores modernos e também um dos mais sutis pesquisadores das coisas do Espírito.
Oficial do Exército e doutor em filosofia pela Universidade de Tubingen, participou, juntamente com Lombroso, Schiaparelli, Chiaia, Brofferio, Ermacora, Richet e Aksakof, das famosas experimentações mediúnicas, realizadas em Milão, no ano de 1892.
Ingressou no Exército, a fim de satisfazer as aspirações de seu pai. Promovido a tenente, tomou parte em várias batalhas na Baviera. Comandou o campo de concentração em Nemburg. Posteriormente abandonou a carreira militar, no posto de capitão, em 1872.
Passou o resto de sua vida em Munich, dedicando-se, primeiramente, aos estudos de filosofia e estética, interessando-se sobremaneira pelo estudo dos fenômenos espíritas.
Influenciado pela filosofia de Kant, inclinou-se, sob a orientação de Hartmann a uma aproximação entre Schopenhauer e o Darwinismo.
A primeira edição alemã da obra de Alexandre Aksakof "Animismo e Espiritismo", refutando a obra do Dr. Hartmann, foi publicada sob o título "A Hipótese dos Espíritos e seus Fantasmas". Aparentemente essa polêmica originou a conversão de Du Prel ao Espiritismo, pois tão logo Aksakof, por motivo de saúde, obrigou-se a cessar a controvérsia, Du Prel encarregou-se de sustentá-la, contra seu antigo mestre.
A produção bibliográfica de Carl Du Prel foi considerável (ultrapassa a duas dezenas). Entre elas destacamos "O Espiritismo", "Lucidez e Ação à Distância", "A Descoberta da Alma por Meio das Ciências Ocultas", etc.
Numa de suas obras escreveu: "Enquanto o homem permanecer na dúvida se é uma criatura física e mortal ou um ser metafísico imortal, não terá o direito de gabar-se da sua consciência pessoal, nem de limitar-se a ter a morte como um salto nas trevas. Isso não convém, sobretudo, a um filósofo, cujo primeiro dever, segundo Sócrates, é de conhecer-se a si mesmo."
Carl Du Prel desencarnou em Heiligkreuz (Tirol), no ano de 1899.

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Foi um dos grandes pensadores do século passado, tendo participado, em companhia dos professores Lombroso, Ermácora, Richet, Aksakof, Schiaparelli, Chiaia e outros, das experiências realizadas em Milão, em 1892.
No prefácio do seu livro "O Outro Lado da Vida", diz ele:
"Enquanto o homem permanecer na dúvida se é uma criatura física e imortal ou um ser metafísico imortal, não terá o direito de gabar-se da sua consciência pessoal, nem de limitar-se a ter a morte como um salto nas trevas. Isso não convém, sobretudo, a um filósofo, cujo primeiro dever, segundo Sócrates, é o de conhecer-se a si mesmo."
Como escritor eminente publicou "A Doutrina Monística da Alma", "A Psicologia Mágica", "O Espiritismo", "Lucidez e Ação à Distância", "A Descoberta da Alma", "História da Evolução do Universo", e outras.


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quarta-feira, 5 de junho de 2019

VULTOS DO ESPIRITISMO. - CÂNDIDA AUGUSTA BEZERRA DE MENEZES. - GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. - INTERNET.


