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quarta-feira, 5 de junho de 2019

- MENSAGEM PARA MEDITAR. - Nº. 314. - CONCERNENTES AO ESPIRITISMO. - 6 DE MAIO DE 1857.- A TIARA ESPIRITUAL - ALLAN KARDEC.


             CONCERNENTES AO ESPIRITISMO.

Manuscrito composto com especial cuidado por Allan Kardec e do qual nenhum capítulo fora ainda publicado.

6 de maio de 1857
(Em casa da Sra. de Cardone)

    A TIARA ESPIRITUAL

Eu tivera ocasião de conhecer a Sra. de Cardone nas sessões do Sr. Roustan. Alguém me disse, creio que foi o Sr. Carlotti, que ela possuía notável talento para ler nas mãos. Nunca acreditei que as linhas da mão tenham uma significação qualquer, mas sempre acreditei que, para certas pessoas dotadas de uma espécie de segunda vista, podia isso constituir meio de estabelecerem uma relação que lhes permitisse, como aos sonâmbulos, dizer algumas vezes coisas verdadeiras. Os sinais da mão nada mais são, nesse caso, do que um pretexto, um meio de fixar a atenção, de desenvolver a lucidez, como o são as cartas, a borra de café, os espelhos ditos mágicos, para os indivíduos que dispõem dessa faculdade. A experiência me confirmou de novo a justeza dessa opinião. Seja como for, aquela senhora, tendo-me convidado a ir visitá-la, acedi ao seu convite e eis aqui um resumo do que ela me disse:
“Nascestes com grande abundância de recursos e de meios intelectuais... extraordinária força de raciocínio...
Formou-se o vosso gosto; governado pela cabeça, moderais a inspiração pelo raciocínio; subordinais o instinto, a paixão, a intuição ao método, à teoria. Tivestes sempre pendor para as ciências morais... Amor da verdade absoluta... Amor da Arte definida.
“Tem número, medida e cadência o vosso estilo; mas, por vezes, trocaríeis um pouco da sua precisão por uma certa poesia.
“Como filósofo idealista, estivestes sujeito à opinião de outrem; como filósofo crente, experimentais agora a necessidade de formar seita.
“Benevolência judiciosa; necessidade imperiosa de aliviar, de socorrer, de consolar; necessidade de independência.
“Muito demoradamente vos corrigis da subitânea impulsão do vosso humor.
“Éreis singularmente apto para a missão que vos está confiada, porquanto o vosso feitio é mais para vos tornardes o centro de imensos desenvolvimentos, do que capaz de trabalhos insulados... Vossos olhos têm o olhar do pensamento.
“Vejo aqui o sinal da tiara espiritual... É bem pronunciado...
Vede.” (Olhei e nada vi de particular.)
Que entendeis, perguntei-lhe, por tiara espiritual?
Querereis dizer que serei papa? Se tal houvesse de acontecer, não seria decerto nesta existência.
Resposta — Deveis notar que eu disse tiara espiritual, o que significa: autoridade moral e religiosa e não soberania efetiva.”
Reproduzi pura e simplesmente as palavras daquela senhora, por ela mesma transcritas. Não me compete julgar se são exatas sobre todos os pontos. Algumas, reconheço- as verdadeiras, porque estão de acordo com o meu caráter e com as disposições do meu espírito.
Há, porém, uma passagem evidentemente errônea, a em que ela diz, a propósito do meu estilo, que eu às vezes trocaria algo da minha precisão por um pouco de poesia.
Nenhum instinto poético existe em mim; o que procuro, acima de tudo, o que me agrada, o que aprecio nos outros é a clareza, a limpidez, a precisão e, longe de sacrificar esta à poesia, o que se me poderia reprochar fora o sacrificar o sentimento poético à sequidão da forma positiva. Preferi sempre o que fala à inteligência ao que apenas fala à imaginação.
Quanto à tiara espiritual, O Livro dos Espírito acabava de aparecer; a Doutrina estava em seus primórdios e não podia ainda prejulgar dos resultados que ulteriormente daria. Nenhuma importância, pois, liguei a essa revelação e me limitei a anotá-la a título informativo.
No ano seguinte a Sra. de Cardone deixou Paris e não tornei a vê-la, senão oito anos depois, em 1866, quando as coisas já tinham caminhado bastante. Disse-me ela: Lembra-se da minha predição acerca da tiara espiritual? Aí a tem realizada. — Como realizada? Que eu o saiba, não me acho no trono de S. Pedro. — Não, decerto; mas, também, não foi isso o que lhe anunciei. O senhor não é, de fato, o chefe da Doutrina, reconhecido pelos espíritas do mundo inteiro? Não são os seus escritos que fazem lei? Não se contam por milhões os seus correligionários? Em matéria de Espiritismo, haverá alguém cujo nome tenha mais autoridade do que o seu? Os títulos de sumo-sacerdote, de pontífice, mesmo de papa, não lhe são dados espontaneamente?
São-no, sobretudo, pelos seus adversários e por ironia, bem o sei, mas nem por isso o fato deixa de indicar de que gênero é a influência que eles lhe reconhecem, porque pressentem qual o papel que lhe cabe. Assim, esses títulos lhe ficarão.
Em suma, o senhor conquistou, sem a buscar, uma posição moral que ninguém lhe pode tirar, dado que, sejam quais forem os trabalhos que se elaborem depois dos seus, ou concomitantemente com eles, o senhor será sempre o proclamado fundador da Doutrina. Logo, em realidade, está com a tiara espiritual, isto é, com a supremacia moral.
Reconheça, portanto, que eu disse a verdade.
Acredita agora, mais um pouco, nos sinais das mãos?
- Menos que nunca e estou convencido de que, se a senhora viu alguma coisa, não foi na minha mão, mas no seu próprio espírito e vou prová-lo.
Admito que nas mãos, como nos pés, nos braços e nas outras partes do corpo, existem certos sinais fisiognomônicos; mas, cada órgão apresenta sinais particulares, conforme o uso a que é sujeito e conforme as suas relações com o pensamento. Os sinais das mãos não podem ser os mesmos que os dos pés, dos braços, da boca, dos olhos, etc.
Quanto ao pregueado da palma das mãos, a maior ou menor acentuação que apresentam resulta da natureza da pele e da maior ou menor quantidade de tecido celular. Como essas partes em nenhuma correlação fisiológica estão com os órgãos das faculdades intelectuais e morais, não podem ser a expressão dessas faculdades. Mesmo admitindo-se que haja essa correlação, elas poderiam fornecer indicações sobre o estado atual do indivíduo, mas não poderiam constituir sinais de presságios de coisas futuras, nem de acontecimentos passados e independentes da vontade do mesmo indivíduo. Na primeira hipótese, eu, a rigor, compreenderia que, com o auxílio de tais lineamentos, se pudesse dizer que uma pessoa possui esta ou aquela aptidão, este ou aquele pendor; o mais vulgar bom-senso, porém, repeliria a idéia de que se possa ver ali se ela foi casada ou não, quantas vezes e o número de filhos que teve, se é viúva ou não, e outras coisas semelhantes, como o pretende a maioria dos quiromantes.
Entre as linhas das mãos, há uma que toda gente conhece e que representa bem um M. Se é bastante acentuada, pressagia, dizem, uma vida infeliz (malheureuse); porém, a palavra malheur (infelicidade) é francesa e ninguém se lembra de que, nas outras línguas, a palavra que a essa corresponde não começa pela mesma letra, donde se segue que a linha em questão deveria apresentar formas diferentes, de acordo com as línguas dos povos.
Quanto à tiara espiritual, é, evidentemente, uma coisa especial, excepcional e, até certo ponto, individual e eu estou convencido de que a senhora não encontrou essa expressão no vocabulário de nenhum tratado de quiromancia.
Como então lhe veio ela à mente? Pela intuição, pela inspiração, por essa espécie de presciência peculiar à dupla vista de que muitas pessoas são dotadas sem o suspeitarem.
Sua atenção estava concentrada nos lineamentos da mão, a senhora fixou o pensamento num sinal em que outra pessoa teria visto coisa muito diversa, ou a que a senhora mesmo atribuiria significação diferente, se tratasse de outro indivíduo.

