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sábado, 12 de outubro de 2019

- MENSAGEM PARA MEDITAR. - N º.324. - CONCERNENTES AO ESPIRITISMO. - 9 DE OUTUBRO DE 1961. - AUTO-DE-FÉ EM BARCELONA.- ALLAN KARDEC.


CONCERNENTES AO ESPIRITISMO.

Manuscrito composto com especial cuidado por Allan Kardec e do qual nenhum capítulo fora ainda publicado.

                         9 de outubro de 1861

  AUTO-DE-FÉ EM BARCELONA

Esta data ficará assinalada nos anais do Espiritismo, por motivo do auto-de-fé praticado com os livros espíritas em Barcelona. Eis aqui um extrato da ata da execução:
“Neste dia, nove de outubro de mil oitocentos e sessenta e um, às dez horas e meia da manhã, na esplanada da cidade de Barcelona, no local onde são executados os criminosos condenados ao derradeiro suplício e por ordem do bispo desta cidade, foram queimados trezentos volumes e brochuras sobre o Espiritismo, a saber: O Livro dos Espíritos, por Allan Kardec, etc.”
Os principais jornais da Espanha deram conta minuciosa do fato, que os órgãos da imprensa liberal do país muito justamente profligaram. É de notar-se que na França os periódicos liberais se limitaram a mencioná-lo sem comentários. O próprio Século, tão ardoroso em estigmatizaros abusos do poder e os menores atos de intolerância doclero, não achou uma palavra de reprovação para esse ato digno da Idade Média. Alguns jornais da pequena imprensa acharam mesmo no caso motivo para risota. Pondo de parte o que diz respeito à crença, havia ali uma questão de princípio, de direito internacional, que interessava a todo o mundo, sobre a qual não teriam tão levianamente guardado silêncio, se se tratasse de certas outras obras. Eles não se furtam de censuras, quando está em causa a simples exigência de uma estampilha para venda de um livro materialista; ora, o restaurar a Inquisição as suas fogueiras com a solenidade de outrora, às portas da França, apresentava bem maior gravidade. Por que, então, semelhante indiferença?
É que estava em jogo uma doutrina a cujos progressos a incredulidade assiste com pavor. Reivindicar justiça para ela fora consagrar-lhe o direito à proteção da autoridade e aumentar-lhe o crédito. Seja como for, o auto-de-fé em Barcelona não deixou de produzir o esperado efeito, pela repercussão que teve na Espanha, onde contribuiu fortemente para propagar as idéias espíritas. (Veja-se a Revista Espírita de novembro de 1861, pág. 321.)
O acontecimento abriu ensejo a muitas comunicações da parte dos Espíritos. A que se segue foi dada espontaneamente na Sociedade de Paris, a 19 de outubro, quando regressei de Bordéus.
“Fazia-se mister alguma coisa que chocasse com violência certos Espíritos encarnados, para que se decidissem a ocupar-se com essa grande doutrina, que há de regenerar o mundo. Nada, para isto, se faz inutilmente na Terra e nós que inspiramos o auto-de-fé em Barcelona, bem sabíamos que, procedendo assim, forçávamos um grande passo para frente. Esse fato brutal, inaudito nos tempos atuais, se consumou tendo por fim chamar a atenção dos jornalistasque se mantinham indiferentes diante dá agitação profunda que abalava as cidades e os centros espíritas. Eles deixavam que falassem e fizessem o que bem entendessem; mas, obstinavam-se em passar por surdos e respondiam com o mutismo ao desejo de propaganda dos adeptos do Espiritismo. De bom ou mau grado, hoje falam dele; uns, comprovando o histórico do fato de Barcelona; outros, desmentindo-o, ensejaram uma polêmica que dará volta ao mundo, de grande proveito para o Espiritismo. Essa a razão por que a retaguarda da Inquisição fez hoje o seu último auto-de-fé. É que assim o quisemos.” Um Espírito1

NOTA — De Barcelona enviaram-me uma aquarela feita in locopor um artista distinto, representando a cena do auto-de-fé. Mandei fazer do quadro uma redução fotográfica. Possuo também um pouco de cinza apanhada na fogueira, onde se encontram fragmentos ainda legíveis de folhas queimadas. Conservei-os numa urna de cristal. 2

1 Segundo a Revue Spirite, novembro-1861, p. 325, a mensagem seria de Saint Dominique (São Domingos). Nota da Editora (FEB) à 14ª edição, em 1975.
2 A Livraria espírita ainda os conserva. Nota da Editora (FEB) à 13ª edição, em 1973: Zêus Wantuil, no artigo “centenário de um auto-de-fé”, em Reformador de 1961, pp. 217/21, informa que a urna foi destruída pelos nazistas na 2ª Grande Guerra.