  
     Cândida Augusta Bezerra de Menezes

                           1851 - 1909

No dia 20 de março de 1909, desencarnou, na cidade do Rio de Janeiro, Cândida Augusta de Lacerda Machado, a segunda esposa de Bezerra de Menezes.
Filha de Mariano José Machado e Maria Cândida de Lacerda, casara-se com Bezerra de Menezes, em 21 de janeiro de 1865, dois anos após a desencarnação de Maria Cândida, a primeira esposa do Médico dos Pobres e irmã materna de Cândida Augusta. Cândida, após o matrimônio, colheu os dois sobrinhos que ficaram como filhos do coração, dando-lhes novos irmãos.
Cândida Augusta Bezerra de Menezes, nome que passou a utilizar depois do casamento, nasceu, provavelmente, em 1851, pois que desencarnou aos 58 anos.
O fato de ser 20 anos mais nova que o marido, nascido em 1831, era algo comum no Brasil do século XIX. Por uma questão cultural das famílias, à época, as filhas também se casavam bastante cedo. Curiosamente, Cândida Augusta nasceu no ano da chegada de Bezerra ao Rio de Janeiro.
Meigo espírito veio, certamente, com a missão precípua de dar o suporte familiar e afetuoso necessário ao esposo, quando este, no futuro, iniciasse suas atividades na seara espírita.
Cândida era conhecida pelos familiares e, provavelmente, pelo próprio marido através do terno apelido de Dodoca. Levou uma existência de virtudes, de trabalho e de provações, ao lado do amado companheiro.
Bezerra de Menezes, depois de ter perdido na política do Império a fortuna que adquirira como empresário, viveu os últimos anos de sua existência, pobre, cercado de embaraços e dificuldades. Para isso contribuiu, também, a magnanimidade do seu coração, o seu espírito despojado, que o levava frequentemente a repartir tudo quanto possuía com os necessitados que a ele recorriam.
Em meio às privações daí resultantes, dos dissabores e vicissitudes tão comuns à vida do homem público de seu tempo, a Misericórdia Divina lhe ensejou o amparo carinhoso de sua querida Dodoca, com quem partilhava as alegrias e as amarguras do coração.
Foram 35 anos de afetuosa convivência, até a separação física de Bezerra, ocorrida em 11 de abril de 1900. O desenlace do marido converteu-se numa dolorosa provação na sua vida, até aí tão tranquila e feliz, não obstante as intempéries existenciais anteriormente experimentadas.
Entretanto, conforme testemunham aqueles que a conheceram, Dodoca era uma alma de criança, duplicada de meiguice e singeleza, que nem os anos nem as vicissitudes e decepções do mundo conseguiram modificar.
Apesar de seu desejo em se reunir, brevemente, ao esposo amado no mundo espiritual, era para ela angustiante essa possibilidade,em face da situação dos filhos menores que deixaria. Ao desencarnar, Bezerra deixou seis filhos: Ernestina, Otávio, José Rodrigues, Francisco da Cruz, Hilda e Maria da Conceição. Estes três últimos tinham, respectivamente, 16, 14 e 9 anos.
Dodoca era espírita, absolutamente convencida da imortalidade e da sobrevivência da alma. Quando a enfermidade, que há longos anos lhe minava o organismo, a prostrou definitivamente no leito, ela foi, aos poucos, preparada para a desencarnação, através da ação de amigos espirituais e particularmente de Bezerra de Menezes, que via frequentemente à cabeceira do leito.
Sob essa influência suave e amorosa, manteve-se resignada e confiante de tal forma que, poucas semanas antes de desencarnar, fez suas últimas disposições, indicando até as roupas com as quais gostaria de ser amortalhada.
Conversava sobre o próximo desfecho com a mesma tranquilidade como se tratasse de uma viagem ou de um passeio.
Assim lúcida, confortada se conservou Dodoca, tendo apenas intermitências de angústias físicas que a enfermidade lhe provocava, e durante as quais só se lhe ouviam sair dos lábios os nomes de Jesus e de Bezerra, até que o seu débil corpo sucumbiu, aos 58 anos, e o seu espírito feliz partiu para as regiões da luz.

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domingo, 2 de junho de 2019

- VULTOS DO ESPIRITISMO. - CAMILO RODRIGUES CHAVES. - GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. - INTERNET.


            Camilo Rodrigues Chaves.

                      1884 – 1955

Nascido em 18 de julho de 1884 e desencarnado em 03 de fevereiro de 1955, em Belo Horizonte.
Foi Presidente da União Espírita Mineira, cujas tarefas, as desempenhou com muito amor. Tinha o coração sempre derramando carinho e compreensão no trato com os companheiros de jornada.
Sua humildade não permitia que o jornal "O Espirita Mineiro" fizesse qualquer referência elogiosa à sua gestão na U.E.M. embora unanimemente o apontassem como o melhor Presidente que passou pela Casa Máter de Minas Gerais.
Foi fundador do Centro Espírita "Tiago Maior", Presidente do "Abrigo Jesus". Foi um grande empreendedor nas obras por onde passava.