                                                                                  ALLAN KARDEC.

            Fonte: O Livro “OBRAS PÓSTUMAS”, - Allan Kardec –27 a. Edição. –Instituto de Difusão Espírita , - Araras, SP. – Maio 2012.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

quinta-feira, 30 de maio de 2019

- NOTAS ESPIRITUAIS. - CAMILO CASTELO BRANCO. - CRONOLOGIA ESPIRITUAL. - GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA. - INTERNET.

                 Camilo Castelo Branco.

                   Cronologia Espiritual

A Doutrina Espírita presta-se aos mais variados enfoques de estudo, especialmente os que tangem às Ciências Humanas.
O momento do seu nascimento, o século XIX, é um campo fecundíssimo para tal: é a primeira vez em que o planeta, globalmente, se comunica, e que, graças a essa comunicação, todo o conhecimento humano é reavaliado, refundido e reestruturado.
Antigas ciências adquirem abordagens mais profundas e sistematizadas, novas ciências se lhes juntam. Por toda a parte se estuda, pesquisa, desenvolve, produz. Assim é com os trabalhos da antiga História, da nascente Psicologia, do prometido Consolador.
A obra do prof. Rivail reflete o melhor conhecimento seu século, quer na sistemática de trabalho quer, principalmente, no método de pesquisa a que recorre, na aliança da fé, da ciência e da filosofia, como Darwin, Freud e Marx o fizeram nas expressões isoladas em que se destacaram.

CAMILO, PELA HISTÓRIA
Camilo Castelo Branco é um dos maiores nomes da literatura portuguesa no século XIX. Senhor de notável erudição - referência obrigatória para o estudioso da língua -, polemista notável, sua obra abrange campos tão variados como o jornalismo, o romance, a crítica, a história e a poesia.
No plano pessoal, entretanto, toda a existência de Camilo afigura-se como um desenrolar de profundos dramas: um observador não-espírita indagaria o porquê de tanta dor... O próprio Camilo não o sabe, mas se questiona, sonha, vive e trabalha, amadurecendo o fruto dessa dor em uma vasta obra.
Cínico às vezes, outras variando da absoluta incredulidade até à credulidade mais pueril, seus temas são os da busca do amor, da felicidade, ou a demonstração da sua impossibilidade. De seus escritos provêm a sua subsistência e de seus familiares, e as dificuldades forçam-no a escrever, escrever sempre mais...
Para os espíritas, o caso de Camilo suicida é mais eloqüente do que qualquer dissertação teórica, referência obrigatória para o estudo do tema, através da mediunidade de Yvone Pereira. Entretanto, ao iniciar este trabalho, espírita, historiador e admirador da prosa camiliana, a premissa era mais ambiciosa, mais vivaz:
- ordenar os fatos conhecidos da biografia "post-mortem" de Camilo, se possível confrontando-os com fatos conhecidos de sua vida no século XIX;
- comparar os diferentes episódios dessa "biografia", apresentados por fontes mediúnicas independentes, distantes entre si quer no tempo, quer no espaço;
- registrar coincidências ou discrepâncias significativas entre as fontes estudadas;
- identificar possíveis pontos de contato entre as fontes em Portugal e no Brasil, bem como as características particulares dos respectivos trabalhos;
- reconhecer o papel da FEB - Federação Espírita Brasileira, na preservação e unificação das obras, bem como os mecanismos legais para fazê-lo.
Por trabalharmos com um personagem conhecido e relativamente recente em termos históricos, é fácil verificarmos os fatos da cronologia de sua vida terrena: a bibliografia camiliana é imensa, tanto em Portugal quanto no Brasil.
Ao mesmo tempo, pela permissão do Alto, as informações que se filtram em suas obras psicografadas, permitem uma reconstrução bastante precisa de sua existência no Além.
Nessa espécie de quebra-cabeças de eventos, médiuns e obras, ao estudioso cabe o ajuste e a montagem das peças que estão separadas por fontes distintas entre si, no espaço e no tempo, recompensado pela beleza do mosaico que desvenda ante si.
Para uma referência mais ágil às principais obras a que recorremos, utilizaremos as seguintes siglas: Memórias de um Suicida (MS), Nas Telas do Infinito (TI), e Do País da Luz , vols. I a IV (PL I a IV). Ao final do trabalho, um comentário bibliográfico referindo as edições consultadas, bem como as notas pertinentes.
O médium Fernando de Lacerda