                                                                                  ALLAN KARDEC.

            Fonte: O Livro “OBRAS PÓSTUMAS”, - Allan Kardec –27 a. Edição. –Instituto de Difusão Espírita , - Araras, SP. – Maio 2012.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

terça-feira, 16 de julho de 2019

- MENSAGEM PARA MEDITAR. - N º. 322. - CONCERNENTES AO ESPIRITISMO. - 10 DE JUNHO DE 1860. - ALLAN KARDEC.

CONCERNENTES AO ESPIRITISMO.

Manuscrito composto com especial cuidado por Allan Kardec e do qual nenhum capítulo fora ainda publicado.

                      10 de junho de 1860.
       (Em minha casa; médium: Sra. Schmidt)

                         MINHA VOLTA

Pergunta (à Verdade) — Acabo de receber de Marselha uma carta em que se me diz que, no seminário dessa cidade, estão estudando seriamente o Espiritismo e O Livro dos Espíritos.
Que se deve augurar desse fato? Será que o clero toma a coisa a peito?
Resposta — Não podes duvidar disso. Ele a toma muito a peito, porque lhe prevê as conseqüências e grandes são as suas apreensões. Principalmente a parte esclarecida do clero estuda o Espiritismo mais do que o supões; não creias, porém, que seja por simpatia; ao contrário, é à procura de meios para combatê-lo e eu te asseguro que rude será a guerra que lhe fará. Não te incomodes; continua a obrar com prudência e circunspeção; tem-te em guarda contra as ciladas que te armarão; evita cuidadosamente em tuas palavras e nos teus escritos tudo o que possa fornecer armas contra ti.
Prossegue em teu caminho sem temor; ele está juncado de espinhos, mas eu te afirmo que terás grandes satisfações, antes de voltares para junto de nós “por um pouco”.

P. — Que queres dizer por essas palavras: “por um pouco”?
R. — Não permanecerás longo tempo entre nós. Terás que volver à Terra para concluir a tua missão, que não podes terminar nesta existência. Se fosse possível, absolutamente não sairias daí; mas, é preciso que se cumpra a lei da Natureza. Ausentar-te-ás por alguns anos e, quando voltares, será em condições que te permitam trabalhar desde cedo. Entretanto, há trabalhos que convém os acabes antes de partires; por isso, dar-te-emos o tempo que for necessário a concluí-los.

NOTA — Calculando aproximadamente a duração dos trabalhos que ainda tenho de fazer e levando em conta o tempo da minha ausência e os anos da infância e da juventude, até à idade em que um homem pode desempenhar no mundo um papel, a minha volta deverá ser forçosamente no fim deste século ou no princípio do outro.

                                                                                  ALLAN KARDEC.

            Fonte: O Livro “OBRAS PÓSTUMAS”, - Allan Kardec –27 a. Edição. –Instituto de Difusão Espírita , - Araras, SP. – Maio 2012.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

quarta-feira, 3 de julho de 2019

- MENSAGEM PARA MEDITAR. - Nº. 321. - CONCERNENTES AO ESPIRITISMO. - 15 DE ABRIL DE 1860. - FUTURO DO ESPIRITISMO.- ALLAN KARDEC.

CONCERNENTES AO ESPIRITISMO.

Manuscrito composto com especial cuidado por Allan Kardec e do qual nenhum capítulo fora ainda publicado.
  
                         15 de abril de 1860
      (Marselha; médium: Sr. Jorge Genouillat)
(Comunicação transmitida pelo Sr. Brion Dorgeval)

             FUTURO DO ESPIRITISMO

O Espiritismo é chamado a desempenhar imenso papel na Terra. Ele reformará a legislação ainda tão freqüentemente contrária às leis divinas; retificará os erros da História; restaurará a religião do Cristo, que se tornou, nas mãos dos padres, objeto de comércio e de tráfico vil; instituirá a verdadeira religião, a religião natural, a que parte do coração e vai diretamente a Deus, sem se deter nas franjas de uma sotaina, ou nos degraus de um altar. Extinguirá para sempre o ateísmo e o materialismo, aos quais alguns homens foram levados pelos incessantes abusos dos que se dizem ministros de Deus, pregam a caridade com uma espada em cada mão, sacrificam às suas ambições e ao espírito de dominação os mais sagrados direitos da Humanidade. Um Espírito

                                                                                  ALLAN KARDEC.