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quinta-feira, 30 de maio de 2019

- NOTAS ESPIRITUAIS. - CAMILO CASTELO BRANCO. - CRONOLOGIA ESPIRITUAL. - GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. - INTERNET.

                 Camilo Castelo Branco.

                   Cronologia Espiritual

A Doutrina Espírita presta-se aos mais variados enfoques de estudo, especialmente os que tangem às Ciências Humanas.
O momento do seu nascimento, o século XIX, é um campo fecundíssimo para tal: é a primeira vez em que o planeta, globalmente, se comunica, e que, graças a essa comunicação, todo o conhecimento humano é reavaliado, refundido e reestruturado.
Antigas ciências adquirem abordagens mais profundas e sistematizadas, novas ciências se lhes juntam. Por toda a parte se estuda, pesquisa, desenvolve, produz. Assim é com os trabalhos da antiga História, da nascente Psicologia, do prometido Consolador.
A obra do prof. Rivail reflete o melhor conhecimento seu século, quer na sistemática de trabalho quer, principalmente, no método de pesquisa a que recorre, na aliança da fé, da ciência e da filosofia, como Darwin, Freud e Marx o fizeram nas expressões isoladas em que se destacaram.

CAMILO, PELA HISTÓRIA
Camilo Castelo Branco é um dos maiores nomes da literatura portuguesa no século XIX. Senhor de notável erudição - referência obrigatória para o estudioso da língua -, polemista notável, sua obra abrange campos tão variados como o jornalismo, o romance, a crítica, a história e a poesia.
No plano pessoal, entretanto, toda a existência de Camilo afigura-se como um desenrolar de profundos dramas: um observador não-espírita indagaria o porquê de tanta dor... O próprio Camilo não o sabe, mas se questiona, sonha, vive e trabalha, amadurecendo o fruto dessa dor em uma vasta obra.
Cínico às vezes, outras variando da absoluta incredulidade até à credulidade mais pueril, seus temas são os da busca do amor, da felicidade, ou a demonstração da sua impossibilidade. De seus escritos provêm a sua subsistência e de seus familiares, e as dificuldades forçam-no a escrever, escrever sempre mais...
Para os espíritas, o caso de Camilo suicida é mais eloqüente do que qualquer dissertação teórica, referência obrigatória para o estudo do tema, através da mediunidade de Yvone Pereira. Entretanto, ao iniciar este trabalho, espírita, historiador e admirador da prosa camiliana, a premissa era mais ambiciosa, mais vivaz:
- ordenar os fatos conhecidos da biografia "post-mortem" de Camilo, se possível confrontando-os com fatos conhecidos de sua vida no século XIX;
- comparar os diferentes episódios dessa "biografia", apresentados por fontes mediúnicas independentes, distantes entre si quer no tempo, quer no espaço;
- registrar coincidências ou discrepâncias significativas entre as fontes estudadas;
- identificar possíveis pontos de contato entre as fontes em Portugal e no Brasil, bem como as características particulares dos respectivos trabalhos;
- reconhecer o papel da FEB - Federação Espírita Brasileira, na preservação e unificação das obras, bem como os mecanismos legais para fazê-lo.
Por trabalharmos com um personagem conhecido e relativamente recente em termos históricos, é fácil verificarmos os fatos da cronologia de sua vida terrena: a bibliografia camiliana é imensa, tanto em Portugal quanto no Brasil.
Ao mesmo tempo, pela permissão do Alto, as informações que se filtram em suas obras psicografadas, permitem uma reconstrução bastante precisa de sua existência no Além.
Nessa espécie de quebra-cabeças de eventos, médiuns e obras, ao estudioso cabe o ajuste e a montagem das peças que estão separadas por fontes distintas entre si, no espaço e no tempo, recompensado pela beleza do mosaico que desvenda ante si.
Para uma referência mais ágil às principais obras a que recorremos, utilizaremos as seguintes siglas: Memórias de um Suicida (MS), Nas Telas do Infinito (TI), e Do País da Luz , vols. I a IV (PL I a IV). Ao final do trabalho, um comentário bibliográfico referindo as edições consultadas, bem como as notas pertinentes.
O médium Fernando de Lacerda