CAMILO, POR CAMILO
1890 - 21/mai - Após tomar conhecimento pelo médico de que sua cegueira era irreversível, Camilo dispara um tiro de revólver no ouvido direito. São 15h15minh na sua quinta de São Miguel de Seide (N de Portugal): às 17h00minh Camilo desencarna1.
1891 - jan - Após meses vagueando sem destino em torno dos próprios restos mortais, Camilo é detido no Vale dos Suicidas (MS pg. 15), abrigo de réprobos oriundos de Portugal e suas colônias africanas, Espanha, e Brasil (MS pg. 18). É a data com que se inicia o Memórias de um Suicida.
1895 - 20/set - Desenlace de Ana Plácido, segunda esposa de Camilo, a quem dá três filhos. Apesar de amá-la extremosamente em vida, inclusive se envolvendo em rumoroso processo que culmina em sua prisão na Cadeia da Relação no Porto (casada, Ana Plácido foge do marido para viver com Camilo), na biografia "post-mortem" do escritor não há nenhuma referência direta a esta com quem passou a maior e mais fecunda parte de sua vida literária.
1903 - nov - Camilo se encontra há pouco tempo no Hospital Maria de Nazaré, da Legião dos Servos de Maria. A data é do episódio da visita de Jerônimo a Portugal (MS pg. 102). O ano de 1903 parece ser confirmado à pg. 193 (MS): "dentre tantos que convosco ingressaram há três anos, (...)", com relação a acontecimentos descritos como tendo ocorrido em 1906.
1904 - Data provável da 1a. caravana com Camilo à crosta terrestre (vide 1906): trabalhos de conscientização de suicidas no interior do Brasil (MS pg. 149 - a referência é feita ao primeiro decênio deste século).
1906 - cerca de dois anos após a primeira caravana (MS pg. 175), o médium português Fernando de Lacerda, por iniciativa própria, já havia entrado em contato com Camilo.
As primeiras comunicações deste pelo médium, registram-se em 1906 (1906-02=1904, data provável da caravana acima), quando Camilo começa a ditar as cartas que originam a obra Do País da Luz (MS pg. 176)2. É um ano de franca atividade para o escritor e seus companheiros de enfermaria: voltam à crosta terrestre - a Portugal - em uma segunda caravana com o fim de obter alta do Hospital Maria de Nazaré (MS pg. 373), e prosseguem as comunicações de Do País da Luz, que acendem viva polêmica (MS pg. 377 e segs.).
Sem sucesso em Portugal 3, Camilo e seus companheiros transferem-se para o Brasil (MS pg. 385) em busca de campo mais fecundo de trabalho, sem abandonar as comunicações de Do País da Luz (MS pg. 386). Nas próprias palavras de Camilo: "voltamos à Terra muitas vezes, permanecendo em suas sociedades, com pequenos intervalos desde os primórdios de 1906." (MS pg. 481).
1906 - 28/out - 1a. carta de Camilo por intermédio de Fernando de Lacerda a Silva Pinto, conhecido de Camilo (PL I pg. 66).
1906 - 18/nov - 2a. carta a Silva Pinto, pelo mesmo médium (PL I pg. 85).
1906 - 20/nov - 3a. comunicação de Camilo (PL I pg. 95)
1906 - 20/nov - 4a. comunicação de Camilo (PL I pg. 99).
1906 - 20/nov - 5a. comunicação - Carta a Silva Pinto (PL I pg. 109).
1906 - 05/dez - 6a. comunicação, acerca de Silva Pinto (PL I pg. 143).
1908 - 15/jan - prólogo de Souza Couto ao Vol. I de Do País da Luz (pg. 11)4.
1908 - 29/abr - dedicatória de Fernando de Lacerda ao Vol. II de Do País da Luz (pg. 7).
1908 - 06/mai - prólogo de Souza Couto ao Vol. II de Do País da Luz (pg. 11).
1908 - 26/mai - prefácio de Fernando de Lacerda ao Vol. II de Do País da Luz5 (pg. 23).