            Fonte: O Livro “OBRAS PÓSTUMAS”, - Allan Kardec –27 a. Edição. –Instituto de Difusão Espírita , - Araras, SP. – Maio 2012.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

quinta-feira, 27 de junho de 2019

- MENSAGEM PARA MEDITAR. - N º. 320. - CONCERNENTES AO ESPIRITISMO. - 12 DE ABRIL DE 1860. - MINHA MISSÃO. - ALLAN KARDEC.

 CONCERNENTES AO ESPIRITISMO.

Manuscrito composto com especial cuidado por Allan Kardec e do qual nenhum capítulo fora ainda publicado.
  
12 de abril de 1860
(Em casa do Sr. Dehau; médium: Sr. Crozet)
    (Comunicação espontânea obtida na minha ausência)

MINHA MISSÃO

Pela sua firmeza e perseverança, o vosso Presidente desmanchou os projetos dos que procuravam destruir-lhe o crédito e arruinar a Sociedade, na esperança de desfecharem na Doutrina um golpe fatal. Honra lhe seja! Fique ele certo de que estamos a seu lado e que os Espíritos de sabedoria se sentirão felizes por poderem assisti-lo em sua missão.
Quantos desejariam desempenhar a sombra dessa missão, para receberem a sombra dos benefícios que decorrem dela!
Ela, porém, é perigosa e, para cumpri-la, são necessárias uma fé e uma vontade inabaláveis, assim como abnegação e coragem para afrontar as injúrias, os sarcasmos, as decepções e não se alterar com a lama que a inveja e a calúnia atirem. Nessa posição, o menos que pode acontecer a quem a ocupa é ser tratado de louco e de charlatão. Deixai que falem, deixai que pensem livremente: tudo, exceto a felicidade eterna, dura pouco. Tudo vos será levado em conta e ficai sabendo que, para ser-se feliz, é preciso que se haja contribuído para a felicidade dos pobres seres de que Deus povoou a vossa terra. Permaneça, pois, tranqüila e serena a vossa consciência: é o precursor da felicidade celeste.

                                                                                  ALLAN KARDEC.

            Fonte: O Livro “OBRAS PÓSTUMAS”, - Allan Kardec –27 a. Edição. –Instituto de Difusão Espírita , - Araras, SP. – Maio 2012.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

segunda-feira, 24 de junho de 2019

- MENSAGEM PARA MEDITAR. - Nº. 319. - CONCERNENTES AO ESPIRITISMO. - 28 DE JANEIRO DE 1860. - ACONTECIMENTOS. PAPADO. - ALLAN KARDEC.


 CONCERNENTES AO ESPIRITISMO.

Manuscrito composto com especial cuidado por Allan Kardec e do qual nenhum capítulo fora ainda publicado.

                      28 de janeiro de 1860
  (Em casa do Sr. Solichon; médium: Srta. Solichon)

       ACONTECIMENTOS. PAPADO

Pergunta (ao Espírito Ch.) — Foste embaixador em Roma e a esse tempo predisseste a queda do governo papal. Que pensas hoje a esse respeito?
Resposta — Creio que se aproxima o tempo em que a minha profecia se cumprirá, porém, não sem grandes dores.
Tudo se complica; exacerbam-se as paixões e uma coisa que se poderia fazer sem comoção, empolgou a todos, e de tal maneira que a cristandade inteira será abalada.
P. — Consentirias em dar-nos a tua opinião sobre o poder temporal do Papa?
R. — Penso que o poder temporal do Papa não é necessário à sua grandeza, nem ao seu poder moral; ao contrário, quanto menos súditos ele contar, mais venerado será. Aquele que é o representante de Deus na Terra está colocado muito alto para não precisar do realce do poder terreno. Dirigir
a Terra espiritualmente, tal a missão do pai dos cristãos.
P. — Achas que o Papa e o Sacro Colégio, mais bem esclarecidos, farão tudo por evitar o cisma e a guerra intestina, embora seja apenas moral?
R. — Não o creio; todos esses homens são obstinados, ignorantes, habituados a todos os gozos profanos; necessitam de dinheiro para satisfazê-los e recearão que a nova ordem de coisas não permita que o ganhem suficientemente. Por isso levam tudo ao extremo, pouco se incomodando com o que venha a acontecer, por demasiadamente cegos para compreenderem as conseqüências da sua maneira de proceder.
P. — Nesse conflito não será de temer-se que a infeliz Itália sucumba e seja posta sob o cetro da Áustria?
R. — Não, é impossível. A Itália sairá vitoriosa da luta e a liberdade raiará para essa terra gloriosa. Ela nos salvou da barbárie, foi nossa mestra em tudo o que a inteligência tem de mais nobre e de mais elevado. Não recairá absolutamente sob o jugo dos que a rebaixaram.