CAMILO, POR CAMILO
1890 - 21/mai - Após tomar conhecimento pelo médico de que sua cegueira era irreversível, Camilo dispara um tiro de revólver no ouvido direito. São 15h15minh na sua quinta de São Miguel de Seide (N de Portugal): às 17h00minh Camilo desencarna1.
1891 - jan - Após meses vagueando sem destino em torno dos próprios restos mortais, Camilo é detido no Vale dos Suicidas (MS pg. 15), abrigo de réprobos oriundos de Portugal e suas colônias africanas, Espanha, e Brasil (MS pg. 18). É a data com que se inicia o Memórias de um Suicida.
1895 - 20/set - Desenlace de Ana Plácido, segunda esposa de Camilo, a quem dá três filhos. Apesar de amá-la extremosamente em vida, inclusive se envolvendo em rumoroso processo que culmina em sua prisão na Cadeia da Relação no Porto (casada, Ana Plácido foge do marido para viver com Camilo), na biografia "post-mortem" do escritor não há nenhuma referência direta a esta com quem passou a maior e mais fecunda parte de sua vida literária.
1903 - nov - Camilo se encontra há pouco tempo no Hospital Maria de Nazaré, da Legião dos Servos de Maria. A data é do episódio da visita de Jerônimo a Portugal (MS pg. 102). O ano de 1903 parece ser confirmado à pg. 193 (MS): "dentre tantos que convosco ingressaram há três anos, (...)", com relação a acontecimentos descritos como tendo ocorrido em 1906.
1904 - Data provável da 1a. caravana com Camilo à crosta terrestre (vide 1906): trabalhos de conscientização de suicidas no interior do Brasil (MS pg. 149 - a referência é feita ao primeiro decênio deste século).
1906 - cerca de dois anos após a primeira caravana (MS pg. 175), o médium português Fernando de Lacerda, por iniciativa própria, já havia entrado em contato com Camilo.
As primeiras comunicações deste pelo médium, registram-se em 1906 (1906-02=1904, data provável da caravana acima), quando Camilo começa a ditar as cartas que originam a obra Do País da Luz (MS pg. 176)2. É um ano de franca atividade para o escritor e seus companheiros de enfermaria: voltam à crosta terrestre - a Portugal - em uma segunda caravana com o fim de obter alta do Hospital Maria de Nazaré (MS pg. 373), e prosseguem as comunicações de Do País da Luz, que acendem viva polêmica (MS pg. 377 e segs.).
Sem sucesso em Portugal 3, Camilo e seus companheiros transferem-se para o Brasil (MS pg. 385) em busca de campo mais fecundo de trabalho, sem abandonar as comunicações de Do País da Luz (MS pg. 386). Nas próprias palavras de Camilo: "voltamos à Terra muitas vezes, permanecendo em suas sociedades, com pequenos intervalos desde os primórdios de 1906." (MS pg. 481).
1906 - 28/out - 1a. carta de Camilo por intermédio de Fernando de Lacerda a Silva Pinto, conhecido de Camilo (PL I pg. 66).
1906 - 18/nov - 2a. carta a Silva Pinto, pelo mesmo médium (PL I pg. 85).
1906 - 20/nov - 3a. comunicação de Camilo (PL I pg. 95)
1906 - 20/nov - 4a. comunicação de Camilo (PL I pg. 99).
1906 - 20/nov - 5a. comunicação - Carta a Silva Pinto (PL I pg. 109).
1906 - 05/dez - 6a. comunicação, acerca de Silva Pinto (PL I pg. 143).
1908 - 15/jan - prólogo de Souza Couto ao Vol. I de Do País da Luz (pg. 11)4.
1908 - 29/abr - dedicatória de Fernando de Lacerda ao Vol. II de Do País da Luz (pg. 7).
1908 - 06/mai - prólogo de Souza Couto ao Vol. II de Do País da Luz (pg. 11).
1908 - 26/mai - prefácio de Fernando de Lacerda ao Vol. II de Do País da Luz5 (pg. 23).