1910 - após dez anos de internação (MS pg. 448) Camilo recebe alta da instituição hospitalar, ingressando na Universidade da mesma instituição. Nos primeiros tempos da Universidade, reencontra sua mãe, seu pai, e sua esposa falecida. Ele se refere a esse enlace como "matrimônio venturoso" (MS pg. 487), pelo que presumimos se trate de Ana Plácido, uma vez que a primeira esposa de Camilo, Maria do Adro, morreu de tuberculose, com pouco tempo de casados.
1911 - 01/abr - carta de Silva Pinto na abertura do Vol. III de Do País da Luz (PL III pg. 11).
1911 - mai - prólogo de Fernando de Lacerda à 2a. edição do vol. I de Do País da Luz (pg. 53). A 1a. edição havia-se esgotado em poucos meses (1908?). A 1a. edição do Vol. II já havia sido lançada em 1908. Esta 2a. edição do Vol. I sai com a reedição do Vol. II, e com a 1a. edição do Vol. III (PL I pg. 54), que também é de 1911.
1911 - jun - prólogo de Fernando de Lacerda ao Vol. III de Do País da Luz6 (pg. 13).
1911 - 25/jul - Fernando de Lacerda chega ao Rio de Janeiro, no Brasil7.
1911 - nov - desencarnação de Silva Pinto (PL IV pg. 37).
1912 - por volta desta data (MS pg. 486), dois anos após o reencontro com seus familiares, Camilo toma contato com as suas vivências passadas para fins didáticos (MS pg. 490, 493, 499).
1918 - 07/ago - desencarnação, no Brasil, de Fernando de Lacerda.
1919 - copyright da FEB de Do País da Luz.
1919 - data provável do lançamento do Vol. IV de Do País da Luz8.
1926 - Camilo se comunica no Brasil, em Lavras/MG, pela jovem médium Yvone A. Pereira, que trabalha com atendimento a suicidas. É o início de um trabalho que será compilado 20 anos mais tarde: o Memórias de um Suicida (MS pg. 7)9.
1930 - graduado na Universidade da instituição dos Servos de Maria, Camilo passa a servir na enfermaria do Hospital, em lugar de Joel, seu antigo enfermeiro, que reencarnara (MS pg. 546).
1930 - mai - Yvone A. Pereira inicia a novela O Tesouro do Castelo (TI pg. 61), narrativa assinada por Camilo (TI pg. 66).
1936 - Camilo está escrevendo após cerca de 30 anos, referindo-se a acontecimentos ocorridos cerca de três anos após seu ingresso na instituição-hospital (MS pg. 346). Cruzando essa informação com a datação de 1903 como seu ingresso no Hospital, temos o ano de 1936 como data aproximada de inicio da criação de Memórias de um Suicida10.
1942 - "faz precisamente cinqüenta e dois anos que habito o mundo astral" (MS pg. 544): assim Camilo inicia o final de suas memórias...
1945 - data provável da reencarnação de Camilo. Segundo a diretriz-base traçada para essa nova existência, trabalharia como médium curador (MS pg. 546), devendo cegar aos 40 anos de idade (MS pg. 565) e desencarnar aos 60 anos (MS pg. 566).
1946 - Yvone A. Pereira reinicia os trabalhos de psicografia do Memórias de um Suicida . Na introdução da obra, ela nos informa que teve que esperar oito anos para prosseguir essa tarefa (MS pg. 10), já que impedida temporariamente, ao fim desse impedimento, Camilo só a procurou para lhe participar a sua (dele) próxima reencarnação (data do Copyright da FEB e do prefacio da 1a. edição = 1954 - 1 ano despendido no prefácio cf. pg. 10 = 1953 - 08 = 1945 data provável da reencarnação de Camilo).
1954 - 18/mai - introdução de Yvone A. Pereira no Memórias de um Suicida (pg. 12).
1954 - copyright da FEB da obra Memórias de um Suicida11.
1955 - copyright da FEB de Nas Telas do Infinito.
1956 - 1a. edição do Memórias de um Suicida.
1957 - 04/mai - prefácio da 2a. edição revisada, do Memórias de um Suicida (MS pg. 14).
1985 - aos 40 anos Camilo reencarnado, conforme a diretriz-base, deveria novamente arcar com a provação da cegueira (MS pg. 565).
2006/2007 - aos 60 anos, Camilo reencarnado, por aquela diretriz, deverá desencarnar (MS. pg. 566).