                                                                                  ALLAN KARDEC.

            Fonte: O Livro “OBRAS PÓSTUMAS”, - Allan Kardec –27 a. Edição. –Instituto de Difusão Espírita , - Araras, SP. – Maio 2012.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

quarta-feira, 19 de junho de 2019

- MENSAGEM PARA MEDITAR. - N º. 318. - CONCERNENTES AO ESPIRITISMO. - DURAÇÃO DOS MEUS TRABALHOS. - ALLAN KARDEC.

CONCERNENTES AO ESPIRITISMO.

Manuscrito composto com especial cuidado por Allan Kardec e do qual nenhum capítulo fora ainda publicado.

                           24 de janeiro de 1860
        (Em casa do Sr. Forbes; médium: Sra. Forbes)

         DURAÇÃO DOS MEUS TRABALHOS

Segundo a minha maneira de apreciar as coisas, calculava eu que ainda me faltavam cerca de dez anos para conclusão dos meus trabalhos; mas, a ninguém falara disso.
Achei-me, pois, muito surpreendido, ao receber de um dos meus correspondentes de Limoges uma comunicação dada espontaneamente, em que o Espírito, falando de meus trabalhos, dizia que dez anos se passariam antes que eu os terminasse.

Pergunta (à Verdade) - Como é que um Espírito, comunicando- se em Limoges, onde nunca fui, pôde dizer precisamente o que eu pensava acerca da duração dos meus trabalhos?
Resposta — Nós sabemos o que te resta a fazer e, por conseguinte,  o tempo aproximado de que precisas para acabar a tua tarefa. É, portanto, muito natural que alguns Espíritos o tenham dito em Limoges e algures, para darem uma idéia da amplitude da coisa, pelo trabalho que exige.
Entretanto, não é absoluto o prazo de dez anos; pode ser prolongado por alguns mais, em virtude de circunstâncias imprevistas e independentes da tua vontade.

NOTA — (Escrita em dezembro de 1866) — Tenho publicado quatro volumes substanciosos, sem falar de coisas acessórias. Os Espíritos instam para que eu publique A Gênese em 1867, antes das perturbações. Durante o período da grande perturbação terei de trabalhar nos livros complementares da Doutrina, que não poderão aparecer senão depois da forte tormenta e para os quais me são precisos de três a quatro anos. Isso nos leva, o mais cedo, a 1870, isto é, em torno de 10 anos.

                                                                                  ALLAN KARDEC.

            Fonte: O Livro “OBRAS PÓSTUMAS”, - Allan Kardec –27 a. Edição. –Instituto de Difusão Espírita , - Araras, SP. – Maio 2012.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

segunda-feira, 17 de junho de 2019

- MENAGEM PARA MEDITAR. - Nº. 317. - CONCERNENTES AO ESPIRITISMO. - 1º DE ABRIL 1858. - FUNDAÇÃO DA SOCIEDADE ESPÍRITA DE PARIS. - ALLAN KARDEC.


CONCERNENTES AO ESPIRITISMO.

Manuscrito composto com especial cuidado por Allan Kardec e do qual nenhum capítulo fora ainda publicado.