1910 - após dez anos de internação (MS pg. 448) Camilo recebe alta da instituição hospitalar, ingressando na Universidade da mesma instituição. Nos primeiros tempos da Universidade, reencontra sua mãe, seu pai, e sua esposa falecida. Ele se refere a esse enlace como "matrimônio venturoso" (MS pg. 487), pelo que presumimos se trate de Ana Plácido, uma vez que a primeira esposa de Camilo, Maria do Adro, morreu de tuberculose, com pouco tempo de casados.
1911 - 01/abr - carta de Silva Pinto na abertura do Vol. III de Do País da Luz (PL III pg. 11).
1911 - mai - prólogo de Fernando de Lacerda à 2a. edição do vol. I de Do País da Luz (pg. 53). A 1a. edição havia-se esgotado em poucos meses (1908?). A 1a. edição do Vol. II já havia sido lançada em 1908. Esta 2a. edição do Vol. I sai com a reedição do Vol. II, e com a 1a. edição do Vol. III (PL I pg. 54), que também é de 1911.
1911 - jun - prólogo de Fernando de Lacerda ao Vol. III de Do País da Luz6 (pg. 13).
1911 - 25/jul - Fernando de Lacerda chega ao Rio de Janeiro, no Brasil7.
1911 - nov - desencarnação de Silva Pinto (PL IV pg. 37).
1912 - por volta desta data (MS pg. 486), dois anos após o reencontro com seus familiares, Camilo toma contato com as suas vivências passadas para fins didáticos (MS pg. 490, 493, 499).
1918 - 07/ago - desencarnação, no Brasil, de Fernando de Lacerda.
1919 - copyright da FEB de Do País da Luz.
1919 - data provável do lançamento do Vol. IV de Do País da Luz8.
1926 - Camilo se comunica no Brasil, em Lavras/MG, pela jovem médium Yvone A. Pereira, que trabalha com atendimento a suicidas. É o início de um trabalho que será compilado 20 anos mais tarde: o Memórias de um Suicida (MS pg. 7)9.
1930 - graduado na Universidade da instituição dos Servos de Maria, Camilo passa a servir na enfermaria do Hospital, em lugar de Joel, seu antigo enfermeiro, que reencarnara (MS pg. 546).
1930 - mai - Yvone A. Pereira inicia a novela O Tesouro do Castelo (TI pg. 61), narrativa assinada por Camilo (TI pg. 66).
1936 - Camilo está escrevendo após cerca de 30 anos, referindo-se a acontecimentos ocorridos cerca de três anos após seu ingresso na instituição-hospital (MS pg. 346). Cruzando essa informação com a datação de 1903 como seu ingresso no Hospital, temos o ano de 1936 como data aproximada de inicio da criação de Memórias de um Suicida10.
1942 - "faz precisamente cinqüenta e dois anos que habito o mundo astral" (MS pg. 544): assim Camilo inicia o final de suas memórias...
1945 - data provável da reencarnação de Camilo. Segundo a diretriz-base traçada para essa nova existência, trabalharia como médium curador (MS pg. 546), devendo cegar aos 40 anos de idade (MS pg. 565) e desencarnar aos 60 anos (MS pg. 566).
1946 - Yvone A. Pereira reinicia os trabalhos de psicografia do Memórias de um Suicida . Na introdução da obra, ela nos informa que teve que esperar oito anos para prosseguir essa tarefa (MS pg. 10), já que impedida temporariamente, ao fim desse impedimento, Camilo só a procurou para lhe participar a sua (dele) próxima reencarnação (data do Copyright da FEB e do prefacio da 1a. edição = 1954 - 1 ano despendido no prefácio cf. pg. 10 = 1953 - 08 = 1945 data provável da reencarnação de Camilo).
1954 - 18/mai - introdução de Yvone A. Pereira no Memórias de um Suicida (pg. 12).
1954 - copyright da FEB da obra Memórias de um Suicida11.
1955 - copyright da FEB de Nas Telas do Infinito.
1956 - 1a. edição do Memórias de um Suicida.
1957 - 04/mai - prefácio da 2a. edição revisada, do Memórias de um Suicida (MS pg. 14).
1985 - aos 40 anos Camilo reencarnado, conforme a diretriz-base, deveria novamente arcar com a provação da cegueira (MS pg. 565).
2006/2007 - aos 60 anos, Camilo reencarnado, por aquela diretriz, deverá desencarnar (MS. pg. 566).