CONCLUSÃO
Como afirmamos, do casamento de nossos interesses no espiritismo, na história e na literatura, surgiu o esboço do presente trabalho.
Mais do que descrever a rotina de um espírito após a desencarnação (e a imensa popularidade das obras de André Luiz é mais do que eloqüente para demonstrar o interesse que esse assunto desperta), a análise global da passagem de Camilo pelas lides do movimento espírita, serve de subsídio a estudos maiores a todos os que trabalham não só com o tema suicídio, mas também reencarnação, fisiologia da alma, vivências passadas com fins terapêuticos e outros, temas em grande parte, ainda carentes de estudos mais profundos. Nesse sentido, este trabalho não é o fim, mas apenas um modesto começo, e esperamos que ele tenha transmitido tanto prazer quanto a sua pesquisa proporcionou.
Registramos por último, nossos agradecimentos ao GEAE (http://www.geae.inf.br) pelo apoio em Portugal à pesquisa bibliográfica, e ao Alto pela constante inspiração, graças às quais este estudo chegou à sua forma presente, momento em que o repartimos com os leitores.

O QUE HÁ PARA SE LER
PEREIRA, Yvone A.. Memórias de um Suicida (5a. ed.). Rio de Janeiro: FEB, 1975.
Obra mediúnica, atribuída por Yvone Pereira a Camilo Cândido Botelho, talvez ainda pensando nas implicações jurídicas que o caso Humberto de Campos/Irmão X causou à época com o médium Francisco Cândido Xavier.
Junto com o “O Martírio dos Suicidas” de Almerindo Martins de Castro (FEB, 1940), é obra básica para o estudioso do tema Suicídio. A autoria de Camilo Castelo Branco, entretanto, é clara para quem conhece a vasta obra em vida desse autor, quer pelo estilo, quer pelos fatos narrados, e mesmo pelos nomes componentes do pseudônimo que ocultam o real autor. É a primeira obra de Yvone Pereira publicada pela FEB (1954).
PEREIRA, Yvone A.. Nas Telas do Infinito (5a. ed.). Rio de Janeiro: FEB, 1978.
Também mediúnica, a obra enfeixa dois contos: o primeiro de Adolfo Bezerra de Menezes, e o segundo de Camilo, nesta edição consultada, já atribuído ao próprio autor. A obra é publicada no ano seguinte ao Memórias de um Suicida, em 1955.
LACERDA, Fernando de. Do País da Luz (4 vols.: vol. I - 6a. ed.; vol. II - 5a. ed.; vol. III - 4a. ed.; vol. IV - 3a. ed.). Rio de Janeiro: FEB, 1984.
Coletânea psicografada pelo médium português Fernando de Lacerda entre 1906 e 1918. Abrange mensagens entre outros, dos maiores vultos da literatura portuguesa do século XIX. A acirrada polêmica que causou à época, muito contribuiu para a divulgação do Espiritismo em Portugal, que vivia as agitações que precederam a proclamação do regime republicano naquele país (1910) e que viriam a sacrificar o próprio médium, que se auto-exila no Brasil por recomendação dos próprios espíritos.
A FEB adquire os direitos da obra em 1919, e é no Brasil que ela sobrevive durante as décadas de regime salazarista em Portugal, quando manifestações de cunho religioso diversas da religião oficial do Estado - Católica - eram violentamente reprimidas. Obra relativamente pouco conhecida na atualidade (a edição consultada, de 1978, é apenas a 6a. do vol. I e a 3a.do vol. IV), é uma fonte interessantíssima para o historiador do Espiritismo, ou mesmo o amante da literatura. Se isso não bastasse, a obra contém entre outras, mensagens de Kardec (Vol. II pg. 176), Napoleão (Vol. I pg. 80), D. Pedro II do Brasil (Vol. IV pg. 263) e outros, particularmente interessantes por sua atualidade.
SOARES, Sylvio Brito. Grandes Vultos da Humanidade e do Espiritismo (2a. ed.). Rio de Janeiro, FEB, 1975.
Originalmente publicada em 1961, no ano seguinte seguia-se-lhe uma biografia de Bezerra de Menezes. Bastante proselitista, a obra é interessante como uma tentativa de comprovar que alguns dos grandes vultos da humanidade possuíam faculdades mediúnicas inconscientes, graças às quais teriam se projetado nos mundos literário, musical e cientifico. Inclui um perfil de Camilo, tornado vulto da Humanidade e do Espiritismo pelo autor e (principalmente) pela mediunidade de Yvone Pereira.

NOTAS
Para um depoimento pessoal de Camilo, vide MS pg. 33;
Para uma identificação mais precisa de Fernando de Lacerda (Fernando Augusto de Lacerda e Mello - *06/ago/1865 +07/ago/1918) vide MS pg. 303: caso de Albino, filho do suicida Jerônimo - alusão à rainha portuguesa Dna. Amélia (Dna. Amélia de Orleans e Bragança, esposa de D. Carlos I, assassinado a tiros em 01/fev/1908). Vide ainda as referências de Souza Couto no prólogo do Vol. I de Do País da Luz (pg. 16), a excelente nota biográfica O Médium Fernando de Lacerda na revista Reformador de ago/1988 (pgs. 247-249) e a bonita mensagem Reminiscências psicografada pelo médium brasileiro Divaldo P. Franco a 21/set/1980 em Lisboa, Portugal, publicada pela revista Reformador de jul/1981 (pg. 200).
Acerca das dificuldades que Camilo encontrou nas suas tentativas de comunicação mediúnica, vide ainda o depoimento de Yvone Pereira em Devassando o Invisível, FEB, Rio de Janeiro, 1963, pgs. 63-64.
São deste prólogo as referências à revista portuguesa Estudos Psiquicos, editada por Souza Couto, em ano que não nos foi possível localizar.
O Vol. II de Do País da Luz contém três mensagens de Camilo, das quais Fernando de Lacerda omite a data: pgs. 85, 91 e 222 (Camilo a Silva Pinto). Pelo teor são posteriores às do Vol. I.
No Vol. III de Do País da Luz há apenas uma mensagem de Camilo (pg. 162). Nela se faz referência às experiências do Vale dos Suicidas, descritas no MS, e à invocação inicial de Camilo feita por Fernando de Lacerda, quando Camilo se encontrava ainda internado.
Esta é uma das informações mais interessantes do trabalho, uma surpresa para nós que a desconhecíamos: Perseguido pela imprensa republicana em Portugal devido ao seu trabalho mediúnico, Fernando de Lacerda perde sua função pública em Portugal, e permacerá no Brasil até ao fim de seus dias. Vide a revista Reformador, ago/1988, pgs. 247-249.
O Vol. IV de Do País da Luz é póstumo a Fernando de Lacerda, e não pudemos identificar se a primeira edição deste volume foi feita em Portugal como aparentam os anteriores da série, ou no Brasil, já pela FEB - a segunda hipótese é mais provável. O prefácio de autoria do próprio Fernando de Lacerda, é mediúnico, e a seu pedido, todas as datas são removidas, um dos motivos pelos quais não há ordem cronológica nas mensagens. A julgar pela de abertura, pela de Eça de Queiroz (PL IV pg. 13), e pela de D. Pedro II do Brasil (PL IV pg. 263), parte das comunicações são recebidas entre 1911 e 1918 já no Brasil, o que é corroborado pela data da desencarnação de Silva Pinto (nov/1911 cf. PL IV pg. 37) autor de algumas mensagens, e pela única comunicação de Camilo nesse volume, justamente a respeito desse desenlace (PL IV pg. 218).
O ano de 1926 é confirmado pela própria médium. Vide os Dados biográficos de Yvone A Pereira para a Federação Espírita Brasileira (Final) (pg. 61) na revista Reformador de fev/82.
Há um conflito aparente nas datas, já que por essa indicação o início da criação do MS seria 1936. Entretanto, pelo depoimento de Yvone Pereira, ela é recebida em fragmentos, finalmente compilados a partir de 1946, provavelmente pelo espírito de Leon Denis, autor do prefácio à segunda edição.
Para uma correta noção dos fatos que envolveram a publicação das primeiras obras pela psicografia de Yvone A Pereira, vide as próprias notas biográficas da médium na revista Reformador dos meses de jan e fev/1982.