                            1 º de abril de 1858

FUNDAÇÃO DA SOCIEDADE ESPÍRITA DE PARIS

Se bem não haja aqui nenhum caso de previsão, menciono, para conservá-lo em lembrança, o da fundação da Sociedade, por motivo do papel que ela representou na marcha do Espiritismo e das comunicações a que deu lugar.
Havia cerca de seis meses, eu realizava, em minha casa, à rua dos Mártires, uma reunião com alguns adeptos, às terças-feiras. A Srta. E. Dufaux era a médium principal.
Conquanto o local não comportasse mais de 15 ou 20 pessoas, até 30 lá se juntavam às vezes. Apresentavam grande interesse tais reuniões, pelo caráter sério de que se revestiam e pelas questões que ali se tratavam. Lá não raro compareciam príncipes estrangeiros e outras personagens de alta distinção.
Nada cômoda pela sua disposição, a sala onde nos reuníamos se tornou em breve muito acanhada. Alguns dos frequentadores deliberaram cotizar-se para alugar uma que mais conviesse. Mas, então, fazia-se necessária uma autorização legal, a fim de se evitar que a autoridade nos fosse perturbar. O Sr. Dufaux, que se dava pessoalmente com o Prefeito de Polícia, encarregou-se de tratar do caso. A autorização também dependia do Ministro do Interior. Coube então ao general X..., que era, sem que ninguém o soubesse, simpático às nossas idéias, embora sem as conhecer inteiramente, obter a autorização. Esta, graças à sua influência, pôde ser concedida em quinze dias, quando, de ordinário, leva três meses para ser dada.
A Sociedade ficou, em conseqüência, legalmente constituída e passamos a reunir-nos todas as terças-feiras no compartimento que ela alugara, no Palais Royal, galeria de Valois. Aí esteve um ano, de 1º de abril de 1858 a 1º de abril de 1859. Não tendo permanecido lá por mais tempo, entrou a reunir-se às sextas-feiras num dos salões do restaurante Douix, no mesmo Palais Royal, galeria Montpensier, de 1º de abril de 1859 a 1º de abril de 1860, época em que se instalou num local seu, à rua e passagem Sant’Ana, 59.
Formada a princípio de elementos pouco homogêneos e de pessoas de boa vontade, que eram aceitas com facilidade um tanto excessiva, a Sociedade se viu sujeita a muitas vicissitudes, que não foram dos menores percalços da minha tarefa.

                                                                                  ALLAN KARDEC.

            Fonte: O Livro “OBRAS PÓSTUMAS”, - Allan Kardec –27 a. Edição. –Instituto de Difusão Espírita , - Araras, SP. – Maio 2012.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

segunda-feira, 10 de junho de 2019

- MENSAGEM PARA MEDITAR. - N º. 316. - CONCERNENTES AO ESPIRITISMO. - 15 DE NOVEMBRO DE 1857. - A REVISTA ESPÍRITA. - ALLAN KARDEC.


CONCERNENTES AO ESPIRITISMO.

Manuscrito composto com especial cuidado por Allan Kardec e do qual nenhum capítulo fora ainda publicado.

                    15 de novembro de 1857
    (Em casa do Sr. Dufaux; médium: Sra. E. Dufaux)

                    A REVISTA ESPÍRITA



Pergunta — Tenho a intenção de publicar um jornal espírita: julgais que o conseguirei e me aconselhais a fazê-lo? A pessoa a quem me dirigi, Sr. Tiedeman, não parece resolvida a me prestar o seu concurso pecuniário.
Resposta — Consegui-lo-ás, com perseverança. A idéia é boa; preciso se faz, porém, deixá-la amadurecer mais.

P. — Temo que outros me tomem a dianteira.
R. — Importa andar depressa.

P. — Não quero outra coisa, mas falta-me tempo. Tenho dois empregos que me são necessários, como o sabeis. Desejara renunciar a eles, a fim de me consagrar inteiramente à minha tarefa, sem outras preocupações.
R. — Por enquanto, não deves abandonar coisa alguma; há sempre tempo para tudo; move-te e conseguirás.

P. — Devo agir sem o concurso do Sr. Tiedeman?
R. — Age com ou sem o seu concurso; não te consumas por sua causa. Podes prescindir dele.

P. — Eu pretendia publicar um primeiro número como ensaio, a fim de lançar o jornal e marcar data, e continuar mais tarde, se for possível. Que vos parece?
R. — A idéia é boa, mas um só número não bastará; entretanto, é conveniente e mesmo necessário, para abrir caminho. Será preciso que lhe dispenses muito cuidado, a fim de assentares as bases de um bom êxito durável.
A apresentá-lo defeituoso, melhor será nada fazer, porquanto a primeira impressão pode decidir do seu futuro. De começo, deves cuidar de satisfazer à curiosidade; reunir o sério ao agradável: o sério para atrair os homens de Ciência, o agradável para deleitar o vulgo. Esta parte é essencial, porém a outra é mais importante, visto que sem ela o jornal careceria de fundamento sólido. Em suma, é preciso evitar a monotonia por meio da variedade, congregar a instrução sólida ao interesse que, para os trabalhos ulteriores, será poderoso auxiliar.

