CONCERNENTES AO ESPIRITISMO.
Manuscrito composto com especial
cuidado por Allan Kardec e do qual nenhum capítulo fora ainda publicado.
(Em casa do Sr. Dufaux; médium: Sra.
E. Dufaux)
A
REVISTA ESPÍRITA
Pergunta
— Tenho a intenção de publicar um jornal espírita: julgais que o
conseguirei e me aconselhais a fazê-lo? A pessoa a quem me dirigi, Sr.
Tiedeman, não parece resolvida a me prestar o seu concurso pecuniário.
Resposta
— Consegui-lo-ás, com perseverança. A idéia é boa; preciso se faz,
porém, deixá-la amadurecer mais.
P.
— Temo que outros me tomem a dianteira.
R.
— Importa andar depressa.
P.
— Não quero outra coisa, mas falta-me tempo. Tenho dois empregos
que me são necessários, como o sabeis. Desejara renunciar a eles, a fim de me
consagrar inteiramente à minha tarefa, sem outras preocupações.
R.
— Por enquanto, não deves abandonar coisa alguma; há sempre
tempo para tudo; move-te e conseguirás.
P.
— Devo agir sem o concurso do Sr. Tiedeman?
R.
— Age com ou sem o seu concurso; não te consumas por sua causa.
Podes prescindir dele.
P.
— Eu pretendia publicar um primeiro número como ensaio, a fim de
lançar o jornal e marcar data, e continuar mais tarde, se for possível. Que vos
parece?
R.
— A idéia é boa, mas um só número não bastará; entretanto, é
conveniente e mesmo necessário, para abrir caminho. Será preciso que lhe
dispenses muito cuidado, a fim de assentares as bases de um bom êxito durável.
A apresentá-lo defeituoso, melhor será nada fazer, porquanto a
primeira impressão pode decidir do seu futuro. De começo, deves cuidar de
satisfazer à curiosidade; reunir o sério ao agradável: o sério para atrair os
homens de Ciência, o agradável para deleitar o vulgo. Esta parte é essencial, porém
a outra é mais importante, visto que sem ela o jornal careceria de fundamento
sólido. Em suma, é preciso evitar a monotonia por meio da variedade, congregar
a instrução sólida ao interesse que, para os trabalhos ulteriores, será poderoso
auxiliar.
NOTA
— Apressei-me a redigir o primeiro número e fi-lo circular a 1º de
janeiro de 1858, sem haver dito nada a quem quer que fosse. Não tinha um único
assinante e nenhum fornecedor de fundos. Publiquei-o correndo eu,
exclusivamente, todos os riscos e não tive de que me arrepender, porquanto o
resultado ultrapassou a minha expectativa. A partir daquela data, os números se
sucederam sem interrupção e, como previa o Espírito, esse jornal se tornou um
poderoso auxiliar meu. Reconheci mais tarde que fora para mim uma felicidade
não ter tido quem me fornecesse fundos, pois assim me conservara mais livre, ao
passo que outro interessado houvera querido talvez impor-me suas idéias e sua vontade
e criar-me embaraços. Sozinho, eu não tinha que prestar contas a ninguém,
embora, pelo que respeitava ao trabalho, me fosse pesada a tarefa.
ALLAN
KARDEC.
Fonte: O Livro “OBRAS PÓSTUMAS”, - Allan Kardec –27 a.
Edição. –Instituto de Difusão Espírita , - Araras, SP. – Maio 2012.

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