Fonte: GRANDES GIGANTES D A DOUTRINA ESPÍRITA. – INTERNET.

           RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

quarta-feira, 15 de maio de 2019

- ESTUDANDO O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO. - CAPÍTULO XIV. - HONRAI A VOSSO PAI E A VOSSA MÃE. - A PARENTELA CORPORAL E A PARENTELA ESPIRITUAL . ITEM N º. 8. - ALLAN KARDEC.

EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO.

                      CAPÍTULO XIV.

    HONRAI A VOSSO PAI E A VOSSA MÃE.

A PARENTELA CORPORAL E A PARENTELA ESPIRITUAL

8. Os laços do sangue não criam forçosamente os liames entre os Espíritos. O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito, porquanto o Espírito já existia antes da formação do corpo. Não é o pai quem cria o Espírito de seu filho; ele mais não faz do que lhe fornecer o invólucro corpóreo, cumprindo-lhe, no entanto, auxiliar o desenvolvimento intelectual e moral do filho, para fazê-lo progredir.
Os que encarnam numa família, sobretudo como parentes próximos, são, as mais das vezes, Espíritos simpáticos, ligados por anteriores relações, que se expressam por uma afeição recíproca na vida terrena. Mas também pode acontecer sejam completamente estranhos uns aos outros esses Espíritos, afastados entre si por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem na Terra por um mútuo antagonismo, que aí lhes serve de provação. Não são os da consanguinidade os verdadeiros laços de família, e sim os da simpatia e da comunhão de ideias, os quais prendem os Espíritos antes, durante e depois de suas encarnações. Segue-se que dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo Espírito, do que se o fossem pelo sangue. Podem então atrair-se, buscar-se, sentir prazer quando juntos, ao passo que dois irmãos consanguíneos podem repelir-se, conforme se observa todos os dias: problema moral que só o Espiritismo podia resolver pela pluralidade das existências. (Cap. IV, item 13.)
Há, pois, duas espécies de famílias: as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços corporais. Duráveis, as primeiras se fortalecem pela purificação e se perpetuam no mundo dos Espíritos, através das várias migrações da alma; as segundas, frágeis como a matéria, se extinguem com o tempo e muitas vezes se dissolvem moralmente, já na existência atual. Foi o que Jesus quis tornar compreensível, dizendo de seus discípulos: Aqui estão minha mãe e meus irmãos, isto é, minha família pelos laços do Espírito, pois todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus é meu irmão, minha irmã e minha mãe.
A hostilidade que lhe moviam seus irmãos se acha claramente expressa em a narração de Marcos, que diz terem eles o propósito de se apoderarem do Mestre, sob o pretexto de que este perdera o espírito. Informado da chegada deles, conhecendo os sentimentos que nutriam a seu respeito, era natural que Jesus dissesse, referindo-se a seus discípulos, do ponto de vista espiritual: “Eis aqui meus verdadeiros irmãos.” Embora na companhia daqueles estivesse sua mãe, Ele generaliza o ensino que de maneira alguma implica haja pretendido declarar que sua mãe segundo o corpo nada lhe era como Espírito, que só indiferença lhe merecia. Provou suficientemente o contrário em várias outras circunstâncias.

         Fonte: O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec – Tradução Guillon Ribeiro – 131 a. Edição - Editora FEB – Rio de Janeiro, RJ – janeiro 2013.

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terça-feira, 14 de maio de 2019

- MENSAGEM E PENSAMENTOS PARA A MULHER. - N º. 272. - CELIBATO VOLUNTÁRIO SEM APROVEITAMENTO ESPIRITUAL. - WALTER BARCELOS.


ABSTINÊNCIA SEXUAL E APERFEIÇOAMENTO.
  
CELIBATO VOLUNTÁRIO SEM APROVEITAMENTO ESPIRITUAL.

Entre os Espíritos que se encontram em vida celibatária servindo às diversas ordens religiosas do mundo, somente uma minoria é que já educou e sublimou realmente os seus impulsos sexuais, pois a maioria tem, nesta experiência difícil de silêncio afetivo, uma grande oportunidade a fim de educar suas emoções e desejos para a vida espiritual superior.
Os hábitos exteriores da convivência regulada, da disciplina planejada, do regime afetivo e da vida de ascetismo não determinam, por si só, as conquistas dos valores espirituais. Pode-se viver em pleno egoísmo e muito distante das virtudes cristãs. É o que vemos na pergunta de “O Livro dos Espíritos”, na Questão 698:

“O celibato voluntário representa um estado de perfeição meritório aos olhos de Deus?
“Não, e os que assim vivem por egoísmo, desagradam a Deus e enganam o mundo.” 