NOTA — Apressei-me a redigir o primeiro número e fi-lo circular a 1º de janeiro de 1858, sem haver dito nada a quem quer que fosse. Não tinha um único assinante e nenhum fornecedor de fundos. Publiquei-o correndo eu, exclusivamente, todos os riscos e não tive de que me arrepender, porquanto o resultado ultrapassou a minha expectativa. A partir daquela data, os números se sucederam sem interrupção e, como previa o Espírito, esse jornal se tornou um poderoso auxiliar meu. Reconheci mais tarde que fora para mim uma felicidade não ter tido quem me fornecesse fundos, pois assim me conservara mais livre, ao passo que outro interessado houvera querido talvez impor-me suas idéias e sua vontade e criar-me embaraços. Sozinho, eu não tinha que prestar contas a ninguém, embora, pelo que respeitava ao trabalho, me fosse pesada a tarefa.

                                                                                  ALLAN KARDEC.

            Fonte: O Livro “OBRAS PÓSTUMAS”, - Allan Kardec –27 a. Edição. –Instituto de Difusão Espírita , - Araras, SP. – Maio 2012.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

quinta-feira, 6 de junho de 2019

- MENSAGEM PARA MEDITAR. - N º. 315. - CONCERNENTES AO ESPIRITISMO - 17 DE JANEIRO DE 1857. - PRIMEIRA NOTÍCIA DE UMA NOVA ENCARNAÇÃO - ALLAN KARDEC.

CONCERNENTES AO ESPIRITISMO.

Manuscrito composto com especial cuidado por Allan Kardec e do qual nenhum capítulo fora ainda publicado.

                         17 de janeiro de 1857.
      (Em casa do Sr. Baudin; médium: Srta. Baudin)

PRIMEIRA NOTÍCIA DE UMA NOVA ENCARNAÇÃO

O Espírito prometera escrever-me uma carta por ocasião da entrada do ano. Tinha, dizia, qualquer coisa de particular a me dizer. Havendo-lha eu pedido numa das reuniões ordinárias, respondeu que a daria na intimidade ao médium, para que este ma transmitisse. É esta a carta:
“Caro amigo, não te quis escrever terça-feira última diante de toda a gente, porque há certas coisas que só particularmente se podem dizer.
“Eu queria, primeiramente, falar-te da tua obra, a que mandaste imprimir. (O Livro dos Espíritos entrara para o prelo.) Não te afadigues tanto, da manhã à noite; passarás melhor e a obra nada perderá por esperar.
“Segundo o que vejo, és muito capaz de levar a bom termo a tua empresa e tens que fazer grandes coisas. Nada, porém, de exagero em coisa alguma. Observa e aprecia tudo judiciosa e friamente. Não te deixes arrastar pelos entusiastas, nem pelos muito apressados. Mede todos os teus passos, a fim de chegares ao fim com segurança. Não creias em mais do que aquilo que vejas; não desvies a atenção de tudo o que te pareça incompreensível; virás a saber a respeito mais do que qualquer outro, porque os assuntos de estudo serão postos sob as tuas vistas.
“Mas, ah! a verdade não será conhecida de todos, nem crida, senão daqui a muito tempo! Nessa existência não verás mais do que a aurora do êxito da tua obra. Terás que voltar, reencarnado noutro corpo, para completar o que houveres começado e, então, dada te será a satisfação de ver em plena frutificação a semente que houveres espalhado pela Terra.
“Surgirão invejosos e ciosos que procurarão infamar-te e fazer-te oposição: não desanimes; não te preocupes com o que digam ou façam contra ti; prossegue em tua obra; trabalha sempre pelo progresso da Humanidade, que serás amparado pelos bons Espíritos, enquanto perseverares no bom caminho.
‘Lembras-te de que, há um ano, prometi a minha amizade aos que, durante o ano, tivessem tido um proceder sempre correto? Pois bem! declaro que és um dos que escolhi entre todos.”
Teu amigo que te quer e protege. — Z.

NOTA - Já tive ocasião de dizer que Z. não era um Espírito superior, porém muito bom e muito benfazejo. Talvez fosse mais adiantado do que o deixava supor o nome que tomara. Legitimavam essa suposição o caráter sério e a sabedoria de suas comunicações, conforme as circunstâncias. Sob a capa daquele nome, ele se permitia usar de uma linguagem familiar apropriada ao meio onde se manifestava e dizer, como freqüentemente sucedia, duras verdades, sob a forma leve do epigrama. Como quer que seja, dele guardei sempre grata recordação e muito reconhecimento pelas boas advertências que sempre me deu e pelo devotamento que me testemunhou. Desapareceu com a dispersão da família Baudin, dizendo que em breve reencarnaria.