CONCLUSÃO
Como afirmamos, do casamento de nossos interesses no espiritismo, na história e na literatura, surgiu o esboço do presente trabalho.
Mais do que descrever a rotina de um espírito após a desencarnação (e a imensa popularidade das obras de André Luiz é mais do que eloqüente para demonstrar o interesse que esse assunto desperta), a análise global da passagem de Camilo pelas lides do movimento espírita, serve de subsídio a estudos maiores a todos os que trabalham não só com o tema suicídio, mas também reencarnação, fisiologia da alma, vivências passadas com fins terapêuticos e outros, temas em grande parte, ainda carentes de estudos mais profundos. Nesse sentido, este trabalho não é o fim, mas apenas um modesto começo, e esperamos que ele tenha transmitido tanto prazer quanto a sua pesquisa proporcionou.
Registramos por último, nossos agradecimentos ao GEAE (http://www.geae.inf.br) pelo apoio em Portugal à pesquisa bibliográfica, e ao Alto pela constante inspiração, graças às quais este estudo chegou à sua forma presente, momento em que o repartimos com os leitores.

O QUE HÁ PARA SE LER
PEREIRA, Yvone A.. Memórias de um Suicida (5a. ed.). Rio de Janeiro: FEB, 1975.
Obra mediúnica, atribuída por Yvone Pereira a Camilo Cândido Botelho, talvez ainda pensando nas implicações jurídicas que o caso Humberto de Campos/Irmão X causou à época com o médium Francisco Cândido Xavier.
Junto com o “O Martírio dos Suicidas” de Almerindo Martins de Castro (FEB, 1940), é obra básica para o estudioso do tema Suicídio. A autoria de Camilo Castelo Branco, entretanto, é clara para quem conhece a vasta obra em vida desse autor, quer pelo estilo, quer pelos fatos narrados, e mesmo pelos nomes componentes do pseudônimo que ocultam o real autor. É a primeira obra de Yvone Pereira publicada pela FEB (1954).
PEREIRA, Yvone A.. Nas Telas do Infinito (5a. ed.). Rio de Janeiro: FEB, 1978.
Também mediúnica, a obra enfeixa dois contos: o primeiro de Adolfo Bezerra de Menezes, e o segundo de Camilo, nesta edição consultada, já atribuído ao próprio autor. A obra é publicada no ano seguinte ao Memórias de um Suicida, em 1955.
LACERDA, Fernando de. Do País da Luz (4 vols.: vol. I - 6a. ed.; vol. II - 5a. ed.; vol. III - 4a. ed.; vol. IV - 3a. ed.). Rio de Janeiro: FEB, 1984.
Coletânea psicografada pelo médium português Fernando de Lacerda entre 1906 e 1918. Abrange mensagens entre outros, dos maiores vultos da literatura portuguesa do século XIX. A acirrada polêmica que causou à época, muito contribuiu para a divulgação do Espiritismo em Portugal, que vivia as agitações que precederam a proclamação do regime republicano naquele país (1910) e que viriam a sacrificar o próprio médium, que se auto-exila no Brasil por recomendação dos próprios espíritos.
A FEB adquire os direitos da obra em 1919, e é no Brasil que ela sobrevive durante as décadas de regime salazarista em Portugal, quando manifestações de cunho religioso diversas da religião oficial do Estado - Católica - eram violentamente reprimidas. Obra relativamente pouco conhecida na atualidade (a edição consultada, de 1978, é apenas a 6a. do vol. I e a 3a.do vol. IV), é uma fonte interessantíssima para o historiador do Espiritismo, ou mesmo o amante da literatura. Se isso não bastasse, a obra contém entre outras, mensagens de Kardec (Vol. II pg. 176), Napoleão (Vol. I pg. 80), D. Pedro II do Brasil (Vol. IV pg. 263) e outros, particularmente interessantes por sua atualidade.
SOARES, Sylvio Brito. Grandes Vultos da Humanidade e do Espiritismo (2a. ed.). Rio de Janeiro, FEB, 1975.
Originalmente publicada em 1961, no ano seguinte seguia-se-lhe uma biografia de Bezerra de Menezes. Bastante proselitista, a obra é interessante como uma tentativa de comprovar que alguns dos grandes vultos da humanidade possuíam faculdades mediúnicas inconscientes, graças às quais teriam se projetado nos mundos literário, musical e cientifico. Inclui um perfil de Camilo, tornado vulto da Humanidade e do Espiritismo pelo autor e (principalmente) pela mediunidade de Yvone Pereira.