Vida monástica, por si só, não é sinônimo de evolução espiritual. Podemos passar uma vida toda com disciplinas rígidas e não aproveitá-las para o aprimoramento dos sentimentos.
Num regime de abstenção sexual, sem desenvolver os valores do coração, através do serviço de amor desinteressado aos semelhantes, a alma continuará estacionária e sem sublimação das energias sexuais. O Espírito Emmanuel aprofunda esta análise sobre celibato e aperfeiçoamento espiritual:

“A criatura que abraça encargos dessa ordem está procurando ou aceitando para si mesma aguilhões regeneradores ou educativos, de vez que ordenações e providências de caráter externo não transfiguram milagrosamente o mundo íntimo. As realizações da fé, por isso mesmo, se concretizam à base de porfiadas lutas da alma, de si para consigo.” 
     
                                                                                  WALTER BARCELOS.

Fonte: Livro “SEXO E EVOLUÇÃO” - Walter Barcelos - 4a. Edição - Editora FEB. - Rio de Janeiro, RJ. Setembro 1995.

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terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

- CONHECENDO OS ANIMAIS A LUZ DO ESPIRITISMO. -EXISTEM ANIMAIS NO MUNDO ESPIRITUAL? - REVISTA UNIVERSO ESPÍRITA.

          OS ANIMAIS A LUZ DO ESPIRITISMO.

             A ALMA IMORTAL DOS ANIMAIS;

EXISTEM ANIMAIS NO MUNDO ESPIRITUAL?

            Em 1864, um casal francês perdeu cedo seu filho mais velho. Restava em casa uma jovem menina e uma linda cadela galga, que havia sido do rapaz. A pequena Mika, muito bem educada, tinha o hábito de dormir aos pés de seu dono. No inverno, quando o frio era intenso, costuma grunhir. Era sinal que pedia autorização para deitar-se em meio as cobertas, ao lado de seu senhor. Um hábito agradável para  velho espírita Frances.
            Em setembro daquele ano, a cadelinha adormeceu e morreu. Nada Pôde fazer o médico veterinário. Toda família lamentou muito. A inteligência, afeição e suavidade do animal fizeram com que todos sentissem como a perda de um filho. Volta e meia o assunto e a saudade voltavam.
            Alguns meses depois aconteceu o inesperado:
            - Ultimamente – contou o senhor – pelo meio da noite, estando deitado mas sem dormir, ouvia partir dos pés de meu leito aquele pequeno grunhido da pequena cadela. Estendi o braço para chamá-la, mas em vão.
            De manha, comentou com a esposa, que do mesmo modo ouviu, não uma, mas duas vezes. Sua filha pequena escutou também.
            - Confesso que sou meio surdo e não escuto os sons da rua, nem mesmo os trovões! Mas um som dentro do quarto é inequívoco.
            Essa história foi relatada por Allan Kardec na Revista Espírita de 1865. Nesse mesmo artigo, um Espírito afirma ao codificador que eles “não se enganaram ouvindo um grito alegre do animal reconhecido pelos cuidados de seu dono, vindo, antes de passar ao estado intermediário de um desenvolvimento a outro, lhe trazer uma lembrança”. E explicou ainda: “A manifestação pode dar-se, mas é passageira, porque o animal, para subir um degrau, necessita de um trabalho latente”, que faz no mundo espiritual.
            Sobre o assunto, Alan Kardec citou outros casos análogos e conclui afirmando: “Não é pelos sistemas que se poderá resolver esta grave questão: é pelos fatos. Se deve sê-lo um dia, o Espiritismo, criando a psicologia experimental, é o único que lhe poderá fornecer os meios”.
            Depois da morte, o animal pode permanecer com seu corpo espiritual no mundo dos espíritos. Mas esses casos são exceções. A maioria é logo reaproveitada em novos renascimentos e, enquanto aguardam, permanecem como crisálidas no plano espiritual. Os Espíritos, no entanto, sempre relataram a presença de animais na espiritualidade para tarefas específicas. Uma delas é a condução de trabalhadores em ambientes mais denso, onde são utilizadas mulas e cavalos. Outra possibilidade é a presença de cachorros, gatos e pássaros de estimação para auxiliar na recuperação de espíritos recém-desencarnados. Todavia, são sempre animais sociais. Não haveria razão de ser para a presença de bichos ferozes ou simplesmente vagando sem cuidado no mudo espiritual.

            Fonte: Revista “UNIVERSO ESPÍRITA” – No. 23. – Editora Universo Espírita. – São Paulo, SP.

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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

- MENSAGEM PARA MEDITAR. - N º. 305. - MEU GUIA ESPIRITUAL - ALLAN KARDEC.


CONCERNENTES AO ESPIRITISMO.

Manuscrito composto com especial cuidado por Allan Kardec e do qual nenhum capítulo fora ainda publicado.

                           25 de março de 1856.
      (Em casa do Sr. Baudin; médium: Srta. Baudin)