                                                                                  ALLAN KARDEC.

            Fonte: O Livro “OBRAS PÓSTUMAS”, - Allan Kardec –27 a. Edição. –Instituto de Difusão Espírita , - Araras, SP. – Maio 2012.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

quarta-feira, 5 de junho de 2019

- MENSAGEM PARA MEDITAR. - Nº. 314. - CONCERNENTES AO ESPIRITISMO. - 6 DE MAIO DE 1857.- A TIARA ESPIRITUAL - ALLAN KARDEC.


             CONCERNENTES AO ESPIRITISMO.

Manuscrito composto com especial cuidado por Allan Kardec e do qual nenhum capítulo fora ainda publicado.

6 de maio de 1857
(Em casa da Sra. de Cardone)

    A TIARA ESPIRITUAL

Eu tivera ocasião de conhecer a Sra. de Cardone nas sessões do Sr. Roustan. Alguém me disse, creio que foi o Sr. Carlotti, que ela possuía notável talento para ler nas mãos. Nunca acreditei que as linhas da mão tenham uma significação qualquer, mas sempre acreditei que, para certas pessoas dotadas de uma espécie de segunda vista, podia isso constituir meio de estabelecerem uma relação que lhes permitisse, como aos sonâmbulos, dizer algumas vezes coisas verdadeiras. Os sinais da mão nada mais são, nesse caso, do que um pretexto, um meio de fixar a atenção, de desenvolver a lucidez, como o são as cartas, a borra de café, os espelhos ditos mágicos, para os indivíduos que dispõem dessa faculdade. A experiência me confirmou de novo a justeza dessa opinião. Seja como for, aquela senhora, tendo-me convidado a ir visitá-la, acedi ao seu convite e eis aqui um resumo do que ela me disse:
“Nascestes com grande abundância de recursos e de meios intelectuais... extraordinária força de raciocínio...
Formou-se o vosso gosto; governado pela cabeça, moderais a inspiração pelo raciocínio; subordinais o instinto, a paixão, a intuição ao método, à teoria. Tivestes sempre pendor para as ciências morais... Amor da verdade absoluta... Amor da Arte definida.
“Tem número, medida e cadência o vosso estilo; mas, por vezes, trocaríeis um pouco da sua precisão por uma certa poesia.
“Como filósofo idealista, estivestes sujeito à opinião de outrem; como filósofo crente, experimentais agora a necessidade de formar seita.
“Benevolência judiciosa; necessidade imperiosa de aliviar, de socorrer, de consolar; necessidade de independência.
“Muito demoradamente vos corrigis da subitânea impulsão do vosso humor.
“Éreis singularmente apto para a missão que vos está confiada, porquanto o vosso feitio é mais para vos tornardes o centro de imensos desenvolvimentos, do que capaz de trabalhos insulados... Vossos olhos têm o olhar do pensamento.
“Vejo aqui o sinal da tiara espiritual... É bem pronunciado...
Vede.” (Olhei e nada vi de particular.)
Que entendeis, perguntei-lhe, por tiara espiritual?
Querereis dizer que serei papa? Se tal houvesse de acontecer, não seria decerto nesta existência.
Resposta — Deveis notar que eu disse tiara espiritual, o que significa: autoridade moral e religiosa e não soberania efetiva.”
Reproduzi pura e simplesmente as palavras daquela senhora, por ela mesma transcritas. Não me compete julgar se são exatas sobre todos os pontos. Algumas, reconheço- as verdadeiras, porque estão de acordo com o meu caráter e com as disposições do meu espírito.
Há, porém, uma passagem evidentemente errônea, a em que ela diz, a propósito do meu estilo, que eu às vezes trocaria algo da minha precisão por um pouco de poesia.
Nenhum instinto poético existe em mim; o que procuro, acima de tudo, o que me agrada, o que aprecio nos outros é a clareza, a limpidez, a precisão e, longe de sacrificar esta à poesia, o que se me poderia reprochar fora o sacrificar o sentimento poético à sequidão da forma positiva. Preferi sempre o que fala à inteligência ao que apenas fala à imaginação.
Quanto à tiara espiritual, O Livro dos Espírito acabava de aparecer; a Doutrina estava em seus primórdios e não podia ainda prejulgar dos resultados que ulteriormente daria. Nenhuma importância, pois, liguei a essa revelação e me limitei a anotá-la a título informativo.
