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sexta-feira, 16 de junho de 2017

- POEMAS ESPÍRITAS. - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - HERÓIS. - CRUZ E SOUZA.



                                    HERÓIS.

Esses seres que passam pelas dores,
As geenas do pranto acorrentados,
Aluviões de peitos sofredores,
No turbilhão dos grandes desgraçados;
Corações a sangrar, ermos de amores,
Revestidos de acúleos acerados,
Nutrindo a luz dos sonhos superiores

Nos ideais maiores esfaimados;
Esses pobres que o mundo considera
Os humanos farrapos dos vencidos,
Prisioneiros da angústia e da quimera,
São os heróis das lutas torturantes,
Que são, sendo na Terra os esquecidos,
Coroados nas Luzes Deslumbrantes!


Cruz e Souza

CATARINENSE. Funcionário público, encarnou em 1861 e desprendeu-se em 1898, no Estado de Minas. Poeta de emotividade delicada, soube, mercê de um simbolismo inconfundível, marcar sua individualidade literária. Sua vida foi toda dores.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

terça-feira, 18 de abril de 2017

- POEMAS ESPÍRITAS; - PARNASO DE ALÉM TÚMULO. - ANSIEDADDE. - CRUZ E SOUZA. (CHICO XAVIER.)



                                ANSIEDADE.

Todo esse anseio que tortura o peito,
Estrangulando a voz exausta e rouca,
Que em cada canto estruge e em cada boca
Faz o soluço do ideal desfeito;

Ansiedade fatal de que se touca
A alma do homem mau e do perfeito,
Sobe da Terra pelo espaço eleito,
Numa imensa espiral, estranha e louca,

Formando a rede eterna e incompreendida,
Das ilusões, dos risos, das quimeras,
Das dores e da lágrima incontida;

Essa ansiedade é a mão de Deus nas eras,
Sustentando o fulgor da luz da Vida,
No turbilhão de todas as esferas!...

Cruz e Souza

CATARINENSE. Funcionário público, encarnou em 1861 e desprendeu-se em 1898, no Estado de Minas. Poeta de emotividade delicada, soube, mercê de um simbolismo inconfundível, marcar sua individualidade literária. Sua vida foi toda dores.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)

domingo, 26 de fevereiro de 2017

-POEMAS ESPIRITAS. PARNASO DE ALEM TÚMULO. - LEMBRANÇAS. - CASIMIRO DE ABREU. (CHICO XAVIER.)




LEMBRANÇAS.

No sacrário das lembranças,
Revejo-te, trigueirinha,
De negras e longas tranças,
Moreninha.

Teus lindos pés descalçados,
Pisando de manhãzinha
A verde relva dos prados,
Moreninha.

Os primorosos cabelos
Enfeitados, à tardinha,
De miosótis singelos,
Moreninha.

De olhar sedutor e insonte,
Quando o teu passo ia e vinha
Em busca da água da fonte,
Moreninha.

Teu vulto de camponesa
Era o porte de rainha,
Rainha da Natureza,
Moreninha.

Inda ouço os sons primeiros
Da tua voz na modinha
Modulada nos terreiros,
Moreninha.

Lavando a roupa às braçadas,
Nos fios d’água fresquinha,
Sob as mangueiras copadas,
Moreninha.

Os teus risos adorados,
Desferidos à noitinha,
Nos bandos de namorados,
Moreninha.

A tua oração ditosa,
Nas missas da capelinha,
Tão faceira! tão formosa!
Moreninha.

A placidez do teu rosto
Com teus modos de avezinha,
Fitando a luz do sol-posto,
Moreninha.

O teu samburá de flores
Que levavas à igrejinha,
Enchendo a nave de odores,
Moreninha.

O vestidinho de chita,
De rosas estampadinha,
Fazendo-te mais bonita,
Moreninha.

O nosso idílio encantado,
Quando te achavas sozinha,
Sob o luar prateado,
Moreninha.

Que terna recordação
De minhalma se avizinha!
De saudade, de paixão,
Moreninha.

Ai! Ai! meu Deus, quem me dera
Rever-te, doce rainha,
Rainha da Primavera,
Moreninha.

Casimiro de Abreu

POETA fluminense, desencarnou aos 18 de outubro de 1860, na Fazenda de Indaiaçu, no então município de Barra de São João, hoje denominado Casimiro de Abreu, com 21 anos de idade, acometido de tuberculose pulmonar. Figura literária das mais típicas do seu tempo, o autor malogrado de Primaveras ainda aqui se afirma no seu profundo quão suave nativismo lírico. Suas composições possuem “um saboroso estilo colorido, sensível e personalíssimo” – disse Ronald de Carvalho.

            Fonte: PARNASO DE ALÉM - TÚMULO - AUTORES DIVERSOS. - Chico Xavier- Editora FEB. Rio de Janeiro RJ - 1935.

                                   RHEDAM. (mzgcar@gmail.com)