                    MEU GUIA ESPIRITUAL

Morava eu, por essa época, na rua dos Mártires, número 8, no segundo andar, ao fundo. Uma noite, estando no meu gabinete a trabalhar, pequenas pancadas se fizeram ouvir na parede que me separava do aposento vizinho. A princípio, nenhuma atenção lhes dei; como, porém, elas se repetissem mais fortes, mudando de lugar, procedi a uma exploração minuciosa dos dois lados da parede, escutei para verificar se provinham do outro pavimento e nada descobri.
O que havia de singular era que, de cada vez que eu me punha a investigar, o ruído cessava, para recomeçar logo que eu retomava o trabalho. Minha mulher entrou da rua por volta das dez horas; veio ao meu gabinete e, ouvindo as pancadas, me perguntou o que era. Não sei, respondi-lhe, há uma hora que isto dura. Investigamos juntos, sem melhor êxito. O ruído continuou até à meia-noite, quando fui deitar-me.
No dia seguinte, como houvesse sessão em casa do Sr. Baudin, narrei o fato e pedi que mo explicassem.
Pergunta — Ouvistes, sem dúvida, o relato que acabo de fazer; poderíeis dizer-me qual a causa daquelas pancadas que se fizeram ouvir com tanta persistência?
Resposta — Era o teu Espírito familiar.
P. — Com que fim foi ele bater daquele modo?
R. — Queria comunicar-se contigo.
P. — Poderíeis dizer-me quem é ele?
R. — Podes perguntar-lhe a ele mesmo, pois que está aqui.
NOTA — Nessa época, ainda se não fazia distinção nenhuma entre as diversas categorias de Espíritos simpáticos. Dava-se-lhes a todos a denominação de Espíritos familiares.
P. — Meu Espírito familiar, quem quer que tu sejas, agradeço-te o me teres vindo visitar. Consentirás em dizer-me quem és?
R. — Para ti, chamar-me-ei A Verdade e todos os meses, aqui, durante um quarto de hora, estarei à tua disposição.
P. — Ontem, quando bateste, estando eu a trabalhar, tinhas alguma coisa de particular a dizer-me?
R. — O que eu tinha a dizer-te era sobre o trabalho a que te aplicavas; desagradava-me o que escrevias e quis fazer que o abandonasses.
NOTA — O que eu estava escrevendo dizia respeito, precisamente, aos estudos que empreendera acerca dos Espíritos e de suas manifestações.
P. — A tua desaprovação era referente ao capítulo que eu escrevia ou ao conjunto do trabalho?
R. — Ao capítulo de ontem; submeto-o ao teu juízo; se o releres, reconhecerás tuas faltas e as corrigirás.
P. — Eu mesmo não me sentia satisfeito com esse capítulo e o refiz hoje. Está melhor?
R. — Está melhor, mas ainda não satisfaz. Relê da 3ª a 30ª linha e com um grave erro depararás.
P. — Rasguei o que escrevera ontem.
R. — Não importa! Isso não impediu que a falta continuasse. Relê e verás.
P. — O nome Verdade, que adotaste, constitui uma alusão à verdade que eu procuro?
R. — Talvez; pelo menos, é um guia que te protegerá e ajudará.
P. — Poderei evocar-te em minha casa?
R. — Sim, para te assistir pelo pensamento; mas, para respostas escritas em tua casa, só daqui a muito tempo poderás obtê-las.
NOTA — Com efeito, durante cerca de um ano, nenhuma comunicação escrita obtive em minha casa e sempre que ali se encontrava um médium, com quem eu esperava conseguir qualquer coisa, uma circunstância imprevista a isso se opunha. Somente fora de minha casa lograva eu receber comunicações.
P. — Poderias vir mais amiúde e não apenas de mês em mês?
R. — Sim, mas não prometo senão uma vez mensalmente, até nova ordem.
P. — Terás animado na Terra alguma personagem conhecida?
R. — Já te disse que, para ti, sou a Verdade; isto, para ti, quer dizer discrição; nada mais saberás a respeito.
NOTA À noite, de regresso a casa, dei-me pressa em reler o que escrevera. Quer no papel que eu lançara à cesta, quer em nova cópia que fizera, se me deparou, na 30ª linha, um erro grave, que me espantei de haver cometido. Desde então, nenhuma outra manifestação do mesmo gênero das anteriores se produziu. Tendo-se tornado desnecessárias, por se acharem estabelecidas as minhas relações com o meu Espírito protetor, elas cessaram. O intervalo de um mês, que ele assinara para suas comunicações, só raramente foi mantido, no princípio. Mais tarde, deixou de o ser, em absoluto. Fora sem dúvida um aviso de que eu tinha de trabalhar por mim mesmo e para não estar constantemente a recorrer ao seu auxílio diante da menor dificuldade.

                                                                                  ALLAN KARDEC.

            Fonte: O Livro “OBRAS PÓSTUMAS”, - Allan Kardec –27 a. Edição. –Instituto de Difusão Espírita , - Araras, SP. – Maio 2012.

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sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

- MENSAGEM PARA OS JOVENS. - N º. 261. - ESCLARECENDO AS DÚVIDAS DOS JOVENS! - PROTETOR ESPIRITUAL.- REVISTA INFORMAÇÃO.


ESCLARECENDO AS DÚVIDAS DOS JOVENS!
           
                           PROTETOR ESPIRITUAL.

            Se, realmente, todos possuem um protetor, por que ele não intercede evitando que incorramos em erro e sejamos vítimas de violências (até físicas), em casos de assaltos, etc.?

            - Todos temos um protetor espiritual que é um espírito de maior elevação que o seu protegido. Sua tarefa é acompanhá-lo e ajudá-lo na experiência da vida.
            Mas ele a cumpre de acordo com as suas possibilidade, porque, evidentemente, porque não consegue fazer o que está fora do seu alcance. Somos nós, os encarnados, que pomos obstáculos à atuação do protetor, porque gozamos de livre arbítrio, de liberdade de escolha e de ação. Ele nos procura ajudar, mas jamais interfere em nosso livre-arbítrio. Assim, os erros que comentemos depende mais de nós mesmos; o máximo que o protetor pode fazer é inspirar-nos para que não caiamos em erro. Nós, contudo, podemos atender ou não.
            Quanto aos acontecimentos desagradáveis (assaltos, violências, etc.) , de duas uma; ou eles se dão porque faziam parte do nosso plano de vida ou então, como geralmente, dão-se por causa de nossa imprudência, de negligência, obstinação. Neste caso, não ouvimos, de forma alguma, os conselhos do protetor. É bom lembramos que o espírito amigo, como um bom pai, procura fazer tudo por nós, mas não pode ser bom em nosso lugar, porque ser bom, sensato, previdente são atributos pessoais - ninguém.  

Fonte: Revista Informação - No. 84. - Novembro de 1983.

                        RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)