No ano seguinte a Sra. de Cardone deixou Paris e não tornei a vê-la, senão oito anos depois, em 1866, quando as coisas já tinham caminhado bastante. Disse-me ela: Lembra-se da minha predição acerca da tiara espiritual? Aí a tem realizada. — Como realizada? Que eu o saiba, não me acho no trono de S. Pedro. — Não, decerto; mas, também, não foi isso o que lhe anunciei. O senhor não é, de fato, o chefe da Doutrina, reconhecido pelos espíritas do mundo inteiro? Não são os seus escritos que fazem lei? Não se contam por milhões os seus correligionários? Em matéria de Espiritismo, haverá alguém cujo nome tenha mais autoridade do que o seu? Os títulos de sumo-sacerdote, de pontífice, mesmo de papa, não lhe são dados espontaneamente?
São-no, sobretudo, pelos seus adversários e por ironia, bem o sei, mas nem por isso o fato deixa de indicar de que gênero é a influência que eles lhe reconhecem, porque pressentem qual o papel que lhe cabe. Assim, esses títulos lhe ficarão.
Em suma, o senhor conquistou, sem a buscar, uma posição moral que ninguém lhe pode tirar, dado que, sejam quais forem os trabalhos que se elaborem depois dos seus, ou concomitantemente com eles, o senhor será sempre o proclamado fundador da Doutrina. Logo, em realidade, está com a tiara espiritual, isto é, com a supremacia moral.
Reconheça, portanto, que eu disse a verdade.
Acredita agora, mais um pouco, nos sinais das mãos?
- Menos que nunca e estou convencido de que, se a senhora viu alguma coisa, não foi na minha mão, mas no seu próprio espírito e vou prová-lo.
Admito que nas mãos, como nos pés, nos braços e nas outras partes do corpo, existem certos sinais fisiognomônicos; mas, cada órgão apresenta sinais particulares, conforme o uso a que é sujeito e conforme as suas relações com o pensamento. Os sinais das mãos não podem ser os mesmos que os dos pés, dos braços, da boca, dos olhos, etc.
Quanto ao pregueado da palma das mãos, a maior ou menor acentuação que apresentam resulta da natureza da pele e da maior ou menor quantidade de tecido celular. Como essas partes em nenhuma correlação fisiológica estão com os órgãos das faculdades intelectuais e morais, não podem ser a expressão dessas faculdades. Mesmo admitindo-se que haja essa correlação, elas poderiam fornecer indicações sobre o estado atual do indivíduo, mas não poderiam constituir sinais de presságios de coisas futuras, nem de acontecimentos passados e independentes da vontade do mesmo indivíduo. Na primeira hipótese, eu, a rigor, compreenderia que, com o auxílio de tais lineamentos, se pudesse dizer que uma pessoa possui esta ou aquela aptidão, este ou aquele pendor; o mais vulgar bom-senso, porém, repeliria a idéia de que se possa ver ali se ela foi casada ou não, quantas vezes e o número de filhos que teve, se é viúva ou não, e outras coisas semelhantes, como o pretende a maioria dos quiromantes.
Entre as linhas das mãos, há uma que toda gente conhece e que representa bem um M. Se é bastante acentuada, pressagia, dizem, uma vida infeliz (malheureuse); porém, a palavra malheur (infelicidade) é francesa e ninguém se lembra de que, nas outras línguas, a palavra que a essa corresponde não começa pela mesma letra, donde se segue que a linha em questão deveria apresentar formas diferentes, de acordo com as línguas dos povos.
Quanto à tiara espiritual, é, evidentemente, uma coisa especial, excepcional e, até certo ponto, individual e eu estou convencido de que a senhora não encontrou essa expressão no vocabulário de nenhum tratado de quiromancia.
Como então lhe veio ela à mente? Pela intuição, pela inspiração, por essa espécie de presciência peculiar à dupla vista de que muitas pessoas são dotadas sem o suspeitarem.
Sua atenção estava concentrada nos lineamentos da mão, a senhora fixou o pensamento num sinal em que outra pessoa teria visto coisa muito diversa, ou a que a senhora mesmo atribuiria significação diferente, se tratasse de outro indivíduo.

                                                                                  ALLAN KARDEC.

            Fonte: O Livro “OBRAS PÓSTUMAS”, - Allan Kardec –27 a. Edição. –Instituto de Difusão Espírita , - Araras, SP. – Maio 2012.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)