NOTAS
Para um depoimento pessoal de Camilo, vide MS pg. 33;
Para uma identificação mais precisa de Fernando de Lacerda (Fernando Augusto de Lacerda e Mello - *06/ago/1865 +07/ago/1918) vide MS pg. 303: caso de Albino, filho do suicida Jerônimo - alusão à rainha portuguesa Dna. Amélia (Dna. Amélia de Orleans e Bragança, esposa de D. Carlos I, assassinado a tiros em 01/fev/1908). Vide ainda as referências de Souza Couto no prólogo do Vol. I de Do País da Luz (pg. 16), a excelente nota biográfica O Médium Fernando de Lacerda na revista Reformador de ago/1988 (pgs. 247-249) e a bonita mensagem Reminiscências psicografada pelo médium brasileiro Divaldo P. Franco a 21/set/1980 em Lisboa, Portugal, publicada pela revista Reformador de jul/1981 (pg. 200).
Acerca das dificuldades que Camilo encontrou nas suas tentativas de comunicação mediúnica, vide ainda o depoimento de Yvone Pereira em Devassando o Invisível, FEB, Rio de Janeiro, 1963, pgs. 63-64.
São deste prólogo as referências à revista portuguesa Estudos Psiquicos, editada por Souza Couto, em ano que não nos foi possível localizar.
O Vol. II de Do País da Luz contém três mensagens de Camilo, das quais Fernando de Lacerda omite a data: pgs. 85, 91 e 222 (Camilo a Silva Pinto). Pelo teor são posteriores às do Vol. I.
No Vol. III de Do País da Luz há apenas uma mensagem de Camilo (pg. 162). Nela se faz referência às experiências do Vale dos Suicidas, descritas no MS, e à invocação inicial de Camilo feita por Fernando de Lacerda, quando Camilo se encontrava ainda internado.
Esta é uma das informações mais interessantes do trabalho, uma surpresa para nós que a desconhecíamos: Perseguido pela imprensa republicana em Portugal devido ao seu trabalho mediúnico, Fernando de Lacerda perde sua função pública em Portugal, e permacerá no Brasil até ao fim de seus dias. Vide a revista Reformador, ago/1988, pgs. 247-249.
O Vol. IV de Do País da Luz é póstumo a Fernando de Lacerda, e não pudemos identificar se a primeira edição deste volume foi feita em Portugal como aparentam os anteriores da série, ou no Brasil, já pela FEB - a segunda hipótese é mais provável. O prefácio de autoria do próprio Fernando de Lacerda, é mediúnico, e a seu pedido, todas as datas são removidas, um dos motivos pelos quais não há ordem cronológica nas mensagens. A julgar pela de abertura, pela de Eça de Queiroz (PL IV pg. 13), e pela de D. Pedro II do Brasil (PL IV pg. 263), parte das comunicações são recebidas entre 1911 e 1918 já no Brasil, o que é corroborado pela data da desencarnação de Silva Pinto (nov/1911 cf. PL IV pg. 37) autor de algumas mensagens, e pela única comunicação de Camilo nesse volume, justamente a respeito desse desenlace (PL IV pg. 218).
O ano de 1926 é confirmado pela própria médium. Vide os Dados biográficos de Yvone A Pereira para a Federação Espírita Brasileira (Final) (pg. 61) na revista Reformador de fev/82.
Há um conflito aparente nas datas, já que por essa indicação o início da criação do MS seria 1936. Entretanto, pelo depoimento de Yvone Pereira, ela é recebida em fragmentos, finalmente compilados a partir de 1946, provavelmente pelo espírito de Leon Denis, autor do prefácio à segunda edição.
Para uma correta noção dos fatos que envolveram a publicação das primeiras obras pela psicografia de Yvone A Pereira, vide as próprias notas biográficas da médium na revista Reformador dos meses de jan e fev/1982.

Fonte: GRANDES GIGANTES D A DOUTRINA ESPÍRITA. – INTERNET.

           RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)